O ateísmo é fideísmo?

 A - Ateísmo


1 - Dicionário

Definições de Oxford Languages · Saiba mais

ateísmo

substantivo masculino filosofia

doutrina ou atitude de espírito que nega categoricamente a existência de Deus, asseverando a inconsistência de qualquer saber ou sentimento direta ou indiretamente religioso, seja aquele calcado na fé ou revelação, seja o que se propõe alcançar a divindade em uma perspectiva racional ou argumentativa


2 - https://pt.wikipedia.org/wiki/Ate%C3%ADsmo 

Ateísmo, num sentido amplo, é a ausência de crença na existência de divindades.[1] O ateísmo é oposto ao teísmo,[2][3] que em sua forma mais geral é a crença de que existe ao menos uma divindade.[3][4][5][6]

Símbolo do Ateísmo.

O termo ateísmo, proveniente do grego clássico ἄθεος (romaniz.: atheos), que significa "sem Deus", foi aplicado com uma conotação negativa àqueles que se pensava rejeitarem os deuses adorados pela maioria da sociedade. Com a difusão do pensamento livre, do ceticismo científico e do consequente aumento da crítica à religião, a abrangência da aplicação do termo foi reduzida. Os primeiros indivíduos a identificarem-se como "ateus" surgiram no século XVIII.[7]

Os ateus tendem a ser céticos em relação a afirmações sobrenaturais, citando a falta de evidências empíricas que provem sua existência. Os ateus têm oferecido vários argumentos para não acreditar em qualquer tipo de divindade. O complexo ideológico ateísta inclui: o problema do mal, o argumento das revelações inconsistentes e o argumento da descrença. Outros argumentos do ateísmo são filosóficos, sociais e históricos. Embora alguns ateus adotem filosofias seculares,[8][9] não há nenhuma ideologia ou conjunto de comportamentos que todos os ateus sigam.[10] Na cultura ocidental, assume-se frequentemente que os ateus são irreligiosos, embora alguns ateus sejam espiritualistas.[11] Ademais, o ateísmo também está presente em certos sistemas religiosos e crenças espirituais, como o jainismo, o budismo e o hinduísmo. O jainismo e algumas formas de budismo não defendem a crença em deuses,[12] enquanto o hinduísmo mantém o ateísmo como um conceito válido, mas difícil de acompanhar espiritualmente.[13]

Como os conceitos sobre a definição do ateísmo variam, é difícil determinar quantos ateus existem no mundo atualmente com precisão.[14] Segundo uma estimativa, cerca de 2,3% da população mundial descreve-se como ateia, enquanto 11,9% descreve-se como não-religiosa.[15] De acordo com outra estimativa, as taxas de pessoas que se auto-declaram como ateias são mais altas em países ocidentais, embora também varie bastante em grau nesse grupo — Estados Unidos (11%),[16] Itália (7%), Espanha (11%), Reino Unido (17%), Alemanha (20%) e França (32%).[17] Segundo pesquisa de 2015 do Gallup, os países com as maiores percentagens de ateus são: China (61%), Japão (31%) e República Checa (30%).[18]


Conceitos filosóficos


Ateísmo prático

 Ver artigo principal: Apateísmo

No ateísmo prático ou pragmático, também conhecido como apateísmo, os indivíduos vivem como se não existissem deuses e explicam fenômenos naturais sem recorrer ao divino. A existência de deuses não é rejeitada, mas pode ser designada como desnecessária ou inútil; de acordo com este ponto de vista os deuses não dão um propósito à vida, nem influenciam a vida cotidiana.[47] Uma forma de ateísmo prático, com implicações para a comunidade científica, é o naturalismo metodológico - a "adoção tácita ou assunção do naturalismo filosófico no método científico, aceitando-o ou nele acreditando, totalmente ou não."[48]


O ateísmo prático pode assumir várias formas:


Ausência de motivação religiosa — a crença em deuses não motiva a ação moral, a ação religiosa, ou qualquer outra forma de ação;

Exclusão ativa do problema dos deuses e da religião da busca intelectual e de ações concretas;

Indiferença — a ausência de qualquer interesse pelos problemas dos deuses e da religião; ou

Desconhecimento do conceito de uma divindade.[49]


Ateísmo teórico


Argumentos ontológicos

 Ver artigos principais: Ateísmo agnóstico e Não-cognitivismo teológico

O ateísmo teórico postula explicitamente argumentos contra a existência de deuses, respondendo a argumentos teístas comuns, como o argumento teleológico ou a Aposta de Pascal. Na verdade, o ateísmo teórico é principalmente uma ontologia, precisamente uma ontologia física.

[Dicionário

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ontologia

substantivo feminino

1.

filosofia

segundo o aristotelismo, parte da filosofia que tem por objeto o estudo das propriedades mais gerais do ser, apartada da infinidade de determinações que, ao qualificá-lo particularmente, ocultam sua natureza plena e integral.

2.

filosofia

no heideggerianismo, reflexão a respeito do sentido abrangente do ser, como aquilo que torna possível as múltiplas existências [Opõe-se à tradição metafísica que, em sua orientação teológica, teria transformado o ser em geral num mero ente com atributos divinos.].]

Argumentos epistemológicos

 Ver artigos principais: Ateísmo agnóstico e Não-cognitivismo teológico

O ateísmo epistemológico argumenta que as pessoas não podem conhecer um Deus ou determinar a existência de um Deus. O fundamento do ateísmo epistemológico é o agnosticismo, o qual assume uma variedade de formas. Na filosofia da imanência, a divindade é inseparável do próprio mundo, incluindo a mente de uma pessoa e a consciência de cada pessoa está bloqueada no sujeito. De acordo com esta forma de agnosticismo, esta limitação de perspectiva impede qualquer inferência objetiva, desde a crença em um deus às afirmações de sua existência. O agnosticismo racionalista de Kant e do Iluminismo só aceita o conhecimento deduzido com a racionalidade humana. Esta forma de ateísmo afirma que os deuses não são perceptíveis como uma questão de princípio e, portanto, sua existência não pode ser conhecida. O ceticismo, baseado nas ideias de Hume, afirma que a certeza sobre qualquer coisa é impossível, por isso nunca se pode saber da existência de um Deus. A inclusão do agnosticismo no ateísmo é disputada; também pode ser considerado como uma visão básica do mundo independente.[47]

Outros argumentos para o ateísmo, que podem ser classificados como epistemológicos ou ontológicos, incluem o positivismo lógico e o ignosticismo, que afirmam a falta de sentido ou ininteligibilidade de termos e frases básicos tais como "Deus" e "Deus é todo-poderoso." O não-cognitivismo teológico afirma que a declaração "Deus existe" não expressa uma proposição, sendo antes absurda ou cognitivamente sem sentido. Tem sido argumentado em ambos os sentidos sobre se tais indivíduos podem ser classificados em alguma forma de ateísmo ou agnosticismo. Os filósofos A. J. Ayer e o filósofo norte-americano Theodore M. Drange rejeitam ambas as categorias, afirmando que ambos os campos aceitam a frase "Deus existe" como uma proposição; eles, ao invés, classificam o não cognitivismo em uma categoria própria.[50][51]


Argumentos metafísicos

 Ver artigos principais: Monismo e Fisicalismo

Um autor escreve:


O ateísmo metafísico...inclui todas as doutrinas ligadas ao monismo metafísico (a homogeneidade da realidade). O ateísmo metafísico pode ser: a) absoluto - uma negação explícita da existência de Deus associada com o monismo materialista (todas as tendências materialistas, tanto nos tempos antigos quanto nos modernos); b) relativo - a negação implícita de Deus em todas as filosofias que, apesar de aceitarem a existência de um absoluto, concebem o absoluto como não possuindo qualquer um dos atributos próprios de Deus: transcendência, um caráter ou unidade pessoal. O ateísmo relativo está associada com o monismo idealista (panteísmo, panenteísmo, deísmo).[52]


Argumentos lógicos

 Ver artigo principal: Argumentos pela inexistência de Deus e Problema do mal

Epicuro é creditado como sendo o primeiro a expor o problema do mal. David Hume, em seus Diálogos sobre a Religião Natural (1779), citou Epicuro ao afirmar o argumento como uma série de perguntas:[53] "[Deus] quer impedir o mal, mas não é capaz? Então ele é impotente. Ele é capaz, mas não está disposto? Então, ele é malévolo. Ele é capaz e disposto? Donde vem então o mal?"

O ateísmo lógico sustenta que às diversas concepções de deuses, como o deus pessoal do cristianismo, são atribuídas qualidades logicamente inconsistentes. Os ateus apresentam argumentos dedutivos contra a existência de Deus que afirmam a incompatibilidade entre certas características, como a perfeição, estatuto de criador, imutabilidade, onisciência, onipresença, onipotência, onibenevolência, transcendência, a pessoalidade (um ser pessoal), não-fisicalidade, justiça e misericórdia.[54]

Os ateus teodiceanos acreditam que o mundo como o experimentam não pode ser conciliado com as qualidades normalmente atribuídas a Deus e aos deuses pelos teólogos. Eles argumentam que um Deus onisciente, onipotente e onibenevolente não é compatível com um mundo onde existe o mal e o sofrimento, e onde o amor divino está escondido de muitas pessoas.[55] Um argumento semelhante é atribuído a Siddhartha Gautama, o fundador do budismo.[56]


Redução da importância da religião

 Ver também : Psicologia da religião

Filósofos como Ludwig Feuerbach[57] e Sigmund Freud argumentaram que Deus e outras crenças religiosas são invenções humanas, criadas para atender a várias necessidades psicológicas e emocionais. Esta é também uma visão de muitos budistas.[58] Karl Marx e Friedrich Engels, influenciados pela obra de Feuerbach, argumentaram que a crença em Deus e na religião são funções sociais, utilizadas por aqueles no poder para oprimir a classe trabalhadora. De acordo com Mikhail Bakunin, "a ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; é a negação mais decisiva da liberdade humana, e, necessariamente, termina na escravização da humanidade, na teoria e na prática." Ele inverteu o famoso aforismo de Voltaire de que se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo, escrevendo que "se Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo."[59]


Alternativos

 Ver artigos principais: Antropologia filosófica e Humanismo

O ateísmo axiológico, ou construtivo, rejeita a existência de deuses em favor de um "absoluto maior", como a humanidade. Esta forma de ateísmo favorece a humanidade como fonte absoluta da ética e valores, e permite que os indivíduos resolvam problemas morais, sem recorrerem a Deus. Marx e Freud utilizaram este argumento para transmitir mensagens de libertação, de desenvolvimento integral e de felicidade sem restrições.[47]

Uma das críticas mais comuns ao ateísmo tem sido a tese contrária: que negar a existência de um deus conduz ao relativismo moral, deixando o indivíduo sem fundamento moral ou ético,[60] ou torna a vida sem sentido e miserável.[61] Blaise Pascal argumentou esta visão nos seus Pensées.[62]


Existencialismo ateísta

O filósofo francês Jean-Paul Sartre identificou-se como um representante de um "existencialismo ateísta",[63] menos preocupado com negar a existência de Deus do que estabelecer que o "homem precisa... encontrar-se novamente e entender que nada pode salvá-lo de si mesmo, nem mesmo uma prova válida da existência de Deus.""[64] Sartre disse que um corolário de seu ateísmo era que "se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes que ele possa ser definido por qualquer conceito, e ... este ser é o homem."[63] A consequência prática desse ateísmo foi descrita por Sartre no sentido de que não há regras a priori ou valores absolutos que podem ser invocados para governar a conduta humana e que os humanos estão "condenados" a inventar estes por si mesmos, tornando o "homem" absolutamente "responsável por tudo que ele faz."[65]

O acadêmico Rhiannon Goldthorpe sugeriu que alguns dos escritos de Sartre estavam "permeados por um 'ateísmo cristão', no qual crenças antigas ainda alimentam a imaginação e a sensibilidade do cético mais radical."[66] O acadêmico Priest Stephen descreve a perspectiva de Sartre como "uma metafísica ateísta."[67] O tradutor de Sartre, Hazel Barnes, escreveu sobre aquele: "O Deus que ele rejeita não é um poder vago, um X desconhecido que explicaria a origem do universo, nem tão pouco é um ideal ou um mito para simbolizar a busca do homem pelo Bem. É especificamente o Deus dos Escolásticos ou, pelo menos, qualquer ideia de Deus como um Criador específico, todo-poderoso, absoluto e existente."[68]



3 - https://www.atheists.org/activism/resources/about-atheism/ 


Ateísmo é uma coisa: falta de crença em deuses.

O ateísmo não é uma crença afirmativa de que não existe deus, nem responde a nenhuma outra questão sobre o que uma pessoa acredita. É simplesmente uma rejeição da afirmação de que existem deuses. O ateísmo é frequentemente definido incorretamente como um sistema de crenças. Para ser claro: o ateísmo não é uma descrença em deuses ou uma negação de deuses; é uma falta de crença em deuses.

Dicionários mais antigos definem ateísmo como "a crença de que não há Deus". Claramente, a influência teísta contamina essas definições. O fato de os dicionários definirem ateísmo como "não há Deus" revela a influência (mono)teísta. Sem a influência (mono)teísta, a definição seria pelo menos "não há deuses"

[minha observação: equivale a dizer afirmativamente que não há deus algum]


O ateísmo não é um sistema de crenças nem uma religião.

Embora existam algumas religiões ateístas (certas seitas do budismo, por exemplo), isso não significa que o ateísmo seja uma religião. Para colocar de uma forma mais humorística: se o ateísmo é uma religião, então não colecionar selos é um hobby.

[minha observação: não colecionar selos é uma escolha, é afirmar que não há, por parte da pessoa, interesse em colecionar selo, por tal e /ou tal motivo]

Apesar de o ateísmo não ser uma religião, ele é protegido por muitos dos mesmos direitos constitucionais que protegem a religião. Isso, contudo, não significa que o ateísmo seja em si uma religião, apenas que nossas crenças sinceras (ou a ausência delas) são protegidas da mesma forma que as crenças religiosas de outros. Da mesma forma, muitos grupos "inter-religiosos" incluirão ateus. Isso, novamente, não significa que o ateísmo seja uma crença religiosa.

Alguns grupos usam palavras como Agnóstico, Humanista, Secular, Brilhante, Livre-pensador ou uma série de outros termos para se autoidentificar. Essas palavras são perfeitamente adequadas como autoidentificação, mas recomendamos fortemente o uso da palavra que as pessoas entendam: Ateu. Não use esses outros termos para disfarçar seu ateísmo ou para se esquivar de uma palavra que alguns consideram ter uma conotação negativa. Devemos usar a terminologia mais precisa e que responda à pergunta que está sendo feita. Devemos usar o termo que nos une a todos.

Se você se autodenomina humanista, livre-pensador, inteligente ou mesmo um "católico cultural" e não acredita em um deus, você é ateu. Não se intimide com o termo. Aceite-o

Agnóstico não é apenas uma versão "mais fraca" de ser ateu. Ele responde a uma pergunta diferente. Ateísmo tem a ver com o que você acredita. Agnosticismo tem a ver com o que você sabe.


Nem todas as pessoas não religiosas são ateias, mas…

Em pesquisas recentes, o Pew Research Center agrupou ateus, agnósticos e os "não afiliados" em uma categoria. Os chamados "Nones" são o grupo demográfico "religioso" que mais cresce nos Estados Unidos. O Pew separa ateus de agnósticos e não religiosos, mas isso se deve principalmente à autoidentificação. Apenas cerca de 5% das pessoas se autodenominam ateus, mas se você perguntar sobre a crença em deuses, 11% dizem [minha observação: afirmam] que não acreditam em deuses. Essas pessoas são ateus, quer escolham usar a palavra ou não.

Uma pesquisa recente dos psicólogos Will Gervais e Maxine Najle, da Universidade de Kentucky, descobriu que até 26% dos americanos podem ser ateus. Este estudo foi elaborado para superar o estigma associado ao ateísmo e a possibilidade de ateus enrustidos se absterem de se "revelar", mesmo quando falam anonimamente com os pesquisadores. O estudo completo aguarda publicação na  revista Social Psychological and Personality Science,  mas uma versão pré-impressa está disponível aqui.

Cada vez mais pessoas dizem que sua definição de "deus" é simplesmente uma força unificadora entre todas as pessoas. Ou que não têm certeza do que acreditam.  Se você não acredita ativamente em deuses, você é ateu

Ser ateu não significa ter certeza sobre todas as questões teológicas, ter respostas para a criação do mundo ou como a evolução funciona. Significa apenas que a afirmação de que deuses existem não o convenceu.

[minha observação: logo, ser ateu é extrapolar: sair da dúvida sobre a existência para a negação da possibilidade desta existência]

Desejar que existisse uma vida após a morte, ou um deus criador, ou um deus específico, não significa que você não seja ateu. Ser ateu tem a ver com o que você acredita e não acredita, não com o que você deseja que seja verdade ou que considere reconfortante.


Todos os ateus são diferentes

O único elo comum que une todos os ateus é a falta de crença em deuses. Alguns dos melhores debates que já tivemos foram com colegas ateus. Isso ocorre porque os ateus não têm um sistema de crenças comum, escrituras sagradas ou um Papa ateu. Isso significa que os ateus frequentemente discordam em muitas questões e ideias. Os ateus vêm em uma variedade de formas, cores, crenças, convicções e origens. Somos tão únicos quanto nossas impressões digitais. [minha observação: a ideia de ser único no mundo, tal como no Cristianismo - não há outro igual a você...Deus o ama individualmente...você é especial, é único...]

[minha observação: os ateus geralmente escolhem como escrituras sagradas os artigos "científicos/acadêmicos", e como seus deuses os acadêmicos e as instituições que autorizam/rejeitam determinados artigos e conceitos]


Ateus existem em todo o espectro político. Somos membros de todas as raças. Somos membros da comunidade LGBTQ*. Há ateus em comunidades urbanas, suburbanas e rurais, e em todos os estados do país.



B - Fideísmo


1 - Dicionário

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fideísmo

substantivo masculino

religião

doutrina teológica que, desprezando a razão, preconiza a existência de verdades absolutas fundamentadas na revelação e na fé.


2 - https://pt.wikipedia.org/wiki/Fide%C3%ADsmo 

Fideísmo (do latim fides, fé) é uma doutrina religiosa que prega que as verdades metafísicas, morais e religiosas, como a existência de Deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade, são inalcançáveis através da razão, e só serão compreendidas por intermédio da fé. Foi condenado pela Igreja Católica, pelo seu líder à época, o Papa Pio IX, no século XIX por meio do concílio Vaticano I.


Os fideístas procuram se esquivar de qualquer tipo de argumentação para que possam apoiar sua fé em Deus sem qualquer tipo de racionalização. Porém, esta corrente teológica é flagrada em aparente contradição quando utiliza a própria razão para expor sua doutrina e depois negar seu emprego em questões de fé. A principal critica ao fideísmo está relacionada a esta aparente contradição, como diz Norman Geisler:


Se alguém não tem razão para não usar a razão, então essa posição é indefensável. Não há razão para que se aceite o fideísmo”.


A ideia central do fideísmo é que as questões religiosas não podem ser justificadas por meio de argumentos ou provas, mas apenas pela fé. Os fideístas mais radicais, como o filósofo dinamarquês Kierkegaard, defendem que justificar a nossa crença em Deus é impossível, pois a natureza divina está além de nossa compreensão, e também uma opção indesejável, pois ao fazê-la retiramos parte da essência da fé, que seria acreditar mesmo sem provas. Este tipo de fideísmo é muitas vezes qualificado como uma forma de irracionalismo (negação da razão). Por outro lado, Blaise Pascal e Santo Agostinho defendem uma forma mais moderada de fideísmo segundo a qual, apesar de a fé ter um estatuto privilegiado em matérias religiosas, podemos apelar à razão para fundamentá-la.[1]


A Igreja Católica condenou o fideísmo porque dentro da crença católica defende-se a existência de uma faculdade especial, partilhada por poucos e determinada pela fé, destinada à interpretação dos mistérios. Embora, a partir da definição clássica de fideísmo, a própria Igreja Católica tenha sido qualificada como fideísta em certos momentos.[2]


3 - https://www.dicio.com.br/fideismo/ 

Sistema que põe o conhecimento das primeiras verdades na fé e dá preeminência à fé sobre a razão.


4 - https://cruciforme.com.br/o-que-e-fideismo/ 

Fideísmo é um método apologético que busca proteger a fé através de um isolamento intelectual. Douglas Groothuis, em seu livro “Christian Apologetics: A Comprehensive Case for Biblical Faith”, afirma que o fideísmo se apresenta de diversas formas, mas essencialmente tenta “tornar a fé uma realidade auto-afirmativa, fechada em si mesma, que dispensa o reforço intelectual vindo do arsenal apologético clássico”. Fideístas acreditam que, posto que a fé é um dom divino que serve como canal, como meio pelo qual alguém se aproxima de Deus e O entende, a razão humana não é capaz de fundamentar nenhuma religião. Alguns fideístas acreditam também que o pecado está de tal forma arraigado à mente humana que qualquer tentativa racional acaba prejudicada pelos efeitos do pecado.


O fideísmo parece ainda habitar nas entranhas da igreja em nossos dias. E na hora que alguém diz “Você só precisa ter fé e acreditar / Não precisa de evidências nem razão / Apenas tenha fé” em resposta àquelas perguntas realmente significativas, é que o lado feio do fideísmo vem à tona.


Naturalmente o fideísmo entra em conflito com a apologética clássica no que tange à razão. Embora o pecado tenha afetado cada porção da humanidade, a imagem de Deus permanece (Gn. 9. 5-6, Sl 8.1, I Cor. 11.7) e serve como fundamento para o uso da razão dentro do discurso apologético. Igualmente, as Escrituras afirmam que Deus se revelou à humanidade através da criação (Sl 19.1-6; At 14.15-17) e a humanidade é julgada por rejeitar esta revelação (Rm 1.18-23). A própria passagem usa expressões cognitivas que afirmam que alguém pode interpretar coisas sobre a natureza de Deus de forma correta através da criação. A apologética clássica também discorda na forma em que os Calvin & Haroldoargumentos podem trabalhar para trazer pessoas a Cristo. Embora a fé seja um dom de Deus (Ef 2.8), os crentes ainda são comissionados a responder questões sobre sua fé (1Pe 3.15). A razão apologética pode ser usada por Deus como o meio de conceder o gracioso dom da fé ao crente em potencial. Enquanto a apologética clássica parece construir um exemplo a partir do zero, o fideísmo se desculpa por não fazer nada além do arremedo de uma defesa coerente.


Fideístas podem defender seu ponto de vista reunindo amplo suporte bíblico para a ideia de que o pecado permeou cada parte da existência humana. Este sistema, entretanto, se autorrefuta. Simplesmente não há como alguém apoiar a declaração “Você não é capaz de pensar em coisas desse tipo por causa de sua mente pecaminosa” porque essa própria afirmação já se vale da razão. “Você não é capaz de pensar em coisas desse tipo por causa da sua mente pecaminosa” com uma mente completamente pecaminosa e privada de razão! Pode alguém ler as Escrituras e entender a verdade ou isso requer um dom Divino de entendimento? Eu penso que os fideístas poderiam apelar para suas próprias experiências intelectuais junto a Cristo e a participação limitada que meros argumentos tiveram neste processo. Entretanto, há centenas que poderiam fornecer seus testemunhos pessoais e descrever quão significativa foi a apologética como maneira de entender as verdades de Cristo em seus detalhes. Alguns fideístas podem sugerir que apelar para a teologia natural seja uma desonra à revelação de Deus em Cristo. Doug Groothuis critica o fideísmo apontando o papel vital e imprescindível da lógica, discutindo as questões da razão e revelação geral, e mencionando o valor que estes argumentos tiveram na vida de outras pessoas.


5 - https://cristaosnaciencia.org.br/fideismo-cientificismo-e-inteligencia-humilhada/?srsltid=AfmBOorHD7voS3Z9hyZXOn9wLxaDozfWNQMC09D9z-Uhv5B121ACS7B- 

Fideísmo, Cientificismo e Inteligência Humilhada

Por Luis Felipe Vieira|09/08/2022|Categories: Textos e Artigos, Geral|Tags: Cientificismo, Fideísmo, Inteligência Humilhada|Comentários desativados


Texto por Luã Mendes


 O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal (Gênesis 6.5, NVI)


INTRODUÇÃO 

O versículo acima é de grande valia para as questões que serão abordadas adiante, mas antes precisamos compreender um termo no texto citado. O capítulo 6 do livro de Gênesis marca uma escalada do pecado humano iniciado no Éden. O contexto é de pura anarquia, violência e depravação, o que leva ao cataclisma pelo dilúvio. 

O termo que precisamos compreender é “coração”. Na ótica hebraica, o coração não é meramente o órgão responsável por bombear o sangue pelo corpo. Seu sentido vai muito além, mas não há palavra em nossa língua que dê conta de esclarecer em definitivo o seu sentido. Em hebraico, o termo traduzido como coração em Gn 6.5 é lebh (ou lebhabh) e significa, segundo Jonas Madureira (2017, p. 219) a “centralidade do pensamento, dos sentimentos, da vontade e da decisão humanos. Em suma, coração é o centro do nosso mundo interior”. Nesse sentido, a perspectiva hebraica é bastante diferente da grega, pois esta interpreta o coração apenas como sinônimo de intelecto ou pensamento. Porém, “a antropologia bíblica não pressupõe que o coração seja o intelecto, mas, sim, que o coração seja o centro de tudo o que o homem é. Isso vale também para o intelecto (MADUREIRA, 2017). 

Diante disso, percebe-se que o versículo ao afirmar que “toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal” quer dizer que o intelecto, os sentimentos e as vontades do homem voltam-se para a corrupção. Podemos até dizer que o homem está em desequilíbrio, pendendo sempre entre extremos, e, no que tange ao intelecto, esses extremos são o fideísmo e o cientificismo. Entenderemos esses conceitos e as consequências negativas de cada um por meio da análise de alguns casos concretos. 


FIDEÍSMO E CIENTIFICISMO 

Quando se trata de conhecimento ou intelecto, existem duas posições que nós, enquanto cristãos, devemos evitar: o fideísmo e o cientificismo.


I. Fideísmo: Essa palavra vem do latim fide e significa, simplesmente, “fé”. Segundo Plantinga (1983, p. 87) um fideísta é aquele indivíduo que deposita confiança absoluta na fé a despeito da razão, em questões filosóficas e religiosas, e, dessa forma, pode vir a desprezar a razão. Entretanto, Plantinga distingue dois tipos de fideísmo, o fideísmo moderado, segundo o qual devemos confiar mais na fé do que na razão em assuntos religiosos, e fideísmo extremo, que despreza e denigre a razão.


O fideísmo tratado aqui é o extremo, que poderia ser melhor traduzido como anti-intelectualismo por parte de muitos cristãos. Em muitas igrejas não é incomum ouvirmos frases como “a letra mata” com o propósito de desprezar o estudo teológico mais aprofundado. Segundo Jonas Madureira um fideísta poderia ser comparado a um balão, pois está sempre focado em subir aos céus da fé, mas despreza a realidade terrena que o cerca. 


II. Cientificismo: Para compreendermos o cientificismo, precisamos situar o período em que ele surge, isto é, no contexto do positivismo do século XIX. O positivismo foi uma corrente filosófica criada pelo francês Augusto Comte a partir do entusiasmo gerado pelo desenvolvimento científico, econômico, tecnológico e industrial que imperava na Europa da segunda metade do século XIX. A origem do termo vem do latim positum e “refere-se àquilo que está posto, situado, que existe na realidade, referindo-se, portanto, a tudo o que pode ser observado e experimentado” (no sentido de experimentação científica por meio de observação e testagem). Dessa forma, tal corrente filosófica tem como principais características 1) a excessiva valorização das ciências e dos métodos científicos e a desvalorização de conhecimentos não experimentáveis como o mítico ou o religioso; 2) a exaltação do homem e suas capacidades e 3) o otimismo em relação ao desenvolvimento e progresso da humanidade


O cientificismo, portanto, é a exaltação da ciência e de seu método como a única forma de compreender a realidade e mais, é a crença infundada de que a ciência pode e deve conhecer tudo (CHAUÍ, p. 357). No contexto do entusiasmo positivista do século XIX, acreditava-se que a ciência poderia responder a todas as questões e resolver todos os problemas da humanidade. Em outras palavras, o cientificismo é crença ou fé absoluta na ciência. A ciência torna-se um novo dogma


O triunfalismo com que a ciência era tratada acabou por gerar uma espécie de dogmatismo científico – gradativamente, a visão cientificista do mundo arrogou para si a responsabilidade de formar um novo discurso sobre a natureza, a vida e o universo (NOVAES, 2008, p. 11). 


Dessa forma, se o fideísta pode ser comparado a um balão, pois está sempre com a cabeça “no alto” e despreza a razão e o estudo, o cientificista pode ser comparado a uma toupeira, pois está sempre “cavando na terra” e despreza qualquer aspecto além da explicação científica, acreditando que esta pode levar ao fim de todo os problemas e questionamentos humanos. 


CONSEQUÊNCIAS


I. Fideísmo 


A posição fideísta é equivocada pelo simples fato de que ela toma um elemento da criação de Deus (a razão humana) e a demoniza. Parafraseando Chesterton, a idolatria não ocorre apenas quando criamos falsos deuses, mas também quando criamos falsos demônios. Todavia, importa salientar que apesar de não ser saudável um cristão adotar uma postura fideísta, não podemos esquecer que o pecado afetou todos os aspectos da existência, inclusive a nossa razão. Dessa forma, é fato que existem coisas que estão acima da razão humana e nas quais simplesmente cremos, como a Trindade ou a dupla natureza de Cristo, de modo que toda tentativa de compreender racionalmente essas realidades consequentemente levam ao erro


Nessa esteira, talvez a maior consequência do fideísmo extremo seja a credulidade em falsos ensinos. Para fins práticos, quero falar especialmente da relação do fideísta com o estudo teológico. Cristãos que desprezam a razão, geralmente, utilizam-se de textos fora do contexto como 1 Co 8.1 (“O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica”) ou 2 Co 3.6 (“a letra mata, mas o Espírito vivifica”) para fugirem de questionamentos e dúvidas teológicas legítimas. A ideia é que “apenas ler a bíblia” é suficiente, no sentido de que qualquer outro instrumento externo como comentários bíblicos, manuais de teologia sistemática e afins não devem ser levados em consideração. Geralmente são esses irmãos os mais facilmente cooptados por teologias viciadas como a da prosperidade, a teologia do coach etc


Além disso, a ironia se dá pelo fato de que a Bíblia que temos em mãos não surgiu do nada. Foi necessário um grande esforço intelectual de milhares de pessoas ao longo dos séculos para termos o Livro Sagrado. Indivíduos dos mais diversos países estudaram hebraico, aramaico, grego, latim, arqueologia, história, geologia e outras diversas disciplinas para facilitar o acesso à Bíblia pelo mundo. Portanto, soa contraditório o desprezo pelo conhecimento por parte do fideísta quando a facilidade de ler o texto bíblico em português é fruto do esforço intelectual de outros. 


O pastor batista Luiz Sayão, uma das maiores autoridades em hebraico e cultura judaica no Brasil afirma que “sem conhecimento de filosofia, história, línguas originais, exegese e teologia propriamente dita não é possível fazer teologia de verdade. É preciso aproximar a igreja da teologia: nosso povo precisa pensar mais.” 


II. Cientificismo 


Em seu livro “Visões e ilusões políticas”, o cientista político canadense David T. Koyzis afirma que as ideologias são formas de idolatria pois se fundamentam no ato de isolar um elemento criado por Deus, elevando-o acima do resto da criação e fazendo com que esta orbite em torno desse elemento e o sirva. Por exemplo, o marxismo apropria-se de uma causa legítima que é a luta contra a desigualdade e torna ela o fim último de todas as coisas. Ou seja, o Progresso torna-se Deus. 

Da mesma forma, o cientificismo é uma forma de idolatria à medida em que enxerga a ciência como passível de resolver e responder todas as questões humanas

Nessa esteira, segundo Chauí (2007, p. 3) o ideal cientificista produz tanto uma ideologia quanto uma mitologia da ciência. 

Ideologia da ciência: crença no progresso e na evolução dos conhecimentos que, um dia, explicarão totalmente a realidade e permitirão manipulá-la tecnicamente, sem limites para a ação humana. 

Mitologia da ciência: crença na ciência como se fosse magia e poderio ilimitado sobre as coisas e os homens, dando-lhe o lugar que muitos costumam dar às religiões, isto é, um conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e inquestionáveis

Todavia, o que poderia ocorrer quando a ciência se torna um deus? Para compreendermos isso, devemos voltar ao século XIX no contexto positivista/cientificista. 

A sociedade europeia do citado século poderia ser descrita como “entusiasmada”. Primeiro, foi o período da Segunda Revolução Industrial, marcada pelo surgimento da energia elétrica, do petróleo, do trem e do navio a vapor etc. Esses fatores permitiram o aumento e a aceleração da produção industrial, produzindo, consequentemente, riqueza e desenvolvimento como nunca visto na história humana. Dessa forma, “a utilização da ciência, em favor do crescimento econômico, ia aos poucos construindo uma euforia e uma crença de que a ciência seria capaz de dar todas as respostas e de solucionar todos os problemas” (MOURA, p. w). 

Nessa esteira, as bases do cristianismo que vinham sendo atacadas desde o Iluminismo no século XVII ruíram de vez na Europa, uma vez que a crença na ciência virou a regra. 

Porém, a necessidade de matérias-primas para garantir a continuidade da produção industrial levou diversos países europeus a invadirem e massacrarem povos da África e da Ásia tendo em vista extraírem os recursos dessas terras. Nesse contexto, Charles Darwin publicava, em 1859, sua obra “A origem das espécies”. A teoria darwinista tinha pretensões de explicar aspectos das ciências biológicas somente, porém, a teoria foi tomada e aplica às sociedades, tendo em vista justificar a invasão dos países europeus aos países africanos e asiáticos, baseando-se na ideia de que eles (os europeus) eram a raça que haviam alcançado o topo da cadeia evolutiva. A essa aplicação da teoria de Darwin às relações entre sociedades nós chamamos “darwinismo social”. 

O darwinismo social, nascido no âmbito do cientificismo, entendendo que existem humanos mais evoluídos que outros, esteve na base do racismo, da eugenia e do nazismo. A eugenia nazista foi um projeto de “eliminar da sociedade qualquer tipo de pessoa que apresentasse alguma deficiência mental ou física, bem como aperfeiçoar, geneticamente, uma geração perfeita de homens e mulheres, adequados à raça ariana” (FERNANDES). 

Porém, a euforia da sociedade europeia que tornou a ciência o seu deus só durou até o início do século XX. Primero, porque o Titanic afundou em 1912. “O que isso tem a ver?”, você pergunta. “Tudo”, eu respondo. O maior navio do mundo à época não era apenas uma embarcação, era um símbolo. Simbolizava a capacidade ilimitada da ciência de criar algo que jamais afundaria. Dessa forma, quando a “maior embarcação” do mundo vai à pique, ocorre um primeiro sinal de que a ciência não tem esse poder de resolver todas as questões humanas e tornar o mundo perfeito. Logo em seguida, ocorre a Primeira Guerra Mundial em 1917, a qual deixa milhões de mortos e uma geração imersa em depressão, chamada “Geração Perdida”. Em seguida, ocorre a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, levando a uma crise econômica mundial e a inúmeros suicídios. Por fim, ocorre a Segunda Guerra Mundial, com um número de mortos nunca visto na história das guerras, e, assim, findou a euforia. 

O que devemos compreender a partir de tudo isso é que a ciência tem e deve ter limitações. Ela explica como o corpo do ser humano funciona, mas não explica o que é o homem ou qual o sentido da vida, por exemplo. Essas questões são próprias da religião, da filosofia, da antropologia etc., de modo que toda tentativa de expandir a ciência para além de sua esfera de autoridade leva a problemas. 


 INTELIGÊNCIA HUMILHADA 

Diante de tudo o que foi exposto, qual é a alternativa para não pendermos para os extremos do fideísmo e do cientificismo? Qual deve ser a nossa postura enquanto cristãos? 

Penso que o filósofo e teólogo Jonas Madureira pode nos oferecer uma resposta. A partir do estudo de cinco grandes pensadores (Agostinho de Hipona, Anselmo de Cantuária, João Calvino, Blaise Pascal e Herman Dooyeweerd) ele cunha o conceito de “Inteligência Humilhada”. Jonas percebeu no estudo da vida e da obra desses intelectuais cristãos que ao mesmo tempo em que eles tinham uma fé viva em Deus, todos direcionavam sua atividade intelectual para a glória do Senhor e expansão do Reino. Ou seja, eram ao mesmo tempo crentes e inteligentes. 

Nossa inteligência é humilhada porque o conhecimento mais elevado, isto é, o conhecimento de Deus, só é obtido porque ele mesmo se revelou a nós. A compreensão de que só sabemos quem Deus é porque ele nos deu sua revelação especial nos humilha e nos leva à humildade espiritual e, consequentemente, intelectual. 


Dessa forma, não precisamos ser fideístas pois Deus nos deu a razão para usarmos e compreendermos sua revelação tanto na natureza quanto na Palavra. Segundo Madureira, “a inteligência humilhada é a fé que não tem medo de pensar, duvidar ou questionar. A fé não precisa morrer, só precisa pensar. Uma fé assim percebe a racionalidade e a ordem divina nas coisas criadas sem, de forma alguma, anular-se ou destruir-se.


Ao mesmo tempo, não podemos ser cientificistas porque estaríamos colocando no lugar de Deus algo que não é Deus. Além disso, existem aspectos além da nossa compreensão, fatores que somente alguém que teve os olhos da fé abertos pelo Espírito pode compreender (a noção de pecado, por exemplo). Nesse sentido, uma passagem apropriada é a do Ato I, Cena V de Hamlet, obra de William Shakespeare. Ao avistarem o fantasma do pai de Hamlet, Horácio, um intelectual e amigo de Hamlet afirma “Isso é estranho”, ao que Hamlet responde “Há muito mais coisa no céu e na terra, Horácio, do que sonha a nossa pobre filosofia”. Hamlet não está desprezando a razão, mas entende que há coisas além dela. Segundo Madureira, “a inteligência humilhada é também a consciência da humilhação da razão que nos faz reconhecer o papel fundamental da fé. A razão não precisa morrer, só precisa dobrar os joelhos. A razão que se sujeita a Deus não deve se envergonhar da sua sujeição, nem se inferiorizar pelo fato de reconhecer sua dependência da revelação. Pelo contrário, a razão, consciente da sua miséria, deveria ser grata pela dádiva da revelação, pois, como aprendemos com nossas mães, quando alguém nos dá um presente, a única reação adequada é a gratidão. É possível ser inteligente e, ao mesmo tempo, piedoso.” 


CONCLUSÃO: NEM BALÃO E NEM TOUPEIRA 

No início comparei o fideísta a um balão, pois está sempre com a mente “nas nuvens” da fé e o cientificista a uma toupeira, pois está sempre com os pés “na terra” da razão. Jonas entende que o cristão que reconhece a sua inteligência humilhada, que cultiva tanto a fé como a razão, utilizando ambas para a glória de Deus, não é nem balão e nem toupeira, e utiliza-se de uma frase de Chesterton com a qual eu quero concluir: 


O homem não é um balão que sobe ao céu nem uma toupeira que vive unicamente cavando na terra, mas antes, algo semelhante a uma árvore, cujas raízes se alimentam da terra enquanto os ramos mais altos parecem subir quase até às estrelas.

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Referências: 


Allan Macedo de Novaes (2008). Imprensa e cientificismo: uma reflexão sobre a imagem da ciência construída pelo discurso jornalístico. Acta Científica. Ciências Humanas, 1 (14), 9-19. Disponível em: https://revistas.unasp.edu.br/acch/article/view/43 4. Acesso em: 23 mai. 2022.

Alvin Plantinga e Nicholas Wolterstorff. Faith and Rationality: Reason and Belief in God (Notre Dame University of Notre Dame Press), p. 87. Coleção Estudos. Disponível em: https://docero.com.br/doc/5x1e0nc. Acesso em: 23 mai. 2022.

Cláudio Fernandes. Eugenia nazista. História do Mundo, [s.d.]. Disponível em: https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/eugenia-nazista.htm. Acesso em: 23 mai. 2022.

David T. Koyzis. Visões e ilusões políticas: uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas (São Paulo: Vida Nova, 2014).

FILOSOFIA. [S.1]: Bernoulli, [20–1. V. 7. https://docero.com.br/doc/5x1e0nc. Acesso em: 23 mai. 2022. 

Jonas Madureira. Inteligência Humilhada (São Paulo: Vida Nova, 2017).

Solange Ferreira de Moura [organizador]. Livro didático de Fundamentos das Ciências Sociais. 1° Edição (Rio de Janeiro: Editora Universidade Estácio de Sá, 2013), p. 78. 

Luiz Alberto Sayão. Agora sim!: teologia na prática do começo ao fim (São Paulo: Hagnos, 2014). p. 19. 

Marilena Chauí. Convite à filosofia (São Paulo: Editora Ática, 2000). 



6 - Apologista e escritor Jadison - Em Defesa da Fé Cristã


1. O ateísmo é fideísmo?

👉  O que significa o *Fideísmo* significa ter “fé sem base racional” , crer em algo *sem provas ou justificação racional*.


Os ateus costumam acusar os cristãos de “crerem sem evidências”. Mas, quando analisamos com profundidade, *o próprio ateísmo é uma fé sem evidências.


Por exemplo, o ateu precisa *crer* (sem conseguir provar racionalmente) que:

 • O universo surgiu sem uma causa

° Que a vida é produto de não inteligência

* Que a razão humana é produto de processos não guiados vindo de símios.

* O universo é ordenado e ajustado finamente por acaso

* E que do que existe pode ser explicado apenas por causas naturais.


Nenhum desses pontos pode ser provado empiricamente, eles são *pressupostos aceitos por fé sem evidências pelo ateu.

Então, sim: *o ateísmo, na prática, é fideísta*.


 2. Dizer que “Deus não existe” é racional?

Quando alguém afirma: *“Deus não existe”, está fazendo uma **declaração universal negativa*.

Para isso ser racionalmente justificado, a pessoa teria que:

* Ter acesso a *todo o conhecimento existente*,

* Estar em *todo lugar ao mesmo tempo*,

* Saber que *em nenhum lugar do universo e fora dele Deus existe*.

Ou seja: para afirmar racionalmente “Deus não existe”, alguém teria que *ser onisciente* — o que, ironicamente, *é se colocar no lugar de Deus*.

*Conclusão lógica:*

* O ateísmo não é racionalmente justificável;

* A afirmação “Deus não existe” não é baseada em prova, mas em fé cega e limitação humana;

* A cosmovisão ateísta *precisa de Deus até para negá-Lo*, o que é uma contradição performativa.


 Resumo final:

* O ateísmo é, sim, fideísta, porque baseia-se em pressupostos aceitos por fé sem evidências.

* A afirmação “Deus não existe” não é racionalmente sustentável.

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