Explicando e avaliando cada argumento a favor da existência de Deus Virtus 22 mil inscritos Seja membro Inscrever-se 17 mil Compartilhar Download Valeu - Vídeo do Youtube

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No vídeo de hoje, vou explicar e avaliar

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os principais argumentos que defendem a

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existência de Deus, mas sem deixar de

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analisar os contraargumentos. Primeiro

Argumento Ontológico

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vamos analisar o argumento ontológico.

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Pensado por Anselmo no século X, a ideia

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do argumento ontológico é a seguinte:

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Deus, por definição, tanto para teístas

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tanto para teus, seria aquele do qual

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nada maior pode ser concebido. Em outras

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palavras, Deus é o ser mais perfeito que

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se pode imaginar. E Anselmo conclui que

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esse ser precisa existir, porque se ele

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não existisse, já não seria o maior que

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se pode conceber. Um Deus imaginário,

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por mais perfeito que pareça, seria

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inferior a um Deus real. Então, se

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conseguimos imaginar esse ser

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absolutamente perfeito, ele tem que

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existir ou não seria realmente perfeito.

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É um pouco confuso, então vou trazer

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isso para um exemplo mais simples.

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Existir na realidade é maior que existir

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apenas na imaginação, certo? Obviamente,

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por exemplo, R 1 milhãoais na vida real

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é melhor que 1 milhão na imaginação.

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Então imagine que você pensa em um ser

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perfeito em todos os aspectos. Ele é

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eterno, onisciente, onipotente e

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moralmente impecável. Agora reflita. Se

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ele existir só na sua cabeça, ele seria

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menos perfeito do que se existisse de

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verdade. E se é menos perfeito, então

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não é o ser mais perfeito que se pode

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imaginar, Deus. Ou seja, o próprio

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conceito de Deus já exigiria sua

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existência. Mas esse raciocínio, apesar

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de ser elegante, recebeu várias críticas

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ao longo da história. A mais famosa veio

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de Manuel Kant. Kant dizia que o erro do

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argumento está em tratar a existência

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como uma qualidade. Por exemplo, imagine

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que estou descrevendo algo. Um planeta

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perfeito para a vida, bonito e em

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formato de Fiatuno. E agora eu digo,

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esse planeta existe. Segundo o Kant, a

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existência não está dentro da descrição

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do planeta. Ela não é uma característica

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dele como couro. Ela apenas afirma que

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algo com aquelas características existe

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na realidade. Ou seja, existir não é uma

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qualidade que torna o ser mais perfeito.

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É apenas o fato de estar ou não na

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realidade. Então, para ele, pensar em um

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ser perfeito e depois dizer logo ele

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existe é dar um salto sem muitas

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justificativas. É como se eu dissesse:

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"Imagine a ilha mais perfeita possível".

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Nessa ilha, tudo é lindo, perfeito e

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equilibrado. E como ela é a mais

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perfeita possível, ela tem que existir.

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Ninguém aceitaria isso como uma prova

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real da existência da ilha. Apesar das

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críticas, o argumento ontológico

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continua sendo debatido até hoje. A

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maioria dos pensadores contemporâneos o

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respeita como exercício de raciocínio

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profundo, mas poucos o consideram uma

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prova concreta para a existência de

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Deus. Então, podemos reconhecer que o

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argumento ontológico até que é bom. A

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questão é que ele não convence ninguém

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um pouco mais questionador e que sempre

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vai além nas perguntas. Então, apesar de

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respeitar bastante a ideia desse

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argumento que não deixa de ser

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interessante, vou ter que classificá-lo

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como só funciona para quem já crê,

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porque mesmo sendo interessante, não se

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sustenta por muito tempo diante dos

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contraargumentos.

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Vamos falar agora sobre o ajuste fino do

Ajuste Fino

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universo. Esses números na sua tela são

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as constantes fundamentais da natureza,

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valores fixos que governam as leis da

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física.

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Para ficar mais fácil de imaginar, vou

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pôr na tela uma animação que encontrei

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no YouTube. Do nível das galáxias e

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estrelas até os átomos e partículas

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subatômicas, toda a estrutura do

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universo depende de números exatos. E o

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que a ciência descobriu é

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impressionante. Cada um desses números

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parece ter sido ajustado com uma

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precisão absurda. Precisão essa que se

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enquadra perfeitamente em uma faixa

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estreita que permite a existência de

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vida. E se um desses números fosse

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movidos 1 mil sequer, a vida seria

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impossível. Nenhuma vida física

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interativa poderia existir. Pega, por

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exemplo, a força gravitacional. Ela é

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definida por um número fixo, a constante

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gravitacional. Se esse número fosse

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alterado em apenas uma parte, em um

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seguido de 60 zeros, ou seja, uma

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variação mínima menor que um fio de

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cabelo em relação universo, nenhum de

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nós estaria aqui. Para entender o quão

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estreita essa faixa que permite a vida

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é, imagine um mostrador dividido em

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incrementos de um seguido de 60 zeros.

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Para ter ideia do quão pouco é, compare

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isso com o número de células do seu

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corpo ou com o número de segundos que

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passou desde que o tempo começou. Se a

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constante gravitacional tivesse

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minúsculamente desafinada nesses

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estreitos infinitamente pequenos, o

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universo teria se expandido e se diluído

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tão rápido que nenhuma estrela poderia

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formar e nenhuma vida poderia existir.

4:40

Ou considere também a constante

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cosmológica que controla a expansão do

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universo. Se ela variasse por apenas uma

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parte em um seguido de 120 zeros, o

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universo expandiria rápido demais ou

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rápido de menos. Em ambos os casos, a

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vida seria impossível. Essas não são

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estimativas religiosas, são dados à

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cosmologia moderna. A vida só é possível

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porque essas constantes e forças,

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dezenas delas, foram calibradas com uma

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precisão quase impossível de acontecer

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ao acaso. E isso levanta a pergunta

5:10

inevitável:

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Existem três explicações possíveis.

5:15

necessidade da física. Ou seja, o

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universo tinha que ser assim, não havia

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outra possibilidade. Por acaso,

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aconteceu por sorte, nós somos apenas o

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resultado improvável de uma loteria

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cósmica ou o projeto intencional. Alguém

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ajustou? A primeira opção não se

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sustenta. Nada nas leis da física obriga

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essas constantes a terem os valores que

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elas têm. Elas poderiam sim ser

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diferentes e a esmagadora maioria dessas

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variações tornaria a vida impossível. A

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segunda, o acaso também desmorona diante

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das probabilidades. Seria como jogar um

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dado com um seguido de 123 zeros de

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lados e cair exatamente no número certo

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na primeira tentativa. E convenhamos, é

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preciso mais fé para acreditar nisso do

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que para crer num ajuste inteligente.

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Por isso, muitos tentam escapar pro

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multiverso, a ideia de que existem

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trilhões de universos paralelos e, por

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pura sorte, vivemos em um que funcionou.

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Mas o multiverso não é ciência

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observável, não pode ser testado, nem

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medido e nem verificado. No fim das

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contas, a explicação mais racional e

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mais consistente com a estrutura que

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vemos é essa: o universo foi ajustado

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porque alguém ajustou. Alguém com

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inteligência, intenção e poder

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suficiente para definir as leis do

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universo antes do jogo começar. O ajuste

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fino não prova um Deus específico, mas

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ele aponta para um universo que não

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nasceu do puro acaso.

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Eu me recuso a aceitar que isso é o

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acaso.

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[Música]

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Esse, sem dúvida, um dos argumentos mais

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fortes possíveis. Eu gostaria de

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classificá-lo como irrefutável, mas como

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ainda há uma chance e tantas pessoas o

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rejeitam com a desculpa de multiverso,

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vou classificá-lo como convincente,

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porque o que falei é no mínimo

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impressionante. Achar que o universo é

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simples é uma ignorância brutal da

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humanidade.

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O próximo argumento é a experiência

Experiência Pessoal

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pessoal. Talvez este seja o argumento

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mais poderoso para quem crê e ao mesmo

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tempo o mais fraco para quem observa de

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fora. Milhares de pessoas afirmam ter

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sentido Deus. Não em teoria, mas na

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carne, no sangue, no olhar. Algumas

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pessoas dizem ter sido curadas de

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doenças que a medicina declarou

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incuráveis. Outras afirmam ter sentido

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uma paz que não conseguiram em anos de

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terapia. Há quem diga que ouviu a voz de

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Deus, que viu uma luz, que recebeu uma

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visão. E essas pessoas estão

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genuinamente convencidas de que Deus

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agiu. Mas aqui está um problema. Qual

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Deus? Por exemplo, uma mulher cristã

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afirma ter sido curada por Jesus. Ela

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diz que teve uma visão com Cristo, que

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ouviu seu nome e que sua alma foi

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totalmente transformada. Do outro lado

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do mundo, um homem hindu descreve uma

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experiência idêntica, cura física, visão

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espiritual, paz interior. Mas ele diz

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que foi Chiva que falou com ele. Ambos

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estão convictos, ambos são pessoas

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honestas, ambos mudaram de vida e ambos

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dizem que o que viveram não foi

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psicológico. E aí que está o problema.

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Se essas experiências fossem provas

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objetivas, elas apontariam todas na

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mesma direção. Mas não é o que acontece.

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As pessoas têm experiências supostamente

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reais, mas essas experiências apontam

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para deuses diferentes, crenças

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diferentes e doutrinas incompatíveis. E

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isso levanta uma hipótese. A experiência

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muitas vezes pode ser um simples reflexo

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da mente humana. A mente busca sentido,

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ela procura respostas e quando colocada

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sob pressão, medo, fé intensa ou

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sofrimento, ela pode criar caminhos para

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sobreviver. A experiência pode ser real

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para quem vive, mas isso não significa

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que ela seja prova objetiva da

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existência de um Deus. Se fosse assim,

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haveria um só Deus revelado da mesma

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forma para todos, não dezenas de

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religiões com milhões de experiências

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diferentes. Isso não anula o valor da fé

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pessoal, mas mostra que como argumento

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para convencer os outros, a experiência

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individual é totalmente limitada, além

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de que pode ser apenas uma forma da

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mente fugir do abismo sem que exija

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razão. Então, acho que nem preciso

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explicar o motivo pelo qual vou

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classificar como só funciona para quem

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já crê. E olha que tô sendo bonzinho,

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porque isso às vezes só ajuda os ateus a

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apontarem a crença em Deus como algo

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simplesmente cultural ou como uma fuga

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do abismo. Agora veremos o famoso

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argumento cosmológico. Ele pode resumir

Argumento Cosmológico

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de forma simples em tudo que começa a

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existir tem uma causa. O universo

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começou a existir, portanto, o universo

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tem uma causa. A primeira premissa é

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óbvia e confirmamos isso no dia a dia.

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Tudo que é físico e existe teve uma

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causa. A segunda premissa também é

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simples. Em 2003, três cosmólogos

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provaram que se o universo está em

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constante expansão, ele não pode ser

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eterno. E isso se aplica até o

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multiverso, se é que existe isso, né? E

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nosso universo está em constante

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expansão, logo ele não é eterno. E se o

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universo não é eterno, ele teve um

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começo. Assim, a segunda premissa se faz

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correta. E já que ela é verdadeira, a

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terceira premissa também deve ser. E se

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algo causou o universo, esse algo deve

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estar obviamente fora do universo. Logo,

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ele deve ser imaterial, já que a matéria

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veio com o universo, atemporal, já que o

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tempo veio com o universo, e

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extremamente poderoso. Nem preciso dizer

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o porquê. E essa definição lembra o quê?

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Deus.

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Alguns podem tentar refutar este

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argumento falando da física quântica e

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dizendo que o universo veio a partir de

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flutuações quânticas ou um campo

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quântico. Mas para que tudo isso ocorra,

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é necessário que haja espaço, tempo,

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leis quânticas, constantes físicas,

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princípio da incerteza e estado de

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vácuo. Mas tudo isso veio junto com Big

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Bang e a ciência não explica qual a

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causa que antecedem cada um deles.

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Outros ateus, já sabendo disso, vão além

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e dizem que alguns eventos subatômicos,

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como decaimentos radioativos, parecem

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ocorrer espontaneamente, sem causa

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definida. Então, supostamente, se essas

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pequenas partículas não têm uma causa

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aparente, o universo também poderia não

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ter. Mas tem um problema nessa

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afirmação. Os recaimentos radioativos

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que acontecem só podem ocorrer em um

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lugar com leis físicas e algo anterior

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tem que ter causado essas leis físicas.

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Mas outros ateus entendem completamente

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o que eu acabei de dizer e aceitam que é

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algo misterioso. E diante disso, eles

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vão para um ataque final. Não é porque

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não podemos ter certeza sobre o que

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criou o universo ou sobre o que é

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necessário para que ele seja causado,

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que a causa primária é um Deus. Essa

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frase parece muito sensata à primeira

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vista, mas esconde um erro. Ela confunde

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não saber tudo com não saber nada. É

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verdade, não podemos conhecer a causa

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absoluta com total certeza empírica, mas

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isso não significa que qualquer

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explicação seja igualmente válida. E

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também não significa que não haja

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explicações mais racionais que outras. A

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lógica não exige certeza absoluta, ela

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exige coerência. E se o universo teve um

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começo, ele precisou de uma causa. Agora

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pense, essa causa está fora do espaço,

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fora do tempo, é imaterial, eterno e

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capaz de criar tudo a partir do nada,

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sendo assim origem de tudo. Chame isso

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como quiser, mas essa descrição se

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aproxima perigosamente da ideia de Deus.

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não de um Deus mitológico ou folclórico,

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mas de um ser necessário, não causado e

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que explica a existência do universo. E

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recusar essa explicação dizendo que isso

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seria o deus lacunas simplesmente por

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ela se parecer justamente com a ideia de

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Deus, não é racionalidade, seria mais

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uma resistência emocional. Agora, é

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claro que essa causa poderia ser algo

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diferente de um Deus pessoal, como o

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Deus bíblico, por exemplo. Mas sejamos

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sinceros, o que é mais racional? Certo

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explodiu do nada a partir de campos

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quânticos sem causa, sem propósito e sem

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explicação? Ou crer que existe algo

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anterior e transcendente que explica sua

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origem com mais coerência? Sabendo

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disso, creio que não há lugar mais digno

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para esse argumento do que o posto de

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irrefutável.

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E para os questionadores de plantão,

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quando eu digo irrefutável, quero dizer

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que não há um argumento que desminta

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esse com totalidade. Argumentos que

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confrontam, mas refutaram a palavra

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muito forte. Existem contrapropostas e

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algumas pessoas escolhem essas outras

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propostas, mas essas não anulam este

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argumento, apenas mostram outra visão.

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Diferente do argumento ontológico, por

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exemplo, que eu mostrei no começo do

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vídeo, que é totalmente refutável.

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Agora analisarei o argumento moral. Para

Argumento Moral

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explicar o argumento em questão,

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começarei com uma pergunta. Você pode

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fazer o bem sem acreditar em Deus?

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Obviamente sim. Mas vamos colocar uma

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pergunta a mais. Você pode fazer o bem

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sem Deus? Porque ora, se Deus não

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existe, o que definiria bem ou mal,

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certo ou errado, de forma objetiva? Se

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Deus não existe, valores morais

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objetivos não existem. Porque, por

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exemplo, se não há um ponto de

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referência, não podemos dizer que algo

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está para cima ou para baixo. Então,

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tudo que temos seria o nosso ponto de

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vista, que não é mais válido que de

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nenhuma outra pessoa. Assim, a

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moralidade seria totalmente subjetiva,

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da mesma forma que a preferência por um

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sabor de sorvete. A preferência está no

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sujeito, não objeto. Sem Deus não há bem

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nem mal, nada além da indiferência cega

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e impiedosa. E como supostamente somos

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apenas animais altamente evoluídos, a

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moral então não se aplica a nós, assim

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como não se aplica a eles. Uma mãe

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panda, por exemplo, não é má por matar

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seu filhote. Portanto, devemos ver o

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comportamento humano da mesma forma.

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Nenhuma ação deveria ser considerada

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certa ou errada, mas a nossa experiência

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moral nos convence de que os valores

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morais são objetivamente verdadeiros.

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Então, toda vez que tu diz que algo é

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errado ou imoral, você afirma a crença

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em uma moralidade objetiva, o que leva,

14:47

obviamente, para uma referência

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superior. E creio que todos nós

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concordamos de que mexer com criança,

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discriminação racial ou terrorismo, por

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exemplo, são moralmente errados,

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independente de cultura ou lei de um

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povo. Então, essa moralidade dentro de

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nós aponta pra ideia de Deus, porque

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quase todos nós concordamos que o bem e

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o mal existem. Inclusive, muitos ateus,

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ao tentarem refutar Deus usando o mal

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como argumento, sem perceber, assume uma

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premissa teísta que, tornando-se ela

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verdadeira, inevitavelmente indica para

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um ser superior. E como Dostoyevski

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disse, se Deus não existe, tudo é

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permitido.

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Mas eu não tô aqui para romantizar nada.

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Esse argumento enfrenta também alguns

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problemas. O primeiro é que é possível

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que esses valores morais que

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consideramos objetivos sejam resultados

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de fatores sociais, biológicos,

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históricos e universais que parecem

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objetivos, mas isso não significa que

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eles realmente sejam. A empatia, a

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cooperação, a justiça, tudo isso pode

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ter surgido porque ajudou na

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sobrevivência da espécie. Sociedades que

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valorizavam esses comportamentos eram

15:51

mais estáveis, então elas prosperavam.

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Então, possivelmente com o tempo, essas

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ideias se enraizaram tanto que passaram

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a ser vistas como verdades absolutas,

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mesmo que sejam apenas construções

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adaptativas. E muitos ateus argumentam

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que mesmo que existam valores morais

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objetivos, isso não prova que eles vêm

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de um ser pessoal e consciente como

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Deus. Pode ser que a moral esteja

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enraizada na própria estrutura da

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realidade, como leis lógicas ou

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matemáticas. poderia existir um bem

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impessoal, assim como existem verdades

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impessoais, como 2 + 2 = 4.

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Então, sabendo disso, acho que é justo

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classificar tal argumento com um simples

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bom, porque apesar de ter uma base muito

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boa, temos que reconhecer que há sim a

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possibilidade dessa moral ser um simples

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fator biológico e social que ajuda na

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preservação da nossa espécie.

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Agora vamos falar sobre a aposta de

Aposta de Pascal

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Pascal, que não sei nem se dá para

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considerar isso como um argumento, mas

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muitas pessoas usam desta forma. Então

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vamos lá. Imagine que a existência ou

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inexistência de um Deus não pode ser

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provada com 100% de certeza. Você está

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no meio, sem resposta final, mas mesmo

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assim você precisa escolher. E aí que

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entra a lógica de Pascal, matemático e

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filósofo francês do século X7. Ele

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propôs uma aposta. Se Deus existe e você

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crê, você ganha tudo. Se Deus não existe

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e você crê, você não perde nada. Então,

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mesmo diante da dúvida, a decisão mais

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racional é crer. Mas a aposta de Pascal

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tem seus problemas. O primeiro é qual

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Deus? Pascal parte do pressuposto de que

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se Deus existir, ele recompensará a fé

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genérica ou a crença em sua existência.

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Mas e se o verdadeiro Deus for de uma

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religião exclusiva que exige doutrinas

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específicas e pune quem acredita no Deus

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errado? Nesse caso, apostarem um Deus

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errado seria tão inútil quanto não

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apostar em nenhum. O segundo ponto é que

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fingir fé não é fé. A proposta de Pascal

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parece sugerir: "Aja como se

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acreditasse, se Deus existir, ele vai te

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recompensar". Mas se Deus for realmente

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onisciente, ele saberá que você está

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apostando por pura conveniência, não por

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amor ou convicção. Nesse caso, Deus

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rejeitaria sua aposta por falta de

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sinceridade. Ou seja, apostar com medo

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do inferno ou esperança no paraíso, por

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exemplo, não garante nada. E o terceiro

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ponto é que a fé deve ser ao máximo

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racional, não uma simples jogada de

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segurança. A lógica de Pascal aparenta

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reduzir a existência de um deus a um

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jogo de cálculos, como se fosse um

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simples plano de seguro. Dito isso,

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apesar da ideia de Pascal ter um pouco

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de coerência, sim, ela ainda é muito

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vaga e suscetível a muitas falhas.

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Então, teria que classificá-la como

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converte pro ateísmo, porque a posta de

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Pascal em si não é um problema, mas

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usá-la como argumento é totalmente

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inútil. Porque um ateu sério não crê na

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inexistência de Deus por mero conforto,

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mas sim por uma convicção séria de achar

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que essa é a verdade.

Argumento da Contingência

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Por último, mas não menos importante,

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analisaremos o argumento da

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contingência, que se parece com

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argumento cosmológico. E a primeira

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coisa a se fazer nele é perguntar: por o

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universo existe? Libnis escreveu: "A

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primeira pergunta que devemos fazer é:

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por que há algo e não o nada?"

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Ele chegou à conclusão de que a

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explicação é simplesmente Deus. Mas

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seria essa conclusão realmente racional?

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A base de seu argumento é: tudo que

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existe tem uma explicação para sua

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existência. Se o universo tem uma

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explicação para a sua existência, essa

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explicação é Deus. O universo existe,

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então a explicação é Deus. Se as três

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primeiras premissas são verdadeiras, a

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conclusão é inevitável.

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Mas é mais plausível que essas premissas

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sejam verdadeiras ou falsas. A terceira

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premissa já é impossível de negar para

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qualquer um com o mínimo de raciocínio.

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Mas e a primeira premissa? Por que não

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dizemos que o universo simplesmente está

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lá e é isso e pronto e acabou? Sem uma

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explicação necessária, discussão

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encerrada. Bom, mas imagine, por

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exemplo, que tá tu e teu amigo dando uma

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volta na floresta e do nada vocês

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encontram uma bola brilhante no chão.

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Naturalmente vocês tentariam descobrir

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de onde a tal bola veio e como foi parar

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ali. Mas você com certeza acharia

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estranho se teu amigo parasse e

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dissesse: "Não, isso aí simplesmente tá

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aí. Não tem nem razão para existir. Para

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de ficar questionando. Mas e se a bola

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fosse maior? Ainda precisaria de uma

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explicação? E se a bola fosse do tamanho

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do universo? ainda precisaria de uma

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explicação. A mudança de seu tamanho a

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importância não mudaria o fato dessa

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bola precisar de uma explicação. Mas

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alguns que percebe que isso uma hora ou

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outra vai chegar em Deus já rebatem. Se

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tudo precisa de uma explicação, qual é a

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explicação da existência de Deus? Ele

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não precisaria de uma explicação, porque

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se ele não precisar, o universo também

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não precisa. Para explicar isso, Library

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fez uma explicação de coisas que existem

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de forma necessária e coisas que são

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contingentes.

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E essa explicação diz que coisas que

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existem de forma necessária existem pela

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necessidade de sua própria natureza. É

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impossível para essas coisas não

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existirem. Muitos matemáticos acreditam

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que, por exemplo, os números, de forma

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abstrata, obviamente, existem por sua

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própria natureza. Sua existência não é

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causada por outra coisa.

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Um outro lado da explicação é mais

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simples. Ele simplesmente mostra que há

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coisas que existem de forma contingente,

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ou seja, poderiam não existir. E a

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estupenda maioria das coisas que

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conhecemos são assim: elas não têm que

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existir. Elas só existem porque outra

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coisa as fez existir. E não há motivos

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plausíveis para crer que o nosso

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universo tinha que existir. O universo

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poderia simplesmente não existir. Além

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de que, por exemplo, se ele tivesse

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desenvolvido de uma forma um pouco

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diferente, como vimos no argumento do

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ajuste fino, as coisas que conhecemos

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simplesmente não existiriam. Então, é

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totalmente racional e lógico crer que o

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universo poderia não existir. E se o

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universo poderia não existir, por que

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que ele existe? E a única explicação

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plausível é que algo incontingente o

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tenha possibilitado de vir a existência.

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Então, voltando às primeiras premissas,

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se tudo que poderia não existir tem uma

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causa, o universo precisa de uma causa.

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Mas será que seria realmente racional

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chamar essa causa de Deus? Bom, o

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universo é toda realidade, espaço

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temporal. Isso inclui toda matéria e

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energia. Então, obviamente, conclui-se

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que a causa do universo deve estar fora

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do mesmo, logo, ela deve ser imaterial,

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não física e além do espaço-tempo. E a

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lista de entidades que poderiam se

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encaixar nessas premissas é curta:

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objetos abstratos e Deus. Mas objetos

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abstratos não podem causar nada. Então,

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a única conclusão plausível é crer que a

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causa do universo é Deus.

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Mas caso você não queira acreditar em

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Deus, tá tudo bem? Você tem outra opção.

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Você vai ter que acreditar em um ser

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totalmente poderoso, sem causa,

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incontingente, não físico, material,

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eterno e criador do universo.

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Esse argumento para mim, sem dúvida

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nenhuma, principalmente por usar

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premissas que a maioria das pessoas

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entendem, merece o posto de irrefutável.

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É com certeza um dos melhores argumentos

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já pensados sobre a existência de Deus.

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Aqui chegamos ao fim do vídeo. Espero

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ter sido claro ao explicar os argumentos

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e ao justificar minhas classificações.

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