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Materiais para análise: Geopolítica, Recursos Naturais e Impactos Socioeconômicos na Venezuela: Uma Análise Crítica (1999-2026) e OUTROS Materiais

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Geopolítica, Recursos Naturais e Impactos Socioeconômicos na Venezuela: Uma Análise Crítica (1999-2026)

Sodré GB Neto

Resumo

Este artigo analisa a trajetória política e econômica da Venezuela desde a ascensão de Hugo Chávez em 1999 até o cenário contemporâneo sob Nicolás Maduro. O estudo foca na redistribuição da renda petrolífera, na redução da pobreza através das Missões Bolivarianas e no impacto devastador das sanções econômicas unilaterais impostas pelos Estados Unidos. Examina-se a hipótese de que a crise humanitária venezuelana é, em grande parte, um produto de estratégias de “punição coletiva” destinadas a promover a mudança de regime. Além disso, discute-se a percepção pública internacional e doméstica sobre a legitimidade do governo venezuelano e as circunstâncias geopolíticas que cercam a exploração de suas vastas reservas de petróleo e ouro.


Introdução

A ascensão de Hugo Chávez ao poder em 1999 marcou uma ruptura significativa com o modelo neoliberal predominante na América Latina [51] [52]. Através da Revolução Bolivariana, o governo venezuelano buscou inverter a lógica de distribuição da riqueza nacional, historicamente concentrada em elites locais e interesses estrangeiros [53] [54]. A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo provadas do mundo, tornou-se o epicentro de uma disputa geopolítica intensa, onde o controle dos recursos naturais se entrelaça com ideologias de soberania nacional e intervenção externa [7] [16].

A Era Chávez: Petróleo e Redução da Pobreza

Durante o governo de Hugo Chávez, a Venezuela experimentou uma transformação social sem precedentes. A política de “semear o petróleo” foi reativada através das Missões Bolivarianas, programas sociais financiados diretamente pela estatal PDVSA [5] [10]. Entre 1998 e 2012, a pobreza extrema na Venezuela caiu de aproximadamente 20% para 11%, enquanto o acesso à saúde e educação foi universalizado para milhões de cidadãos anteriormente marginalizados [4] [8] [28].
Indicador Social
Pré-Chávez (1998)
Auge da Revolução (2012)
Fonte
Pobreza Extrema
~20%
11%
Buxton (2020)
Acesso à Saúde
Limitado
Universal (Barrio Adentro)
Briggs (2009)
Analfabetismo
Significativo
Erradicado (Misión Robinson)
Muhr (2006)
A inversão da distribuição da renda petrolífera — que anteriormente beneficiava majoritariamente corporações americanas e elites locais — foi o pilar dessa mudança [12] [30]. No entanto, essa política gerou forte resistência internacional, culminando em tentativas de desestabilização política [17] [24].

 Análise da Correlação entre a Queda dos Preços do Petróleo e as Sanções Internacionais logo em seguida na Venezuela (2014-2016); uma Análise Crítica: Conspiração Geopolítica, Shale Oil e o Colapso da Venezuela

A questão sobre se a crise venezuelana foi resultado de uma conspiração geopolítica ou de uma coincidência de mercado é central para a compreensão do colapso do país. A análise crítica confronta a visão acadêmica predominante (choque de mercado) com a tese da “guerra econômica” (conspiração política), reforçada por declarações de representantes dos Estados Unidos.

1. A Tese do Choque de Mercado (Coincidência)

A visão majoritária entre analistas de energia e economistas aponta que a queda dos preços do petróleo entre 2014 e 2016 foi um fenômeno de mercado impulsionado por dois fatores principais :
1.Excesso de Oferta Global: O boom do shale oil nos Estados Unidos, viabilizado por avanços tecnológicos, aumentou significativamente a produção global.
2.Estratégia da OPEP: A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderada pela Arábia Saudita, decidiu em novembro de 2014 não cortar a produção. O objetivo era manter a fatia de mercado e inviabilizar economicamente produtores de alto custo, como o próprio shale oil e, indiretamente, a produção venezuelana, que já sofria com a má gestão interna .
Nesta perspectiva, a queda do petróleo foi o fator econômico primário que desmantelou a principal fonte de renda da Venezuela, expondo as fragilidades de sua dependência extrema e da má gestão interna . As sanções iniciais (2014-2016) foram uma resposta política à repressão interna, e não a causa do colapso econômico.

2. A Tese da Conspiração Geopolítica (Estratégia)

A tese da conspiração sugere que o shale oil foi ativamente utilizado como uma arma econômica para desestabilizar governos adversários, e que a crise foi acelerada por uma estratégia deliberada dos EUA . Esta visão é reforçada por declarações de altos funcionários americanos, que ligam a pressão sobre a Venezuela ao interesse em seus recursos e à geopolítica regional.
A declaração do Senador Marco Rubio (imagem fornecida) é um exemplo claro dessa postura:
“Não precisamos do petróleo da Venezuela. Temos petróleo de sobra nos Estados Unidos. O que não vamos permitir é que a indústria petrolífera da Venezuela seja controlada por adversários dos Estados Unidos… Este é o Hemisfério Ocidental, é onde vivemos, e não vamos permitir que se torne uma base de operações para adversários, competidores e rivais.”

Declarações de outros oficiais, como o ex-Conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, que afirmou que “faria uma grande diferença para os EUA economicamente se pudéssemos ter empresas petrolíferas americanas investindo e produzindo as capacidades de petróleo na Venezuela”, sugerem que o objetivo final da pressão é a mudança de regime para garantir o acesso e o controle das vastas reservas de petróleo venezuelanas .

3. Conclusão: Convergência de Fatores

A análise crítica aponta para uma convergência de fatores que torna a crise venezuelana mais complexa do que uma simples coincidência ou conspiração isolada:
Fator
Natureza
Impacto na Crise (2014-2016)
Queda do Petróleo
Choque de Mercado Global
Gatilho Econômico Primário que causou a perda de receita e o colapso fiscal.
Shale Oil dos EUA
Inovação Tecnológica + Política
Criou o excesso de oferta que derrubou o preço, gerando a vulnerabilidade venezuelana.
Sanções Iniciais (2014-2016)
Resposta Política (Direitos Humanos)
Isolamento Financeiro que impediu a Venezuela de buscar crédito para amortecer o choque.
Sanções Posteriores (Pós-2017)
Estratégia Geopolítica (Setorial)
Asfixia Econômica que impediu a recuperação e aprofundou a crise humanitária, visando a mudança de regime.
A queda dos preços do petróleo foi um evento de mercado que criou a oportunidade. A estratégia geopolítica dos EUA, evidenciada pelas declarações de seus representantes e pela imposição de sanções cada vez mais severas, aproveitou essa vulnerabilidade para acelerar o colapso do regime, transformando uma crise econômica severa em uma catástrofe humanitária e política. Portanto, a crise é o resultado de uma coincidência de mercado que foi aproveitada e potencializada por uma estratégia geopolítica deliberada.

Referências


A crise econômica e humanitária na Venezuela foi o resultado de uma convergência de fatores, sendo a queda abrupta dos preços do petróleo e a imposição de sanções internacionais dois dos mais significativos. A análise da correlação entre esses eventos no período de 2014 a 2016 revela uma dinâmica de reforço mútuo, onde a crise econômica gerada pelo petróleo serviu de catalisador para a crise política que, por sua vez, atraiu as sanções.

1. Cronologia e Natureza dos Choques

O período em análise é crucial para entender a distinção entre a causa primária do colapso econômico e os fatores que impediram a recuperação.
Período
Preço do Petróleo (Brent)
Sanções Internacionais (EUA)
Impacto Econômico Imediato
2º Semestre 2014
Queda de ~US$ 108 para ~US$ 50
Venezuela Defense of Human Rights Act (Dez/2014) – Sanções individuais
Choque fiscal massivo e perda de receita.
2015
Média de ~US$ 52
Ordem Executiva 13692 (Mar/2015) – Sanções individuais
Contração do PIB em ~10%; início da hiperinflação.
2016
Mínima de ~US$ 27 (Jan)
Manutenção de sanções individuais
Pobreza extrema em ascensão; agravamento da escassez.
queda dos preços do petróleo foi um choque estrutural de origem global, impulsionado pelo aumento da produção de shale oil nos Estados Unidos e pela decisão estratégica da OPEP de não cortar a produção . Este evento reduziu a receita do governo venezuelano em mais de 70%, expondo a extrema dependência do país e a má gestão da PDVSA.
As sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos durante este período (2014-2016) eram predominantemente direcionadas a indivíduos ligados a violações de direitos humanos e corrupção, e não sanções setoriais ou financeiras amplas que bloqueavam o comércio de petróleo . As sanções financeiras e petrolíferas mais severas, que tiveram um impacto direto e devastador na capacidade de exportação da PDVSA, só foram implementadas a partir de agosto de 2017 .

2. A Correlação de Reforço Mútuo

A correlação entre a queda do petróleo e as sanções de 2014-2016 é de natureza política e financeira, e não de causalidade econômica direta:
Petróleo como Catalisador Político: A drástica redução na receita do petróleo (o “choque estrutural”) levou à incapacidade do governo de financiar programas sociais e importações, gerando escassez e protestos sociais . A repressão a esses protestos foi o motivo direto para a imposição das sanções individuais pelos EUA . Assim, a crise econômica gerada pelo petróleo serviu de gatilho político para as sanções.
Sanções como Isolante Financeiro: Embora as sanções de 2014-2016 não fossem setoriais, elas criaram um ambiente de risco político e financeiro para a Venezuela. Instituições financeiras internacionais passaram a praticar o que se chama de “over-compliance“, evitando transações com o governo venezuelano por medo de futuras penalidades . Este isolamento financeiro dificultou a capacidade do país de reestruturar sua dívida ou obter novos empréstimos, justamente no momento em que o fluxo de caixa do petróleo havia secado .

A queda dos preços do petróleo (2014-2016) foi o fator econômico primário que iniciou o colapso, ao desmantelar a principal fonte de renda do país. As sanções internacionais impostas no mesmo período acabaram por  sufocar ainda mais a Venezuela. Conpiração ou coincidência?

A correlação reside no fato de que a queda do petróleo criou a vulnerabilidade, e as sanções iniciais agravaram essa vulnerabilidade ao acelerar o isolamento financeiro da Venezuela. O colapso econômico, portanto, não foi causado pelas sanções neste período, mas sim amplificado por elas, tornando a recuperação praticamente impossível mesmo que os preços do petróleo tivessem se estabilizado.

Referências

 

O colapso econômico venezuelano, que levou a um aumento exponencial da pobreza extrema, foi catalisado pela queda abrupta dos preços internacionais do petróleo, expondo as fragilidades estruturais do modelo rentista do país . A Venezuela, altamente dependente da receita petrolífera para financiar importações e programas sociais, viu sua capacidade de sustentar o Estado diminuir drasticamente.
A pobreza extrema, que já era um desafio, saltou de aproximadamente 23,6% em 2014 para níveis que, em anos subsequentes, ultrapassaram 60% da população, refletindo a perda de poder aquisitivo e a escassez de bens básicos . Este cenário foi agravado por políticas econômicas internas, como controles de preços e de câmbio, que geraram hiperinflação e uma escassez severa de alimentos e medicamentos . Esta manobra reacionária das petroleiras americanas foram interpretadas como  má gestão e a corrupção de mais de US$ 1 trilhão em receitas de petróleo ao longo de duas décadas sob os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro .

2. A Queda Global dos Preços do Petróleo em 2014

A queda dos preços do petróleo, de mais de US$ 100 por barril em meados de 2014 para menos de US$ 30 no início de 2016, é amplamente atribuída a fatores de mercado e decisões estratégicas globais, e não a uma conspiração direta contra a Venezuela .
O principal fator de oferta foi o boom do shale oil (petróleo de xisto) nos Estados Unidos, que inundou o mercado global com um volume significativo de petróleo, criando um excesso de oferta . Em resposta a este novo cenário de mercado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderada pela Arábia Saudita, tomou a decisão estratégica em novembro de 2014 de não reduzir a produção . O objetivo desta estratégia era manter a fatia de mercado da OPEP e pressionar a inviabilidade econômica de produtores de alto custo, como o próprio shale oil dos EUA e, indiretamente, a produção venezuelana, que já sofria com a falta de investimento e má gestão . Além disso, o enfraquecimento da demanda global, especialmente devido à desaceleração econômica na China, também contribuiu para a queda dos preços .

3. O Papel das Grandes Petroleiras Prejudicadas por Hugo Chávez

A questão sobre a participação das grandes petroleiras prejudicadas por Hugo Chávez na queda repentina do petróleo em 2014 deve ser analisada sob a ótica da geopolítica do petróleo e dos litígios internacionais, e não de uma manipulação direta dos preços .
A tese da “guerra econômica”, defendida pelo governo de Nicolás Maduro, alega que a queda dos preços foi uma conspiração planejada pelos Estados Unidos para desestabilizar governos adversários, como a Venezuela e a Rússia . Contudo, a análise acadêmica e de mercado aponta que a queda foi um fenômeno de mercado impulsionado pela dinâmica de oferta e demanda (shale oil e OPEP) .
O impacto das petroleiras como a ExxonMobil e a ConocoPhillips, que tiveram seus ativos nacionalizados por Chávez em 2007, manifestou-se principalmente no campo legal e financeiro . Essas empresas buscaram reparação através de tribunais internacionais, como o Centro Internacional para a Resolução de Disputas sobre Investimentos (ICSID). Em 2014, por exemplo, a Venezuela foi condenada a pagar indenizações bilionárias à ExxonMobil . Embora esses litígios tenham exercido uma pressão financeira considerável sobre as já frágeis finanças venezuelanas, especialmente em um momento de queda de receita,  há poucas evidências de que essas empresas tenham orquestrado a queda global dos preços do petróleo, que é um mercado vasto e complexo .
O aumento da pobreza extrema na Venezuela entre 2014 e 2016 foi o resultado da convergência de uma extrema dependência do petróleo com a má gestão econômica interna e um choque externo (a queda dos preços do petróleo) . A queda dos preços foi um evento de mercado e geopolítico, impulsionado pelo shale oil dos EUA e pela estratégia da OPEP . O papel das petroleiras prejudicadas por Chávez foi indireto, manifestando-se através de litígios de arbitragem internacional que drenaram recursos do Estado em um momento de crise fiscal .

Referências

Sanções Econômicas e Punição Coletiva
grafico_pobreza_sancoes.png

Com a morte de Hugo Chávez em 2013 e a ascensão de Nicolás Maduro, a pressão externa intensificou-se drasticamente. A partir de 2017, os Estados Unidos impuseram uma série de sanções financeiras e comerciais que, segundo diversos estudos acadêmicos, constituem uma forma de “punição coletiva” contra a população venezuelana [31] [45]. Estas sanções bloquearam o acesso da Venezuela a mercados financeiros internacionais e impediram a venda de petróleo, resultando em uma queda catastrófica na receita nacional [21] [22].
O impacto humanitário dessas medidas foi severo. Estima-se que as sanções tenham contribuído para mais de 40.000 mortes evitáveis entre 2017 e 2018, devido à falta de medicamentos e alimentos [11] [19] [44]. A crise de saúde pública, caracterizada pelo ressurgimento de doenças infecciosas e aumento da mortalidade infantil, é frequentemente citada como uma consequência direta da asfixia econômica imposta por Washington [9] [33] [43].
“As sanções econômicas impostas pelos EUA à Venezuela desde 2017 agravaram severamente a crise econômica e humanitária do país, afetando desproporcionalmente os setores mais vulneráveis da sociedade.” [2] [3] [30]

Análise do Impacto das Sanções Americanas na Curva de Pobreza da Venezuela

 

A análise do gráfico cronológico e dos dados acadêmicos revela que o momento exato de maior impacto das sanções americanas na curva de pobreza da Venezuela ocorreu no período entre agosto de 2017 e o final de 2018.
Este período é crucial por dois motivos principais:

1.Início das Sanções Financeiras Abrangentes (Agosto de 2017):

As sanções mais severas e abrangentes foram impostas em agosto de 2017, visando o setor financeiro e a capacidade da Venezuela de negociar novas dívidas e ações [4] [45]. O impacto imediato foi a restrição drástica do acesso do governo venezuelano a financiamento internacional e a dificuldade em reestruturar sua dívida. O artigo de Weisbrot e Sachs (2019) aponta que as sanções de 2017 tiveram um efeito devastador na produção de petróleo, que é a principal fonte de receita do país [45].

2.Pico do Impacto Humanitário e Mortalidade (2018):

O efeito lag (atraso) das sanções financeiras e petrolíferas se manifestou de forma mais aguda nos indicadores sociais e humanitários no ano seguinte. O estudo de Zakrison et al. (2019) e o relatório do CEPR (2019) estimam que as sanções impostas a partir de 2017 foram responsáveis por um aumento na mortalidade e por mais de 40.000 mortes evitáveis entre 2017 e 2018, devido à falta de acesso a medicamentos e alimentos [19] [44].

Correlação com a Curva de Pobreza:
A curva de pobreza na Venezuela, que havia atingido seu ponto mais baixo (11% de pobreza extrema) em 2012 sob Chávez [8], começou a subir acentuadamente após a queda dos preços do petróleo e a crise econômica interna (2014-2016). No entanto, a imposição das sanções financeiras e petrolíferas em 2017 e 2018 atuou como um catalisador externo que acelerou e aprofundou a crise, impedindo o governo de obter os recursos necessários para importar bens essenciais e sustentar os programas sociais (Missões) que antes mantinham a pobreza sob controle [21] [49].
O momento de maior aceleração da curva de pobreza e do colapso dos indicadores de saúde e bem-estar social coincide diretamente com a intensificação das sanções financeiras e petrolíferas entre 2017 e 2018, transformando a crise econômica em uma crise humanitária de grandes proporções [2] [3].
Período
Evento Chave
Impacto na Curva de Pobreza
Fonte
1998-2012
Políticas de Chávez, Alta do Petróleo
Queda drástica (20% para 11%)
Buxton (2020)
2014-2016
Queda do Preço do Petróleo, Crise Interna
Aumento gradual
Grier (2016)
Agosto 2017 – Fim 2018
Sanções Financeiras e Petrolíferas Abrangentes
Aceleração e Aprofundamento da Pobreza/Mortalidade
Weisbrot (2019), Zakrison (2019)
Pós-2019
Sanções Secundárias (PDVSA)
Colapso da Produção de Petróleo, Crise Humanitária Persistente
Aray (2024)
Em suma, o momento exato em que as sanções americanas exerceram o maior impacto na curva de pobreza, transformando a crise econômica em uma catástrofe humanitária, foi o período de 18 meses subsequentes a agosto de 2017, quando as sanções financeiras e petrolíferas mais restritivas entraram em vigor.

Geopolítica e Recursos Naturais

A Venezuela possui a segunda maior reserva de ouro do mundo e as maiores reservas de petróleo, o que a torna um alvo estratégico permanente [15] [23]. A narrativa de “ditadura” aplicada ao governo de Maduro é frequentemente analisada por teóricos críticos como uma ferramenta de demonização necessária para justificar intervenções que visam restaurar o controle ocidental sobre esses recursos [25] [50].
Apesar da pressão diplomática e econômica, a opinião pública nos Estados Unidos mostra-se majoritariamente contrária a intervenções militares diretas. Pesquisas recentes indicam que cerca de 71% dos americanos não apoiam invasões ou ações militares para mudança de regime na Venezuela, refletindo um cansaço com as políticas intervencionistas do passado [32] [34].

A Morte de Hugo Chávez: Perspectivas e Especulações

As circunstâncias da morte de Hugo Chávez em 2013 permanecem um tema de intenso debate político. Embora a causa oficial tenha sido um câncer agressivo, o governo venezuelano e diversos apoiadores levantaram suspeitas de que a doença poderia ter sido induzida externamente [15]. Do ponto de vista científico, a indução de câncer via radiação direcionada ou agentes biológicos é considerada tecnicamente complexa e improvável de ser realizada de forma indetectável, embora a história da Guerra Fria registre diversos experimentos de desestabilização biológica [16]. A falta de acesso a amostras biológicas independentes impede uma conclusão definitiva, mantendo o tema no campo da disputa narrativa e política.

Conclusão

A crise venezuelana não pode ser compreendida sem considerar o papel central das sanções econômicas e da disputa pelos recursos naturais. Enquanto as políticas de Chávez demonstraram que a redistribuição da riqueza petrolífera pode reduzir drasticamente a pobreza, a resposta internacional através da asfixia financeira reverteu muitos desses ganhos, gerando uma crise humanitária de proporções regionais. A estabilidade da Venezuela e o bem-estar de seu povo dependem, fundamentalmente, do fim das medidas coercitivas unilaterais e do respeito à soberania nacional sobre seus recursos estratégicos.

Referências

19.[Zakrison, T. L., et al. (2019). US sanctions in Venezuela: help, hindrance, or violation?]( )31397-2/fulltext)
44.[Zakrison, T. L., et al. (2019). US sanctions in Venezuela: help or hindrance?]( )31397-2/fulltext)


2 - OUTROS MATERIAIS

2.1 - 

Política de Recursos

Volume 93 ,junho de 2024, 105044
Política de Recursos

Uma história sobre o colapso da produção de petróleo.

https://doi.org/10.1016/j.resourpol.2024.105044Obtenha direitos e conteúdo.
Sob licença Creative Commons
Acesso aberto

Destaques

  • O colapso da indústria petrolífera da Venezuela não se deveu à economia global nem ao declínio das reservas.
  • A má gestão e o escasso investimento causaram o colapso do setor petrolífero venezuelano.
  • O controle sintético compara a produção real de petróleo da Venezuela com a produção hipotética desde 1999.
  • A “Venezuela sintética” supera notavelmente a Venezuela real.
  • 1999-2021: A produção real de petróleo da Venezuela foi 1 milhão de barris/dia inferior à produção sintética.

Resumo

A falta de investimento e o investimento tardio em indústrias de alto uso de capital, juntamente com a má gestão, podem levar ao colapso da produção. Este artigo concentra-se na experiência recente da Venezuela, um país com uma economia rentista baseada no petróleo, cuja indústria petrolífera entrou em colapso. Utilizamos métodos de controle sintético para comparar o desempenho real da produção de petróleo na Venezuela com um cenário contrafactual desde o início da presidência de Hugo Chávez, em 1999. Nossos resultados indicam que a Venezuela sintética supera a produção real de petróleo venezuelana, com a diferença aumentando notavelmente desde o final da década de 2000. Em média, a produção real de petróleo na Venezuela foi aproximadamente 1 milhão de barris por dia menor do que no cenário sintético durante o período de 1999 a 2021. Os resultados são robustos mesmo com a inclusão de preditores adicionais e uma bateria de testes placebo.

Classificação JEL

L71
Q35
C32

Palavras-chave

Óleo
Venezuela
Controle sintético

1. Introdução

indústria petrolífera é intensiva em capital, exigindo investimentos substanciais tanto para o aumento da capacidade quanto para a operação. Como apontado por Espinasa et al. (2017) , sem capacidade ociosa, para expandir a produção de petróleo, quatro etapas devem ser seguidas: exploração, perfuração, extração e comercialização. Há um período de adaptação necessário para aumentar a capacidade e iniciar a produção. Portanto, a falta de investimento de capital ou o atraso nesse investimento levarão a indústria petrolífera a uma situação desastrosa.
Em muitos países, a indústria petrolífera é estatal, controlada por empresas públicas que assumem a maior parte das atividades petrolíferas, o que representa um desafio para a eficiência gerencial e para a garantia de um arcabouço institucional estável. Conforme afirmado por Manzano e Monaldi (2008) , as características específicas da indústria petrolífera influenciam fortemente o arcabouço institucional e a economia política do setor.<sup> 1 </sup> Manzano e Monaldi (2008) postularam que tais características da exploração de hidrocarbonetos interagem com o ambiente institucional e contratual para explicar a economia política da tributação e da expropriação. Os autores apresentam uma análise abrangente da evolução da economia política do setor petrolífero para os principais produtores latino-americanos, de meados da década de 1990 a meados da década de 2000. Nessa mesma linha, Corrales et al. (2020) fornecem uma análise mais recente para os países latino-americanos, abrangendo o ciclo de expansão e recessão do petróleo de 2003 a 2016.
Ao estudar a evolução do setor petrolífero dos principais produtores latino-americanos, o caso da Venezuela é particularmente notável, pois seu recente desempenho fraco contrasta com sua posição anterior como o mais importante produtor e exportador de petróleo da América Latina e um dos principais atores no mercado mundial de petróleo. A Venezuela foi um dos membros fundadores da OPEP, sendo o maior exportador de petróleo até o início da década de 1970, enquanto atualmente se tornou um fornecedor secundário.
O Estado venezuelano é o proprietário das reservas de petróleo, conforme estabelecido na primeira Lei do Petróleo da Venezuela, de 1922. Até 1975, empresas estrangeiras privadas eram responsáveis ​​pela extração de petróleo, e o governo venezuelano recebia os royalties e impostos correspondentes . Durante a década de 1960, o aumento dos royalties e impostos afetou negativamente os investimentos, levando à queda da produção de petróleo e, eventualmente, à nacionalização da indústria petrolífera venezuelana em janeiro de 1976. Isso também marcou o início de uma nova fase para a indústria petrolífera na Venezuela, quando uma empresa pública, a Petróleos de Venezuela Sociedad Anónima (PDVSA), foi criada para administrar todo o negócio do petróleo com total autonomia ; não obstante, a produção de petróleo continuou a diminuir até 1985 .
As expectativas positivas em relação à demanda mundial de petróleo a longo prazo no final da década de 1980 e início da década de 1990, bem como o aumento nas estimativas das reservas de petróleo da Venezuela, levaram a PDVSA a apresentar diversas propostas.
Projetos de investimento visavam aumentar consideravelmente a produção de petróleo. No entanto, tais projetos não podiam ser realizados com capital nacional, tornando necessária a criação de joint ventures com empresas estrangeiras. Esse processo foi denominado apertura petrolera . A produção de petróleo bruto quase dobrou de 1985 até o final da década de 1990, atingindo 3.447 kb/d (milhares de barris por dia) em 1998. Contudo, a situação começou a mudar em 1999 com a chegada de Hugo Chávez ao poder e o aumento das tensões entre o novo governo e a PDVSA. A produção de petróleo diminuiu em 1999, oscilou até 2005 e começou a declinar continuamente a partir de 2006. Em 2021 , a produção de petróleo bruto foi estimada em 654 kb/d.
Conforme descrito por Hernández e Monaldi (2016) e Monaldi et al. (2021) , a indústria petrolífera venezuelana é um dos exemplos mais recentes e marcantes de colapso do setor, impulsionado pela falta e atraso de investimentos e pela má gestão. Na Venezuela, não apenas o setor petrolífero entrou em colapso, mas outros setores-chave, como o setor elétrico, sofreram um declínio substancial. León-Vielma et al. (2022) apontam o desinvestimento e a má gestão, bem como o arcabouço institucional, como os principais fatores que levaram ao colapso do setor elétrico na Venezuela.
A Venezuela é um país rentista do petróleo e, portanto, o declínio da indústria petrolífera causou uma queda substancial na renda per capita, com consequências econômicas e sociais dramáticas, desencadeando uma migração sem precedentes.⁵ O fraco crescimento econômico da Venezuela foi amplamente estudado na literatura sobre a doença holandesa e a maldição dos recursos naturais ( Rodríguez e Sachs, 1999 ; Agnani e Iza, 2011 , entre outros). O recente colapso da economia e da sociedade venezuelana não foi abordado pela literatura sobre a doença holandesa e a maldição dos recursos naturais. Jraissati e Jakee (2022) oferecem uma perspectiva distinta, sugerindo que o colapso da economia venezuelana foi predominantemente influenciado por fatores endógenos, e não exógenos.
Este artigo centra-se na produção petrolífera venezuelana, uma vez que esta é o motor da economia e do bem-estar social da Venezuela. Não nos aprofundamos nos detalhes dos eventos que levaram ao colapso da indústria, os quais já foram analisados ​​num artigo recente de Monaldi et al. (2021) .
Sem dúvida, o chavismo, regime político vigente na época, desempenhou um papel significativo no declínio do desempenho da indústria petrolífera venezuelana e em seu eventual colapso. Não houve nenhum choque significativo no mercado mundial de petróleo que pudesse ser considerado um fator comum capaz de afetar negativamente a produção de petróleo de outros países durante o período analisado. Além disso, outros países exportadores com perfis semelhantes apresentaram desempenho relativamente próximo às tendências esperadas, enquanto a produção de petróleo da Venezuela seguiu uma tendência impensável. Ademais, o declínio da produção petrolífera venezuelana não pode ser atribuído ao esgotamento das reservas de petróleo. Pelo contrário, a Venezuela tornou-se o país com as maiores reservas comprovadas de petróleo desde o final da década de 2000. A falta de investimento de capital e a má gestão tendem a explicar o colapso da indústria petrolífera venezuelana, tendo como fatores agravantes a absorção de atividades não petrolíferas pela PDVSA para financiar programas sociais e a ausência de investidores estrangeiros no setor petrolífero devido à incerteza no quadro institucional da Venezuela e, em particular, às mudanças inesperadas na legislação relacionada à indústria petrolífera.
Nossa questão de pesquisa é qual teria sido a trajetória da produção de petróleo da Venezuela se o chavismo tivesse seguido uma política petrolífera convencional. Portanto, a principal contribuição deste artigo é fornecer uma estimativa da perda de produção de petróleo durante o período chavista. Para responder à nossa questão de pesquisa, utilizamos métodos de controle sintético (MCS) para construir um cenário contrafactual da produção de petróleo da Venezuela, uma produção de petróleo “sintética” da Venezuela, a ser comparada com o desempenho real da produção petrolífera venezuelana. O MCS tem sido considerado recentemente como “a inovação mais importante na literatura de avaliação de políticas nos últimos 15 anos” ( Athey e Imbens, 2017 ). Além disso, devido à sua fácil interpretabilidade, o MCS tem sido amplamente aplicado em pesquisas empíricas.
Ao analisar a literatura relevante sobre o Modelo de Custo Social (MCS), Grier e Maynard (2016) e Absher et al. (2020) demonstraram evidências de uma lacuna negativa significativa entre o PIB per capita real da Venezuela e a trajetória sintética do PIB venezuelano desde 1999, ano em que Hugo Chávez assumiu o poder (ou, tecnicamente, o início da era chavista). Grier e Maynard (2016) e Absher et al. (2020) também apresentaram evidências adicionais sobre os efeitos do chavismo em indicadores sociais como taxa de pobreza, saúde, criminalidade , desigualdade e mortalidade infantil. No contexto da indústria petrolífera venezuelana, Jardón et al. (2020) estimaram os efeitos do PetroCaribe nas três dimensões do desenvolvimento sustentável (PIB per capita, índice de desenvolvimento humano emissões de CO2 per capita) para uma amostra de países caribenhos. Além disso, Munasib e Rickman (2015) utilizaram o MCS para avaliar o impacto do boom do gás de xisto e do petróleo de reservatórios compactos nas economias do Arkansas, Dakota do Norte e Pensilvânia; Mais recentemente, Pellegrini et al. (2021) avaliaram o impacto da extração de petróleo sobre indicadores sociais na região da Basilicata, Itália. Na literatura que explora o impacto de perturbações políticas na economia, Suwanprasert (2023) examina as consequências econômicas do golpe militar de 2006 na Tailândia. Utilizando o método de controle sintético, ele constrói um cenário contrafactual da Tailândia sem o golpe. Suas descobertas indicam que não houve mudanças significativas no PIB, na inflação e no desemprego após o golpe. No entanto, observa-se um declínio temporário no consumo como percentual do PIB, juntamente com aumentos nos gastos militares e no turismo internacional no curto prazo. Como mencionado, os artigos relacionados à Venezuela avaliam principalmente o desempenho das variáveis ​​socioeconômicas do país durante o chavismo ou o impacto das exportações e da produção de petróleo sobre essas variáveis. Em contraste, nosso artigo se concentra especificamente no impacto do chavismo na indústria petrolífera venezuelana, particularmente na produção de petróleo bruto. O artigo mais próximo ao nosso encontrado na literatura relevante é o estudo de Reimer et al. (2017) , que avaliaram os efeitos das mudanças nos impostos sobre o petróleo na produção de petróleo e nos poços exploratórios e de desenvolvimento perfurados no Alasca.
O restante do artigo está organizado da seguinte forma: a Seção 2 descreve alguns fatos empíricos relevantes; a Seção 3 apresenta a estratégia empírica; a Seção 4 apresenta os dados e os resultados empíricos; a Seção 5 discute as principais conclusões; a Seção 6 apresenta os testes de robustez; e a Seção 7 conclui e resume as implicações políticas.

2. Fatos empíricos

A Figura 1 mostra a produção de petróleo bruto da Venezuelano período de 1980 a 2021.⁷ Houve um aumento contínuo na produção de petróleo desde meados da década de 1980 até 1998, ano em que Hugo Chávez foi eleito presidente. A linha vertical na Figura 1, referente ao ano de 1999, indica o início do novo regime político.
Em 2001, o governo recém-eleito aprovou uma lei sobre hidrocarbonetos que transformou completamente a PDVSA, de uma empresa pública totalmente autônoma para o desenvolvimento do plano estratégico de petróleo, em uma afiliada subordinada ao Ministério do Petróleo e Minas. De acordo com a nova lei, o Poder Executivo passou a ter a prerrogativa de conceber e desenvolver a estratégia petrolífera. Essa nova lei foi um dos principais fatores que desencadearam a greve do petróleo ocorrida entre o final de 2002 e o início de 2003, com um impacto negativo significativo na produção de petróleo, conforme ilustrado na Figura 1. Após aumentos temporários em 2004 e 2005, a produção de petróleo começou a declinar continuamente em 2006. Como sugerido por Weisbrot e Sachs (2019) , as sanções financeiras iniciadas em agosto de 2017 podem ter agravado o desempenho da indústria petrolífera venezuelana. No entanto, as sanções não poderiam, de forma alguma, explicar o colapso (anterior) da indústria petrolífera da Venezuela, como refutado por Hausmann e Muci (2019) , e como mostra a Fig. 1 , há uma clara mudança na tendência da produção de petróleo, que passou de negativa em 1999 para meados dos anos 2000.
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Figura 1. Produção de petróleo bruto da Venezuela. 1980–2021 .

British Petroleum.
A Figura 2 mostra a produção de petróleo dos principais países da OPEP . Em 1980, com exceção da Arábia Saudita , as diferenças na produção não eram muito grandes entre os demais países, variando de 2.646 kb/d no Iraque a 1.467 kb/d no Irã, sendo a Venezuela o terceiro maior produtor da OPEP. No entanto, ao final do período analisado, a Venezuela é o único país da OPEP que apresentou uma queda drástica na produção de petróleo. Em 1980, a Venezuela representava 8,7% da produção total da OPEP, percentual que caiu para apenas 2,4% em 2021. Atualmente, a Venezuela é o quarto menor produtor da OPEP, produzindo mais petróleo apenas que Congo, Gabão e Guiné Equatorial, todos tradicionalmente considerados pequenos produtores da OPEP.
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Figura 2. Produção de petróleo bruto dos principais países da OPEP. 1980–2021.

British Petroleum.
A Figura 3 mostra as reservas comprovadas dos principais países da OPEP . O esgotamento das reservas não é uma explicação razoável para o desempenho da indústria petrolífera venezuelana desde meados da década de 2000. O caso da Venezuela é chocante, visto que é o país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, precisamente desde o final da década de 2000.
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Figura 3. Reservas de petróleo dos principais países da OPEP. 1980–2021.

British Petroleum.
As condições atuais da indústria petrolífera venezuelana tornaram o país incapaz de reagir para ajustar sua oferta de petróleo, precisamente porque enfrenta uma extrema restrição de capacidade. De fato, a produção de petróleo da Venezuela tem ficado muito abaixo da cota atribuída pela OPEP na última década, o que sugere que a oferta de petróleo do país é extremamente inelástica.

3. Estratégia empírica

Nossa abordagem empírica baseia-se no método de controle sintético (MCS), amplamente utilizado e proposto por Abadie e Gardeazabal (2003) e posteriormente desenvolvido por Abadie et al. (2010 , 2014 ). O MCS permite avaliar o efeito de uma intervenção que, neste estudo, também pode ser considerada uma quebra estrutural causada pela mudança na política petrolífera venezuelana. O objetivo do MCS é obter um contrafactual para a produção de petróleo da Venezuela, a ser comparado com a produção real do país. Seguindo a literatura, denominamos o contrafactual de controle sintético ou, em nosso caso, produção sintética de petróleo da Venezuela. Construímos uma produção sintética de petróleo da Venezuela com dados de um conjunto de países doadores com características semelhantes e não afetados pela intervenção.
Considerara produção de petróleo da Venezuela no ano. Denotea produção de petróleo da Venezuela sem intervenção ea produção de petróleo da Venezuela com intervenção. Assim,é o efeito da intervenção. Considerando que o ano da intervenção é, escrevemos de forma mais formal:Ondeé uma função indicadora que assume o valor 1 sempre quee zero caso contrário. Portanto,para.
O objetivo do SCM é obter o efeito da intervenção () e para isso precisamos estimar, não apenas para o período pós-intervenção, mas também para o período pré-intervenção. Essa é precisamente a vantagem do SCM, que permite construir uma série sintética para todo o período, reproduzindo o mais fielmente possível a série real durante o período pré-intervenção e comportando-se como se a intervenção não tivesse ocorrido. É isso que nos permite avaliar o efeito da intervenção ao longo do tempo, comparandoparapara.
Para estimarNos baseamos em uma amostra de países doadores com características semelhantes às da Venezuela. Vamos lá.a produção de petróleo do paíscom.
Assim, obtemos:Ondeé uma estimativa de,é o peso do paíssatisfatórioe.representa o peso do paísna produção sintética de petróleo da Venezuela. Desdeé desconhecido, precisamos estimá-lo; portanto, precisamos de preditores depara.
Deixarser umvetor contendo os valores dos preditores para a produção de petróleo da Venezuela eummatriz que coleta os valores dos preditores para oprodução de petróleo de países não tratados. Deixeser umMatriz diagonal com diagonal não negativa, onde cada elemento representa a importância dos diferentes preditores.
O vetor de peso ideal é escolhido para minimizar a discrepância entre os preditores da produção de petróleo venezuelana antes do chavismo.e os dos países de controle ponderados de acordo,:
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sujeito a,, e8
Nesse caso,A importância dos preditores é determinada de forma que a trajetória da produção sintética de petróleo da Venezuela antes da era Chávez se assemelhe bastante à trajetória da produção de petróleo da Venezuela antes do chavismo.
Para obter,é necessário. Portanto, para cada potencial, existe um.
Ótimoé escolhido para minimizar o Erro Quadrático Médio de Previsão (MSPE) de
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Em resumo,esão encontrados minimizando as equações 3 e 4.
A escolha do momento da intervenção é crucial. Por vezes, é claramente definida, como em Abadie et al. (2010), uma vez que foi determinada pela aprovação de uma lei. Em Abadie e Gardeazabal (2003) , contudo, o ano da intervenção não foi claramente definido; os autores escolheram 1970, embora as atividades terroristas da ETA tenham começado em 1968. Os autores apresentam argumentos para essa escolha. Por exemplo, isso pode ocorrer quando a intervenção não se dá apenas num ano específico, mas sim como um processo contínuo com um ano de início definido. Enfrentámos um problema semelhante no nosso caso. É sabido que as tensões entre o governo venezuelano e os gestores da indústria petrolífera venezuelana começaram pouco depois da posse do novo governo em 1999. No entanto, foi apenas em 2001 que foi aprovada uma nova lei sobre hidrocarbonetos, a qual foi uma das principais causas dos eventos subsequentes e da eventual queda na produção de petróleo. Outro evento crucial foi a greve na indústria petrolífera que começou no final de 2002 e se estendeu até o início de 2003, com consequências desastrosas para a indústria petrolífera venezuelana e para toda a economia. Milhares de trabalhadores experientes e qualificados, desde os níveis mais baixos até os mais altos, foram demitidos, marcando uma nova era para a PDVSA. Assim, temos três possíveis candidatos para o ano de intervenção: 1999, 2001 e 2003. Em consonância com Grier e Maynard (2016) , escolhemos 1999 com base no fato de que, naquele momento, a relação entre a PDVSA e o governo começou a mudar, apesar de o arcabouço legal e institucional permanecer o mesmo. Na seção de robustez, apresentamos os resultados da seleção de anos alternativos para a intervenção.
Seguindo Abadie e Gardeazabal (2003) , Abadie et al. (2010) , Abadie et al. (2014) e Abadie (2021) , construímos o conjunto de doadores considerando as características da indústria petrolífera da Venezuela. Dado o histórico da Venezuela como importante exportadora de petróleo e membro da OPEP, os principais membros da OPEP são candidatos naturais para o conjunto de doadores. Além disso, considerando geografia , história e cultura, os países produtores e exportadores de petróleo da América Latina e do Caribe constituem um forte subgrupo de potenciais doadores. Ademais, pode haver outros países não membros da OPEP cuja indústria petrolífera apresente características semelhantes à da Venezuela. É importante ressaltar que nosso foco está na indústria petrolífera venezuelana, e não na economia como um todo. Além disso, países com indústrias petrolíferas semelhantes à da Venezuela podem ser diferentes daqueles com PIB per capita semelhante ao da Venezuela. Ademais, o Modelo de Coeficientes de Seleção (SCM) exige um painel equilibrado, o que representa outra restrição para a inclusão de países no conjunto de doadores. Assim, o conjunto de doadores inclui: membros da OPEP (Argélia, Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita , Emirados Árabes Unidos), países da América Latina e do Caribe (Brasil, Colômbia, México e Trinidad e Tobago), América do Norte (Canadá e EUA), Europa (Noruega e Reino Unido), Ásia (Malásia e Indonésia) e Oriente Médio (Catar e Omã). 9 10
O fato de a maioria dos países do grupo de doadores ter apresentado desempenho acima da média permite-nos fazer a suposição usual de que não há interferência entre as unidades, ou seja, os resultados das unidades não tratadas não são afetados pela chegada de Chávez ao poder.
O período da amostra é outra questão que precisa ser cuidadosamente abordada. Como apontado por Abadie (2021) , para que o estimador de controle sintético seja confiável, é necessário dispor de informações suficientes sobre o período pré-intervenção. No entanto, Abadie (2021) também alertou para a possibilidade de quebras estruturais ao se utilizar um período pré-intervenção muito extenso. Portanto, os dados sobre a Venezuela e o conjunto de doadores foram coletados para o período de 1980 a 2021. Assim, o período pré-intervenção compreende os anos de 1980 a 1998. Esse período não coincide com a nacionalização da indústria petrolífera venezuelana, iniciada em 1976 com a criação da empresa estatal de petróleo PDVSA, nem com os primeiros anos desse novo regime. Antes de 1976, a indústria petrolífera venezuelana dependia principalmente de concessões a empresas estrangeiras para a extração de petróleo. Portanto, adicionar informações em excesso, especialmente anteriores a 1976, poderia enviesar a estimativa do controle sintético. Além disso, dados sobre exportações de petróleo estão disponíveis desde 1980. Ademais, desde a década de 1980, o mercado de petróleo começou a mudar drasticamente e a se tornar mais competitivo com a perda da participação de mercado da OPEP. Abadie (2021) também recomenda a obtenção de informações suficientes após a intervenção, especialmente quando se espera que o efeito de uma intervenção surja gradualmente ao longo do tempo, com o objetivo de se ter uma visão mais completa dos efeitos da intervenção ao longo do tempo. Nesta pesquisa, consideramos o período pós-intervenção de 1999 a 2021.
A seleção dos preditores também é de crucial importância. Seguindo Abadie (2021) , consideramos os valores pré-intervenção da produção de petróleo, exportações de petróleo, reservas comprovadas de petróleo, consumo de petróleo, capacidade de refino, capacidade de processamento de refino, plataformas ativas e renda do petróleo como percentual do PIB. As variáveis ​​são calculadas como médias ao longo de um período de dez anos anterior à intervenção, o período de 1989–1998. Na Seção 5, demonstramos a robustez do modelo em relação a preditores adicionais.

4. Dados e resultados da estimativa

Os dados sobre produção, consumo, reservas de petróleo e capacidade de refino provêm da British Petroleum. <sup>11 </sup> Os dados sobre exportações de petróleo e plataformas ativas provêm da OPEP, enquanto os dados sobre as rendas do petróleo como percentagem do PIB são do Banco Mundial.<sup> 12</sup> 13 Examinamos dados para o período de 1980 a 2021.
A Tabela 1 apresenta estatísticas descritivas para as variáveis ​​e países durante o período pré-intervenção de 1980 a 1998. Em termos de produção (consumo) de petróleo, os valores médios variaram de 156,74 (26,69) mil barris por dia para Trinidad Tobago a 9.353,08 (16.908) para os Estados Unidos, com a Venezuela apresentando uma média de 2.371,18 (439,97) mil barris por dia, valor acima (abaixo) da média da amostra total, que é de 2.172,57 (1.475,93) mil barris por dia. Quanto às exportações de petróleo, os valores médios variaram de 3,22 mil barris por dia para o Brasil a 5.278,75 para a Arábia Saudita, enquanto a Venezuela exportou uma média de 1.362,48 mil barris por dia. As reservas médias de petróleo variaram bastante, com Trinidad e Tobago apresentando a menor reserva, com 0,61 bilhão de barris, e a Arábia Saudita a maior, com 222,05 bilhões de barris. A Venezuela teve uma média de 53,12 bilhões de barris em reservas. Em relação à capacidade de refino (produção), a variação foi de 53,00 (41,84) mil barris por dia no Catar a 15.951,47 (13.210,11) mil barris por dia nos Estados Unidos, sendo que a Venezuela apresentou uma capacidade média de 1.232,58 (981,20) mil barris por dia. Quanto ao número de plataformas de perfuração ativas, os países apresentaram variações, com o Catar registrando a menor média, de 5,41, e os Estados Unidos a maior, com 1.297,59. A Venezuela teve uma média de 54,41 plataformas de perfuração ativas durante esse período. Por fim, em relação à renda do petróleo como percentual do PIB, os valores variaram de 0,75% para o Brasil a 37,04% para Omã, enquanto a Venezuela teve uma média de 17,14% do seu PIB proveniente da renda do petróleo.

Tabela 1. Estatísticas resumidas. Período pré-intervenção: 1980–1998.

Célula vaziaProdução de petróleoConsumo de petróleoexportações de petróleoreservas de petróleoCapacidade de referênciaRef. Capacidade Tp.Plataformas ativasRendas petrolíferas/PIB
Célula vazia(kb/d)(kb/d)(kb/d)(bbl)(kb/d)(kb/d)(unidades)(%)
Célula vaziaSignificarSDSignificarSDSignificarSDSignificarSDSignificarSDSignificarSDSignificarSDSignificarSD
Argélia1238,91141,68180,3927.04336,19130,839,400,90435,892,87395,5249,7833,4715,8614,505,67
Brasil585,21213,281294,08252,963.226,363,842.051470,52104,501182,55126,9741.1226,350,750,39
Canadá2027,36326,591820,28122,14598,56293,2942,673,831899,67113,221523.21137,88261,18100,521,621.09
Colômbia385,16194,59211,2942,90154,31134,571,920,93239,4735,54221,7739,7415,883.032,971.02
Indonésia1509,6896,82632,86200,75916,54163,037,422,51778,70199,99712.11154,7654,1817:358.215,59
Irã2863,54844,88955,44245,221983,75618,9581,8117.041217,95179,50908.10342,0722,828,4318,587,34
Iraque1397,16868,45330,99152,07971,08805.0885,5325,97590,21131,66361,3486,1726,715,8428.1014,49
Kuwait1428,37558,98119,4229,68838,54365,9689,7211,89710,37140,63581,71229,905,712,7135,5111.11
Malásia543,47154,79271,65112,64373,8674,822.190,64257,0086,33209,5690,399,533,546,573.03
México2973,68298,761520,62242,921511,65209,8533,9810,781391,53130,481220,9886,93106,9463,185,603.04
Noruega1686,471009,57194,5710,821394,47898,667,892,77266,6830,91208,2262,3213,653.144,761,58
Omã633,42208,8838.0316.12583,03183,794,300,8364,7425,9049,2723,7915.414.2137,048,00
Catar439,03113,6830,2311,90342,3280,514,732,9753,0018.0741,8422,705.413,7335,1811.22
Arábia Saudita7407,782185,371099,29252,025278,752059.17222,0546,441477,90369,751294,95388,5615,948.1433,9511,86
Trinidad e Tobago156,7420,8126,695.4181,1918,630,610,06296,8467,31113,8339,266,412,6213,526.09
Estados Unidos9353,08888,9716908,001028,21149,2655,9133,242,8115951,47916,8913210.11924,861297,59738,940,840,77
Emirados Árabes Unidos1914,00522,97267,44114,261594,73397,8877,1731,45188,6856,09172,5765,3620.189,9223,327,36
Reino Unido2364,56383,761701,3796,001348,35273,235,391,361952.58242,351552,89145,0941,2414,931.120,84
Venezuela2371,18533,39439,9727,831362,48440,9053,1219.101232,5823.10981,2080,1054,4125,9117.146,49
Amostra total2172,572406,431475,933698,191043,281293,3440,3755,371603,983448,001312,722863,84107,78331,8115.1014,61
kb/d: Mil barris por dia.
bbl: Mil milhões de barris.
Fontes: British Petroleum, OPEP e Banco Mundial.

Tabela 2. Médias dos preditores de produção de petróleo.

VariáveisVenezuelaSintéticoV(diagonal)Média de
Célula vaziaCélula vaziaVenezuelaCélula vazia18 controle
Célula vaziaCélula vaziaCélula vaziaCélula vaziapaíses
Produção de petróleo (kb/d)2746,442743,650,172352,62
Consumo de petróleo (kb/d)449,40868,4701646,64
Exportações de petróleo (kb/d)1652,631633,2201155,67
Reservas de petróleo (barris)66,4466,360,6644,92
Capacidade de refino (kb/d)1216,201131,4901639,19
Capacidade de processamento da refinaria (kb/d)1033,72982,6901439,61
Plataformas ativas (unidades)70,6070,530,1782,93
Percentagem da receita petrolífera no PIB (%)17.2714,41013,68
A Tabela 2 mostra os valores médios das características de pré-tratamento para a Venezuela, a Venezuela sintética e a média dos 18 países do grupo de doadores. De modo geral, a Venezuela sintética apresenta uma correspondência muito melhor com a Venezuela do que a média do grupo de doadores. A produção média de petróleo, as reservas de petróleo e as plataformas de perfuração ativas no período de 1989 a 1998 são os principais preditores para o controle sintético.
A Tabela 3 apresenta os pesos dos países no grupo de doadores. Os pesos estimados indicam que a produção de petróleo da Venezuela antes da chegada de Hugo Chávez em 1999 é melhor reproduzida por uma combinação das produções de petróleo da Argélia, Canadá, Kuwait, Noruega, Arábia Saudita e Reino Unido. Os países da OPEP e os países ocidentais de alta renda têm pesos semelhantes. Esse resultado não é surpreendente, visto que a Venezuela é um país da OPEP cuja indústria petrolífera herdou as habilidades gerenciais das empresas estrangeiras após a nacionalização em 1976. Durante o período anterior ao tratamento , a PDVSA era administrada de forma autônoma e era vista como um exemplo de grande empresa estatal.
A Figura 4 mostra a trajetória da produção de petróleo bruto da Venezuela sintética em comparação com a produção real de petróleo bruto da Venezuela no período de 1980 a 2021. A inspeção visual mostra que a produção de petróleo da Venezuela sintética acompanha de perto a trajetória do valor real dessa variável no período pré-chavismo. Parece que o modelo de produção sintética (SCM) fornece uma aproximação razoável da produção real de petróleo da Venezuela no período de 1980 a 1998.
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Figura 4. Produção de petróleo bruto: Venezuela vs. Venezuela sintética. 1980–2021.

Tabela 3. Ponderação dos países.

PaísPeso
Argélia0,13
Brasil0
Canadá0,23
Colômbia0
Indonésia0
Irã0
Iraque0
Kuwait0,24
Malásia0
México0
Noruega0,16
Omã0
Catar0
Arábia Saudita0,12
Trinidad e Tobago0
Estados Unidos0
Emirados Árabes Unidos0
Reino Unido0,12
Harvey e Thiele (2021) afirmam que, quando a variável alvo não é estacionária, como neste caso, um controle sintético é considerado válido se, na ausência de intervenção, a diferença entre o controle sintético e a variável real for estacionária; caso contrário, resultaria na presença espúria de uma tendência estocástica no efeito da intervenção. Harvey e Thiele (2021) recomendam o teste KPSS para verificar a estacionariedade da diferença entre a variável alvo (Venezuela real) e o controle sintético (Venezuela sintética ) durante o período pré-intervenção e mostram que o teste é útil mesmo em amostras pequenas. Realizamos o teste e obtivemos uma estatística KPSS de 0,071, o que sugere a não rejeição da hipótese nula de cointegração em qualquer nível de significância convencional.
A Figura 4 também mostra que, em 1999, a produção sintética e a produção real de petróleo da Venezuela apresentavam valores muito semelhantes. No entanto, a partir desse ano, a produção sintética de petróleo da Venezuela foi superior à produção real durante todo o período pós-intervenção. Até o final da década de 2000, ambas as séries seguiram uma tendência similar, com uma diferença relativamente constante. Surpreendentemente, a partir de 2010, as duas séries passaram a apresentar tendências divergentes. A produção sintética de petróleo da Venezuela apresentou uma tendência positiva, enquanto a produção real apresentou uma tendência negativa, aumentando substancialmente a diferença ao longo do tempo. A desaceleração econômica nas economias desenvolvidas, iniciada em meados da década de 2000 e que culminou na crise financeira mundial de 2007-2008, causou uma queda na demanda por petróleo, afetando todos os países exportadores desde meados da década de 2000 até o final da década. Portanto, era esperado que o controle sintético também apresentasse uma tendência negativa durante a desaceleração econômica. Assim que os principais países desenvolvidos retomaram o crescimento econômico em 2010, a demanda por petróleo voltou a aumentar e, consequentemente, a produção e as exportações de petróleo cresceram na maioria dos países produtores. No entanto, foi no início da década de 2010 que a produção real de petróleo da Venezuela e a produção sintética da Venezuela começaram a divergir, justamente porque os países com pesos positivos na produção sintética responderam positivamente ao aumento da demanda por petróleo. É possível que a desaceleração econômica global e as crises financeiras tenham mascarado as fortes limitações de capacidade da Venezuela e sua tendência negativa na produção de petróleo, o que poderia ser atribuído mais à política petrolífera interna do que a fatores externos.
A Figura 5 apresenta as estimativas anuais do impacto da chegada de Hugo Chávez ao poder na indústria petrolífera da Venezuela. Ela mostra as diferenças anuais na produção de petróleo bruto entre a Venezuela e sua contraparte sintética. Por um lado, a Figura 5 mostra que, durante o período pré-intervenção, a produção real de petróleo bruto da Venezuela flutua, em média anual, em torno da produção da Venezuela sintética, em cerca de 100 kb/d. Por outro lado, a Figura 5 sugere que a chegada de Chávez ao poder teve um grande efeito negativo na produção de petróleo bruto da Venezuela, e esse efeito tem aumentado ao longo do tempo. A magnitude do impacto estimado do chavismo é substancial. Os resultados sugerem que, para todo o período de 1999 a 2021, a produção de petróleo bruto foi reduzida, em média, em cerca de 1 milhão de barris por dia, o que significa cerca de 30% a menos a cada ano em relação à produção de petróleo bruto em 1998. Esse valor é aproximadamente equivalente à produção média anual de petróleo da Indonésia durante o período pós-intervenção.
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Figura 5. Efeito da intervenção: Déficit na produção de petróleo bruto.

Dada a dependência da renda per capita venezuelana na produção de petróleo, nossos resultados estão alinhados com estudos anteriores, como Grier e Maynard (2016) e Absher et al. (2020) , que descobriram que em meados da década de 2010, a renda per capita da Venezuela era 30% menor do que a de seu controle sintético.
Uma linha adicional foi adicionada à Figura 5 para o ano de 2017, quando sanções financeiras foram impostas ao governo venezuelano. Poderíamos pensar que as sanções exacerbaram o colapso da produção de petróleo da Venezuela, visto que a inclinação a partir de 2017 é ainda mais acentuada do que no período de 2015-2016. No entanto, a Figura 5 sugere que, mesmo sem as sanções financeiras, a produção de petróleo da Venezuela teria eventualmente entrado em colapso.

5. Discussão

Existem razões complexas por trás da crescente discrepância entre a produção sintética de petróleo da Venezuela e a produção real do país. Como discutido anteriormente, mal Chávez havia assumido o cargo, as tensões entre a PDVSA e o governo começaram. O primeiro ano de governo testemunhou a destituição do CEO da PDVSA, oriundo do governo anterior, algo inédito. Os apoiadores do novo governo substituíram os altos escalões da administração. A nova lei de hidrocarbonetos de 2001 garantiu à PDVSA a participação majoritária nas joint ventures criadas com a abertura do setor ao capital privado na década de 1990. Além disso, o governo adotou uma postura mais agressiva em relação à PDVSA, que perdeu a pouca autonomia que lhe restava após a greve dos petrolíferos em 2003, quando o governo acabou por assumir o controle total da empresa. A companhia petrolífera nacional, que gozava de total autonomia desde sua criação em 1976 até 1999, passou a integrar o Poder Executivo a partir de 2003.
Foi precisamente depois de 2003 que o governo iniciou os conhecidos programas sociais , as "missões" , com recursos extraídos da PDVSA e provavelmente em detrimento do investimento de capital na indústria petrolífera.
Em 2005, o governo venezuelano lançou um novo plano de investimentos chamado Plano “Siembra Petrolera” (Plano de Semeadura de Petróleo), com uma perspectiva de longo prazo incomum até 2030 e uma projeção de médio prazo de 5,4 milhões de barris por dia (mb/d) até 2012.<sup> 15</sup> O valor real da produção de petróleo naquele ano foi cerca de metade da projeção. Em 2006, uma nova lei sobre hidrocarbonetos foi aprovada, alterando as regras para empresas privadas estrangeiras estabelecidas desde o final da década de 1990, durante a abertura petrolífera . As empresas estrangeiras foram obrigadas a participar de um novo modelo de colaboração, pelo qual a PDVSA deteria pelo menos 51% da propriedade e assumiria o controle operacional dos campos de petróleo. A ConocoPhillips e a ExxonMobil não aceitaram o novo modelo de associação e iniciaram processos judiciais em tribunais de arbitragem internacional.<sup> 16</sup> O governo venezuelano denominou intencionalmente esse processo como a nacionalização da indústria petrolífera. Além disso, em 2005, a Lei do Banco Central da Venezuela foi modificada para eliminar a obrigação da PDVSA de vender 100% de sua receita em moeda estrangeira ao Banco Central ( Vera, 2015 ). Assim, a PDVSA, agora administrada diretamente pelo governo central, teria plena discricionariedade para usar as receitas em dólares em suas despesas extraorçamentárias, para financiar, por exemplo, as missões . Ademais, a nova lei também removeu as restrições que limitavam o financiamento da PDVSA em moeda nacional pelo Banco Central ( Monaldi et al., 2021 ) e estabeleceu um nível ótimo para as reservas internacionais . Portanto, sempre que as reservas internacionais estiverem acima do nível ótimo, o excedente é alocado à PDVSA para o financiamento de programas sociais e outras despesas.
Em relação às exportações de petróleo, a partir de 2005, o governo venezuelano começou a substituir os clientes tradicionais por novos, reorientando assim suas exportações para países como China, Índia e outras nações politicamente aliadas, em detrimento das exportações para os EUA. <sup>17</sup> Uma parte substancial dessa nova política de exportação consistiu na troca de petróleo por bens com diversos países ao redor do mundo; o PetroCaribe talvez seja o exemplo mais representativo dessa política.<sup> 18 </sup> Além disso, novas concessões de investimento para o setor privado foram, em sua maioria, alocadas discricionáriamente a empresas da China, Rússia, Irã e Índia ( Monaldi et al., 2021 ).
Com o aumento significativo dos preços do petróleo em 2008, o governo introduziu impostos adicionais sobre a atividade petrolífera, sendo o mais importante o Imposto sobre Lucros Extraordinários (WPT, na sigla em inglês). Essa lei estabeleceu uma alíquota variável, dependendo da diferença entre os preços de mercado do petróleo e um preço de referência fixado no orçamento nacional anual. O governo estimou um preço do petróleo para o orçamento nacional suficientemente baixo para permitir uma arrecadação maior de impostos , reduzindo ainda mais os recursos disponíveis para investimento na indústria petrolífera.
Hernández e Monaldi (2016) , utilizando dados dos Relatórios de Gestão da PDVSA durante o período de 2010 a 2015, constataram que os investimentos totais da PDVSA foram de 20% a 30% inferiores ao investimento projetado, com exceção dos anos de 2011 e 2012. Hernández e Monaldi (2016) também constataram que, além do desvio significativo em relação ao plano de investimento em petróleo, a composição do investimento mudou em favor de projetos não petrolíferos e em consonância com o novo papel atribuído à PDVSA como fornecedora de produtos agrícolas, bens alimentares, usinas elétricas, etc. 19
Conforme apontado por Weisbrot e Sachs (2019) , em agosto de 2017, sanções financeiras proibiram o governo venezuelano de contrair empréstimos nos mercados financeiros dos EUA. Em janeiro de 2019, sanções foram impostas à indústria petrolífera, proibindo as importações de petróleo venezuelano pelos EUA. Além disso, bilhões de dólares em ativos venezuelanos também foram congelados em diversos países ocidentais. As sanções podem, de fato, ter ampliado a discrepância entre a produção sintética de petróleo da Venezuela e a produção real do país. Contudo, a queda na produção e o aumento dessa discrepância remontam ao final da década de 2000.

6. Verificações de robustez

6.1 Teste placebo no espaço

A Figura 6 mostra os resultados do teste placebo. As linhas cinzentas representam a diferença na produção de petróleo bruto dos 18 países do grupo de doadores. A linha preta sobreposta indica a diferença estimada para a Venezuela. A Figura 6 sugere que a diferença estimada para a Venezuela durante o período de 1999 a 2021 é excepcionalmente grande em relação à distribuição das diferenças para os países do grupo de doadores.

6.2 Teste placebo em tempo real

Argumentamos que o controle sintético não é tendencioso em relação à indústria petrolífera venezuelana , dada a iminente participação de Hugo Chávez nas eleições de 1998. Contudo, retrocedemos a data da intervenção em três anos. Em 1996, foi publicada a “Agenda Alternativa Bolivariana” com o intuito de enviar uma mensagem clara sobre a participação de Hugo Chávez nas eleições de 1998.
Apesar das ideias revolucionárias da “Agenda Alternativa Bolivariana” e dos discursos apaixonados de Chávez durante o período de 1994 a 1998, os venezuelanos, e particularmente a indústria petrolífera, não anteciparam sua economia política, como mostra a Figura 7, na qual o ano da intervenção é 1996.
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Figura 7. Produção de petróleo bruto: Venezuela vs. Venezuela sintética. 1980–2021. Retrocedendo o ano de intervenção para 1996.

Conforme mencionado anteriormente, havia outros dois anos possíveis como candidatos para o ano de intervenção. A Figura 8 mostra os resultados ao selecionar 2003 como o ano de intervenção, o que também corrobora nossa seleção de 1999 como o ano de intervenção. 20
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Figura 8. Produção de petróleo bruto: Venezuela vs. Venezuela sintética. 1980–2021. Definindo o ano de intervenção como 2003.

6.3 Teste de exclusão de um elemento (LOO)

Este teste permite avaliar a sensibilidade dos principais resultados a alterações nos pesos dos países. A ideia é fornecer evidências de que nenhum país específico com peso positivo na Tabela 3 influencia os resultados. Portanto, o modelo de base é reestimado iterativamente para construir uma Venezuela sintética, excluindo em cada iteração um dos países com peso positivo na Tabela 3. A Figura 9 mostra que os resultados são bastante robustos.
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Figura 9. Produção de petróleo bruto: teste de exclusão de um (LOO). 1980–2021.

6.4 Incluindo preditores adicionais

As indústrias de gás e petróleo estão altamente interligadas. Muitos países produtores de petróleo também são importantes fornecedores de gás. Portanto, para avaliar a robustez dos nossos resultados, incluímos os seguintes preditores adicionais relacionados à indústria de gás: produção de gás, consumo de gás e reservas de gás. A Figura 10 mostra os resultados; não se observam diferenças significativas em relação aos resultados principais. Como esperado, os países doadores e os preditores com pesos positivos sofreram alterações. No entanto, Canadá, Kuwait, Noruega e Arábia Saudita ainda representam cerca de 65% e as variáveis ​​produção de petróleo, reservas de petróleo e plataformas ativas representam 70%.
Ampliamos também a lista de preditores para incluir os fluxos líquidos de IED como percentagem do PIB, a produção de eletricidade a partir de fontes petrolíferas como percentagem da produção total de eletricidade e as exportações de combustíveis como percentagem das exportações totais de mercadorias. <sup> 21 </sup> A Figura 11 apresenta os resultados, que não mostram diferenças significativas em relação às principais conclusões. Os países doadores com pesos positivos permanecem praticamente inalterados, com a Argélia, o Canadá, o Kuwait, a Noruega, a Arábia Saudita e o Reino Unido a representarem ainda cerca de 94% dos pesos. Alterações mais notáveis ​​ocorrem entre os preditores com pesos positivos, em que a produção de petróleo, as exportações de petróleo e a capacidade de processamento das refinarias representam, em conjunto, aproximadamente 100%.
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Figura 10. Produção de petróleo bruto: Venezuela vs. Venezuela sintética. 1980–2021. Introduzindo variáveis ​​adicionais.

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Figura 11. Produção de petróleo bruto: Venezuela vs. Venezuela sintética. 1980–2021. Introduzindo variáveis ​​adicionais (IDE e outras).

7. Conclusão e implicações políticas

Este artigo quantifica a perda na produção de petróleo bruto na Venezuela desde que Hugo Chávez assumiu o poder em 1999. Utilizamos o Método de Controle Sintético para estimar a produção de petróleo de uma Venezuela sintética, a ser comparada com a produção real da Venezuela. Variáveis ​​relacionadas à atividade da indústria petrolífera são utilizadas como preditores, juntamente com os valores históricos da produção de petróleo. Os países doadores incluem uma ampla amostra de países exportadores de petróleo, tanto membros da OPEP quanto não membros. Demonstramos que, entre 1999 e 2021, a produção de petróleo da Venezuela sintética superou a produção real da Venezuela. Nossos resultados são robustos à introdução de variáveis ​​adicionais, testes placebo no espaço e no tempo, e ao teste de validação cruzada leave-one-out. Um cálculo aproximado sugere que, em média, a perda na produção de petróleo bruto foi de cerca de 1 milhão de barris por dia durante o chavismo (1999-2021).
Os resultados sugerem dois fatores-chave para o colapso da produção de petróleo venezuelana: a má gestão da indústria petrolífera e a falta de investimento durante o chavismo. Um quadro institucional incerto que desencoraja políticas eficazes e a diminuição do investimento físico, juntamente com uma tomada de decisão discricionária sem precedentes , colocaram a Venezuela entre os quatro menores produtores de petróleo bruto da OPEP nos últimos anos.
Este estudo sugere que o colapso da indústria petrolífera venezuelana não foi causado pela contração da economia global nem pelo declínio das reservas de petróleo do país. Pelo contrário, o petróleo continua sendo uma importante commodity com alta demanda, e a Venezuela é o país com as maiores reservas comprovadas. A literatura pertinente sugere que o colapso da indústria petrolífera se deve a uma mudança estrutural na política petrolífera interna, e nossos resultados corroboram essa hipótese. Argumentamos que a empresa petrolífera venezuelana, antes administrada de forma autônoma com base em critérios de mercado, tornou-se altamente politizada e a serviço do governo. Um fator determinante para a recuperação do setor petrolífero venezuelano é o investimento de capital, particularmente o capital estrangeiro. Para atrair capital estrangeiro, a legislação petrolífera venezuelana precisa ser alterada, estabelecendo regras claras e confiáveis ​​para investimentos de longo prazo e redefinindo a relação da indústria petrolífera com o restante do setor público venezuelano.
É possível que ainda existam algumas estruturas remanescentes da antiga indústria petrolífera que possam servir de base para a revitalização do setor. Além disso, a experiência da Petrobras, a estatal petrolífera brasileira, poderia ser útil para orientar as mudanças gerenciais necessárias. O capital humano é outro aspecto que precisa ser abordado. Embora milhares de trabalhadores qualificados que emigraram possam estar dispostos a retornar, assim como ocorre com a atração de Investimento Estrangeiro Direto (IED), esses trabalhadores podem retornar se vislumbrarem uma perspectiva positiva a longo prazo. Ademais, em uma nova era baseada na eficiência, o mercado interno de gasolina precisaria ser menos subsidiado ou até mesmo totalmente liberalizado.

Declaração de contribuição de autoria CRediT

Henry Aray: Conceitualização, Curadoria de dados, Análise formal, Obtenção de financiamento, Investigação, Metodologia, Administração do projeto, Recursos, Software, Supervisão, Validação, Visualização, Redação – rascunho original, Redação – revisão e edição. David Vera: Conceitualização, Curadoria de dados, Análise formal, Investigação, Metodologia, Administração do projeto, Recursos, Software, Supervisão, Validação, Visualização, Redação – rascunho original, Redação – revisão e edição.

Declaração de conflito de interesses

Os autores declaram não possuir quaisquer interesses financeiros ou relações pessoais que possam ter influenciado o trabalho apresentado neste artigo.

Agradecimentos

Reconhecemos com gratidão o apoio financeiro recebido por Henry Aray da Junta de Andalucía (PAIDI 2020, número de concessão P20.00691 ), do Programa Operativo FEDER de Andalucía 2014–2020 (número de concessão B-SEJ-544-UGR20 ), do Programa Operativo FEDER de Andalucía 2021–2027 (número de concessão C-SEJ-195-UGR23 ) e o Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência da Espanha (Ajuda para a recualificação do sistema universitário espanhol) . Os autores agradecem aos pareceristas anônimos pelos comentários úteis. Financiamento para taxa de acesso aberto: Universidade de Granada/CBUA.

Referências

1
Manzano e Monaldi (2008) listam as seguintes características da indústria petrolífera: rendas importantes, grandes investimentos irrecuperáveis, alta proporção de reservas de petróleo concentradas em países com instituições frágeis e altos riscos políticos; além disso, os produtos petrolíferos são bens de consumo massivo, politicamente relevantes e têm alta volatilidade de preços.
2
Fatores relacionados ao cumprimento das quotas da OPEP e às reservas de petróleo da Venezuela, inferiores às de outros países da OPEP, foram determinantes para essa queda.
3
A abertura da indústria petrolífera da Venezuela a empresas privadas. Detalhes sobre isso podem ser encontrados em Giusti (1999) e, mais recentemente, em Monaldi et al. (2021) .
4
Acredita-se que as sanções dos EUA de 2017 tenham exacerbado a queda, conforme sugerido por Weisbrot e Sachs (2019) .
5
Consulte o Relatório Mundial de Direitos Humanos de 2022 da Human Rights Watch em https://www.hrw.org/world-report/2022/country-chapters/Venezuela e o da Agência da ONU para Refugiados em https://www.unhcr.org/venezuela-emergency.html .
6
O PetroCaribe é um acordo de cooperação petrolífera estabelecido em 2005 entre a Venezuela e países do Caribe. Seu objetivo é facilitar o fornecimento de petróleo bruto subsidiado ou a troca de petróleo bruto por outros produtos, atendendo assim às necessidades energéticas das nações participantes.
7
A próxima seção apresenta os motivos pelos quais nos concentramos no período de 1980 a 2021, a seleção dos países e as variáveis ​​incluídas na estimativa.
8
As restrições aos elementos deevitar extrapolações fora do suporte dos preditores de crescimento dos países de controle ( Abadie e Gardeazabal, 2003 , Abadie et al., 2010 , Abadie et al., 2014 ).
9
Desde meados da década de 2010, os Estados Unidos emergiram como um importante exportador de petróleo.
10
Angola, Líbia, Nigéria, Equador, Rússia e Cazaquistão também podem ser bons candidatos para o grupo de doadores. No entanto, não havia dados disponíveis para alguns dos fatores preditivos.
11
12
Fonte de dados da OPEP: https://asb.opec.org/data/ASB_Data.php Baixado em agostoe 2022.
13
Fonte de dados do Banco Mundial: https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PETR.RT.ZS Baixado em agostoe 2022.
14
Harvey e Thiele (2021) enfatizam que, embora a abordagem de controle sintético não exija que as séries temporais dos doadores sigam a mesma trajetória de crescimento que a do alvo, os doadores com séries temporais não estacionárias devem compartilhar tendências comuns com o alvo. Eles sugeriram que a validade de um potencial doador pode ser avaliada pelo teste de estacionariedade KPSS, que compara a diferença entre ele e o alvo. O principal valor dos testes é fornecer uma ordenação dos potenciais candidatos em termos de sua provável validade. Realizamos o teste e constatamos que a maior parte da produção de petróleo dos doadores com pesos positivos compartilha tendências comuns com a produção de petróleo da Venezuela durante o período pré-intervenção. Os resultados estão disponíveis mediante solicitação. Agradecemos ao revisor por destacar a importância de se considerar a estacionariedade em nossa aplicação do método de controle sintético.
15
Esse plano também subsidiava gasolina para localidades pobres nos EUA por meio da refinaria venezuelana Citgo.
16
Em 2018, a Conoco Phillips tinha direito a mais de 2 mil milhões de dólares da PDVSA e podia procurar autorização legal para confiscar ativos pertencentes à PDVSA no estrangeiro ( Krauss, 2018 ).
17
Em 2007, a China e a Venezuela criaram um fundo conjunto com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) desempenhando um papel fundamental. O CDB emprestaria dinheiro ao governo venezuelano em troca da compra de petróleo e equipamentos de empresas chinesas ( Wang e Li, 2016 ).
18
19
Omitimos questões relacionadas ao sistema cambial da Venezuela, o que complicou ainda mais as operações financeiras da PDVSA.
20
Essa conclusão também se mantém mesmo alterando a intervenção para o ano de 2001.
21
As fontes para as variáveis ​​adicionais são o Fundo Monetário Internacional, a Agência Internacional de Energia e o Banco Mundial, respectivamente. Agradecemos ao revisor anônimo por esta sugestão.

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