Explicando e avaliando cada argumento CONTRA a existência de Deus - Vídeo do Youtube

 https://www.youtube.com/watch?v=K_GFzxRuXsA 

Explicando e avaliando cada argumento CONTRA a existência de Deus


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No vídeo de hoje, vou explicar e avaliar os principais argumentos que defendem a inexistência de Deus, mas sem deixar de

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analisar os contraargumentos. Esse vídeo faz parte com um vídeo que analisa os argumentos teístas e após muitos de

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vocês pedirem, resolvi fazer a versão analisando os argumentos ateístas. Primeiro temos o problema do mal, que

Problema do Mal

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provavelmente é o argumento que faz mais pessoas deixarem de crer em Deus. O argumento é simples. Se existe um Deus,

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ele deve ser bom, onisciente e todo-eroso. E se ele é assim, então ele sabe que o mal é ruim, sabe o que está

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acontecendo e tem poder para impedir. E se ele existe e tem esse poder, por que

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ele permitiria o mal? Porque crianças vivem em condições desumanas? Por que que inocentes são torturados? Por que

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desastres naturais destróem comunidades inteiras? Essa dúvida que faz tantas pessoas deixarem de crer em Deus aparece

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com força, porque ela não vem de um simples questionamento teológico ou lógico, mas do fundo das nossas emoções.

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E essas emoções são a primeira linha de defesa de muitos contra a existência de um deus permite tanto sofrimento. Esse

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questionamento é o famoso paradoxo de Epicuro. Se Deus é onipotente, ele pode eliminar o mal. Se Deus é onisciente,

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ele sabe que o mal existe. E se Deus é benevolente, ele deseja eliminar o mal.

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Essa ideia ganhou força moderna com David Hilm. Ou Deus quer impedir o mal e não pode, então é impotente. Ou pode e

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não quer, então é cruel. Porque se ele pode e ele quer, por que que existe o

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mal? Em ambos os casos, ele não existe, ou pelo menos não é o deus que dizem que

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existe. Um exemplo clássico que William Roll usava era o seguinte: imagine que um filhote de cervo fica preso numa

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floresta após um incêndio natural. Ele sofre por dias com queimaduras terríveis até morrer. E ninguém nunca soube

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daquilo. Que bem maior surgiu daquele sofrimento gratuito? Que lição foi ensinada? Ou que liberdade foi

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preservada? Basicamente, ele argumentava que esse tipo de sofrimento parece completamente desnecessário. E se Deus

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existisse e fosse bom, esse tipo de mal não deveria acontecer. Mas um ponto interessante nesse argumento é que R,

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apesar de ser ateu, admitia que era possível sim que Deus tivesse razões que nós não conseguimos entender. Ele só

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achava que, dadas evidências, a existência de Deus era improvável. Ou seja, ele não dizia a partir do

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argumento do mal que Deus não existe. Ele dizia: "Diante do sofrimento absurdo

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que vemos, é mais racional pensar que Deus não existe." Mesmo assim, ele

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defendia o ateísmo modesto, ou seja, ele achava que até que era possível que pessoas inteligentes, racionais

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acreditassem em Deus, mesmo com a existência do mal, apenas achava mais improvável. Resumindo o pensamento de R,

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para ele, o mal não prova que Deus não existe, mas torna a existência de um Deus bom e todo-pereroso, mas

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improvável. Porque há muitos sofrimentos que não parecem ter propósito algum. E mesmo que um propósito exista, não há

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como saber. Então, é mais lógico duvidar da existência de Deus do que manter a crença.

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Alguns podem contraargumentar dizendo que o mal é um resultado direto da liberdade humana, o que eu particularmente acho totalmente

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coerente. Ora, se não fosse possível fazer o mal, não teríamos uma verdadeira liberdade. O que restaria de nossas

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vidas sem a opção de escolher, senão uma sucessão de comportamentos programados? Sem o mal, não teríamos realmente a

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possibilidade de fazer o bem, porque fazer o bem sem o mal é apenas uma obrigação, não escolha. Por esse ponto

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de vista, caso exista Deus, ao permitir o mal, ele permite a liberdade de escolha. E essa liberdade seria o que

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nos torna humanos. Ok? Resposta satisfatória. Mas e quanto aos males

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naturais? O mal natural talvez seja o mais difícil de justificar, porque ele não é causado por escolhas humanas, não

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envolve liberdade e é apenas dor crua, silenciosa e impiedosa.

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Enchentes, epidemias, doenças incuráveis e animais que são devorados vivos todos os dias da natureza. Tudo isso nos leva

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para uma única pergunta: por que que um Deus bom criaria um mundo assim?

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Quem desenvolveu esse argumento com mais profundidade foi o filósofo Paul Draper na forma do problema probabilístico do

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mal natural. Novamente, Draper não dizia que o mal natural prova que Deus não existe. Ele dizia algo mais sutil e

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talvez mais forte. O tipo de mundo que observamos, cheio de sofrimento biológico e catástrofes naturais, é

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muito mais provável se Deus não existir do que se ele existir. Ou seja, se olharmos apenas para os dados do mundo

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real, sem fé e sem religião, o cenário se parece mais com o universo indiferente do que com o universo criado

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por um ser perfeitamente bom. Ora, por que um Deus bom criaria um sistema onde a sobrevivência depende da dor, onde a

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vida funciona por competição, predadores, doenças e mortes constantes? A partir disso, Draper dizia que se Deus

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existe e é moralmente perfeito, ele poderia ter criado leis naturais totalmente diferentes. Um universo onde

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a vida evoluísse sem tanto sofrimento, por exemplo. Mas não é isso que vemos. O que vemos é um sistema impessoal, onde a

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dor está embutida no próprio código da natureza. E isso, segundo Draper, faria

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mais sentido em um mundo sem Deus do que num mundo com ele. O ponto é simples. O

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mal natural não envolve culpa humana. Ele não ensina virtude, ele apenas acontece e acontece com uma frequência

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alta demais para ser ignorada. Mas esse raciocínio, apesar de forte,

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depende de algumas suposições que raramente são questionadas. A primeira é moral. Ele assume que sabemos o que é

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bem de forma absoluta, mas quem definiu que Deus, se existir, tem que seguir

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nosso senso de justiça. Niet, que era ateu, já apontava que o sofrimento é parte da realidade e que o ser humano

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tende a projetar um Deus bonzinho da forma que queremos, como fuga do absurdo da dor. A segunda suposição é emocional.

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Muito do argumento do mal se apoia em nossa revolta, não em lógica. O sofrimento nos fere e a dor para nós

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exige certa explicação. Mas a ausência da explicação para a dor não pode ser negação da existência de um ser criador.

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William R, ateu reconhecia isso. O mal pode tornar a existência de um Deus bom, improvável, mas não impossível.

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E isso se aplicaria até os males naturais. Richard Swiinburne argumenta que para o universo ser ordenado,

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inteligível e confiável, ele precisa operar segundo leis naturais físicas, mesmo que isso permita consequências

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como terremotos, doenças ou desastres. Ele diz que se Deus interviesse a todo momento para impedir esses males, o

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universo deixaria de ser estável e nós não teríamos liberdade real, nenhuma responsabilidade moral, porque

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viveríamos num mundo onde Deus manipula tudo o tempo todo. Seria basicamente um

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teatro e não uma realidade. Ou seja, para ele, males naturais não são

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desejados, mas são necessários para que o universo seja um lugar real, com ordem e causalidade.

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Porque um universo onde Deus impede todo sofrimento deixaria de ser um universo. Seria apenas um espetáculo controlado,

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onde não há consequência real, nem liberdade genuína.

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Certo? Mas se Deus quisesse, ele podia ter nos feito em algum lugar mais confortável, né? Para Richard, sim, Deus

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poderia ter criado um mundo onde ninguém sente dor, onde terremotos não acontecem, onde doenças não surgem e

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onde o fogo queima a carne, mas milagrosamente não dói. Mas nesse tipo de mundo não haveria consequência real,

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nem aprendizado verdadeiro. Não haveria perigo, nem riscos e nem perda. Portanto, também não haveria nenhuma

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oportunidade de fazer um ato de coragem, compaixão ou sacrifício. Um mundo assim

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seria seguro, mas seria falso. Seria como jogar Minecraft no modo criatível, confortável, mas sem moral, sem peso e

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sem humanidade. E é por isso que ele argumenta que para que nossas ações tenham importância real, elas precisam

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ocorrer em um ambiente fixo e impessoal, onde causas produzem efeitos previsíveis, mesmo que isso envolva

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sofrimento. OK? Digamos que você entenda essa outra visão, mas mesmo assim ainda

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não concorda, o que é totalmente válido. Mas mesmo assim ainda há um problema com o argumento do problema do mal, quando a

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intenção é provar a inexistência de Deus. Existe uma barreira onde o argumento do mal perde força totalmente.

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A ideia de Deus como causa primária. Deus, nesse sentido, não é um ser que precisa agir dentro do universo

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corrigindo o mundo como pro. Ele é a origem, a causa não causada, fora do

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espaço e do tempo. E se ele é isto, ele não tem obrigação nenhuma de seguir padrões humanos de bem ou mal. Sua

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função não é confortar, é explicar porque existe algo em vez do nada. O mal pode até ser um problema para certos

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conceitos de Deus, especialmente os que exigem um Deus moral e próximo. Mas não é nem um pouco um problema para o

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conceito racional de um criador do universo. Ele só precisa ser necessário, eterno e material. Não, gentil. No fim,

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o mal não derruba de forma alguma a ideia de Deus. Derruba apenas a ideia de um Deus que age da forma que definimos

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bem ou mal. Sabendo disso, eu particularmente classificarei esse argumento como bom, mas pelo fato de

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tantas pessoas deixarem de crer em Deus por esse motivo, terei que classificá-lo como convincente, porque não é possível.

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Eu nunca vi tanta gente deixando de crer em Deus só por causa disso. Talvez o apelo ao lado emocional ajude isso. E

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entendo totalmente como não entender. Lembro da frase escrita em uma cela no holocausto: "Se Deus existir, ele terá

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que implorar pelo meu perdão." Inclusive, eu tenho um vídeo no canal

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que trata um pouco mais sobre o assunto. Se te interessar, você pode assistir mais tarde, mas sigamos que temos mais

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argumentos para analisar. Agora temos o paradoxo da pedra. Esse argumento é uma

Paradoxo da Pedra

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tentativa de mostrar que o conceito de um Deus onipotente pode ser logicamente incoerente. A ideia central é: Deus pode

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criar uma pedra tão pesada que nem ele possa levantar? Se a resposta for sim,

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então existe algo que Deus não pode fazer, levantar a pedra. E se a resposta for não, então ele não pode criá-la. Em

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ambos os casos, Deus deixa de ser onipotente. Esse tipo de problema não é

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recente. Já no século XI, Tomás de Aquino discutia se a onipotência de Deus permitia que ele fizesse o mal, mentisse

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ou criasse absurdos lógicos. Mas foi só no século XX que esse paradoxo tomou a forma que conhecemos hoje. Um dos

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filósofos que mais contribuiu para isso foi John Lesley Mac, um ateu australiano que analisou as supostas contradições

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nos atributos que damos a Deus. Apesar dele não ter inventado paradoxo, ajudou a torná-lo conhecido como uma das

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objeções mais comuns contra a ideia de um Deus onipotente. Ele via essas tensões como sinais de que a teologia

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tradicional pedia coisas logicamente impossíveis e, portanto, incoerentes. Em

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resposta, veio George Mevrotes, filósofo teísta, que desmontou o paradoxo com

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argumento simples e preciso. A tarefa proposta é logicamente absurda. Ele

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explicou que criar uma pedra que um ser onipotente não pode levantar não é uma tarefa possível, nem mesmo em princípio.

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Simplificando, é como perguntar se Deus pode desenhar um círculo quadrado, se pode criar um número maior que todos os

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números ou se pode criar um triângulo com cinco lados. Isso não é difícil, é contraditório. Essas não são limitações

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de poder, mas contradições internas. Ele argumentou que a onipotência deve ser entendida como a capacidade de fazer

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tudo que é logicamente possível e que exigir o impossível lógico não é uma medida válida do poder de alguém. E a

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crítica de Mavrads teve tanto peso que foi aceita até por pensadores ateus. E é curioso como em debates públicos

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argumentos como esse ainda ganham atenção, mas entre os filósofos sérios ele já está ultrapassado faz tempo.

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Grappy, um dos principais filósofos ateus da atualidade, considera que o paradoxo da pedra não é um argumento

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sério contra o teísmo. Em sua obra debatendo sobre deuses, ele praticamente ignora essa objeção, preferindo focar em

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argumentos mais fortes, como a autossuficiência do universo, que logo veremos. A posição dele é clara. O

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paradoxo da pedra depende de uma caricatura da onipotência e qualquer teísta minimamente cuidadoso consegue

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evitá-lo. No fim, o paradoxo sobrevive mais como um exercício de lógica informal do que

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como uma crítica real à ideia de Deus. É uma pergunta construída com palavras que quando analisadas com precisão, revelam

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apenas um erro de categoria, não um erro na ideia de Deus. Dito isso, apesar de

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ser uma ideia divertida para debater, para puxar um assunto mais reflexível ou até provocarem discussões superficiais,

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entre filósofos sérios, esse argumento é totalmente descartado. E o motivo é simples. Ele não revela uma contradição

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em Deus, mas uma confusão na própria formulação da pergunta. Ao tentar forçar Deus a uma tarefa logicamente absurda,

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como criar um ciclo quadrado, o argumento falha em seu próprio objetivo. Ele não mostra uma fraqueza na ideia de

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onipotência, mas uma fraqueza em como ela é entendida por quem a critica. Então, teria que classificar teu

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argumento como converte pro teísmo porque ao invés de enfraquecer a crença em um criador, o paradoxo da pedra pode

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nos fazer perceber que nem tudo que parece um desafio é realmente uma objeção e que a unipotência, quando bem

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definida, talvez seja completamente coerente. Agora temos o silêncio divino ou o

Silêncio Divino

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argumento da ocultação de Deus. Este argumento é uma tentativa de mostrar que se Deus existe e deseja se relacionar

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com suas criaturas, então ele deveria ser menos ausente. A base é simples. Um

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pai amoroso não se esconde do próprio filho. Um pai bom tenta se relacionar ao máximo e faz de tudo para que o filho

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não se sinta abandonado. E se Deus é um ser pessoal, bom e interessado em nós,

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por que tantos seres humanos, sinceros e abertos à verdade vivem toda a vida sem sequer perceber um sinal dele? O

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filósofo que mais desenvolveu essa ideia foi Shellenberg, ateu canadense, que sistematizou esse raciocínio em sua obra

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Ocultação Divina e Razão Humana. Segundo ele, se existe um Deus que deseja um

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relacionamento com seres humanos, como afirmam as tradições teístas, então não deveria haver descrentes não culpados. O

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que ele quer dizer com isso é que não deveria haver pessoas honestas, racionais e sinceramente abertas à verdade, que mesmo assim não creem em

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Deus. Ou seja, se Deus é pessoal e interessado em nós, então o ateísmo sincero não deveria existir. A descrença

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só faria sentido como rejeição voluntária ou rebeldia. E para ele, a existência dessas pessoas é incompatível

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com a ideia de um Deus pessoal e amoroso. Então, o silêncio prolongado de Deus diante do sofrimento, da dúvida e

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da busca sincera seria, nesse argumento, uma espécie de negligência divina. E se

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é assim, provavelmente esse Deus não existe. A resposta a esse argumento mais

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conhecida veio de Alvin Plantinga, um dos principais filósofos teístas do século XX. Para ele, o silêncio de Deus

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não é sinal de ausência, mas de um propósito mais elevado, formar seres humanos livres e moralmente autênticos.

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A presença evidente de Deus, segundo o Plantinga, poderia coagir a crença. E Deus quer amor e confianças livres. Ele

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também argumenta que a crença em Deus pode ser racional, mesmo sem provas empíricas, funcionando como uma crença

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básica, como acreditar na existência do mundo externo na própria memória. Para ele, Deus não se esconde, ele apenas não

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se impõe. Mas essa explicação também foi criticada. Selenberg responde que esse

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argumento da liberdade não se sustenta diante de casos reais de sofrimento. Ele pergunta: será que uma criança órfã que

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reza à noite esperando uma resposta é alguém que precisa ser protegido da presença de Deus? para não ter sua

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liberdade violada. Ele diz então que esse tipo de justificação teísta romantiza um

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silêncio que na prática parece abandono. E filósofos como Theodor Drange, também

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ateu apontam que a explicação de Planting é fraca porque admite que Deus só se revela a quem já está prédisposto,

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o que na visão deles é uma forma disfarçada de dizer que Deus só se mostra quem já acredita. Portanto, isso

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transformaria a busca honesta em algo irrelevante e tornaria o relacionamento com Deus um jogo de sorte ou de

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disposição psicológica prévia. Outros ateus pressionam a ideia de Plantinga de outra forma. Mesmo se Deus quisesse

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preservar o livre arbítrio, existiriam muitas formas de se revelar sutilmente, sem coagir ninguém, como um sussurro no

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momento certo, um sonho claro ou um encontro providencial. Porque ao olharmos o todo, o silêncio absoluto não

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parece pedagógico, parece desnecessário. E nesse ponto, o argumento da ocultação

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mostra uma suposta contradição entre um Deus que ama e um Deus que se cala. Alguns teístas ainda tentam outra saída.

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Dizem que Deus revela de outras formas, através da natureza, da beleza, da moralidade ou da consciência. Mas os

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ateus rebatem. Esses sinais são problemáticos. podem apontar para Deus, mas também podem ser explicados sem ele.

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E um sinal que se confunde com o acaso não é sinal, é ruído. No fim, o

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argumento da ocultação continua em aberto. Para alguns, ele revela uma falha na ideia de um Deus pessoal. Para

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outros, apenas reafirma a natureza sutil da fé de que temos que crer em um Deus pessoal sem ter uma certeza absoluta.

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Mas o que ninguém pode negar é o peso existencial desse silêncio. A ausência de Deus é mais perturbadora do que sua

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negação. Porque se Deus não existe, o universo é indiferente. Mas se ele existe e escolheu se calar, então o

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problema já é outro. Não é a ausência de um criador, é a ausência de um pai. E talvez isso doa ainda mais.

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[Música] Novamente, assim como o problema do mal, esse argumento não é um problema para um

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Deus criador impessoal, mas talvez seja para a ideia de um Deus pessoal. Pois a partir do momento em que se define um

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Deus pessoal, é necessário recorrer à fé para sustentar essa crença, o que em si não é um problema, mas para refutar o

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argumento do Deus oculto, será preciso entrar em premissas que pertencem à sua fé e não necessariamente a fundamentos

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racionais universalmente compartilhados. Dito isso, creio que esse argumento

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merece o posto de convincente, pois apesar de não anular a ideia de um Deus criador, expõe uma atenção real que só

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pode ser resolvida dentro da fé de quem crê em um Deus pessoal. Vamos agora pra ideia do universo

Universo Grande

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grande. O argumento do universo grande parte de uma pergunta simples, mas intrigante. Se Deus criou o universo

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para abrigar a vida humana, por que que ele é tão vasto, antigo e inóspito?

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A imensa maioria do cosmos é composta de vácuo, radiação mortal, galáxias colidindo, estrelas em colapso e uma

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vastidão que sequer poderemos alcançar. E se existimos por intenção de um ser superior, por que tudo ao nosso redor

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parece gritar por indiferença? [Música] Esse argumento não é novo. David Hilm já

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fazia perguntas parecidas, mas foi no século XX que ele ganhou força com o avanço da cosmologia moderna. Carl

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Seagan, astrônomo e divulgador científico, foi um dos que mais popularizou essa ideia ao dizer que a vidão do universo sugere que a vida

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humana não é o centro de nada e que se há um propósito, ele está muito bem escondido. Bertraton Russell, filósofo

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britânico que você viu na capa desse vídeo, também apontava que a insignificância da Terra diante da escala cósmica era um forte indício

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contra a ideia de um universo criado como intenção pessoal. O argumento, em resumo, diz: "Se Deus criou o universo

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com o ser humano como propósito central, esperaríamos um universo eficiente e voltado para esse fim. Mas o universo

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real é imensamente grande, desnecessariamente vasto, perigoso e quase totalmente hostil à vida. E essa

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realidade parece muito mais compatível com o universo sem propósito do que com o criado por um Deus pessoal. A

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conclusão dele é que o universo como conhecemos não parece ter sido feito por um ser com intenção clara de nos colocar

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aqui. Esse tipo de argumento não é puramente científico, ele é filosófico, baseado em inferência de plausibilidade,

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ou seja, o que é mais provável de ser verdade. Ele não diz que Deus não pode existir por isso, mas afirma: "O

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universo que vemos não é o tipo de universo que esperaríamos caso Deus existisse com os propósitos que as

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religiões costumam atribuir a ele." A resposta teísta mais forte vem de

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Robin Collins, filósofo que trabalha com o chamado argumento do ajuste fino. Collins argumenta que a vastidão e a

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complexidade do universo não são evidências contra Deus, mas uma condição necessária para a vida existir. Para que

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um planeta como a Terra se formasse, era preciso tempo, matéria e processos cósmicos lentos e violentos, como

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explosões de supernovas para gerar elementos pesados, como carbono e ferro. O universo precisa de bilhões de anos e

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bilhões de galáxias para que apenas uma entre trilhões de combinações tenha as condições ideais. Em outras palavras, a

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vastidão é o preço da vida. Além disso, partindo paraa filosofia,

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outros filósofos reforçam que o tamanho do universo não tem relação direta com a importância do ser humano. Algo pequeno

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pode ser o propósito de algo grande. O valor não está no espaço culpado, mas no significado.

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Há também um argumento de que Deus pode ter outros propósitos além de criar humanos. Talvez o universo tenha sido

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feito para exibir sua glória, sua beleza ou sua ordem, mas muitos ateus respondem que isso soa como pós-racionalização.

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Para Carol, físico ateu, essas respostas se ajustam ao que já foi descoberto, mas não prevém nada. Um universo vazio,

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indiferente, antigo e gigante é exatamente o que esperaríamos se não houvesse propósito algum. Além disso,

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ateus como Dawkins argumentam que mesmo que a complexidade do universo permita a vida, isso não significa que foi feito

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para isso. A vida, basicamente pode ter sido uma emergência local de um caos impessoal. O fato de que um planeta

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entre trilhões suporta vida não implica intenção, implica apenas probabilidade.

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Outros, como já mencionado Paul Draper, diz que os teístas estão tratando a natureza como uma mensagem oculta e

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tentando decifrá-la com base no resultado final. Ou seja, tentando distorcê-la para parecer ter um motivo

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por trás. Mas isso é uma inversão metodológica. Por exemplo, imagine que você vê uma biblioteca no meio do

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deserto. É normal pensar, alguém deve ter colocado isso aqui. Mas e se o deserto for normal? E a biblioteca é só

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um ponto raro no meio de bilhões de quilômetros de vazio, talvez ela não tenha sido planejada. Talvez seja só um

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acaso pequeno e improvável, mas que pode acontecer num universo tão grande.

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Apesar disso, mesmo entre os ateus, o argumento do universo grande não é considerado por si só um argumento

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definitivo contra Deus. Ele é visto como apoio a uma ideia maior, a de que o universo não dá sinais claros de design

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pessoal e por isso acreditar em Deus exige fé. Essa ideia de que o universo não dá

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sinais claros até pode ser confrontada com ajute fino, mas como já falei sobre nesse outro vídeo, não vou entrar em

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detalhes aqui. Sigamos. O próprio Graham Oppy raramente usa o argumento do universo grande sozinho. Ele o insere

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dentro de quadros maiores, como a ausência de sinais divinos, a falta de experiências religiosas universais e a autossuficiência do universo. Em resumo,

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o argumento do universo grande não é um golpe fatal contra o teísmo, mas é uma provocação forte. E quando combinado com

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outros argumentos, ele se torna parte de um quebra-cabeça que, aos olhos ateus, forma um cenário mais plausível, um

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universo natural, indiferente e impessoal, no qual a vida, embora bela,

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talvez não tenha sido desejada, apenas aconteceu. Sabendo disso, acho que é justo

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classificar este argumento com bom, porque apesar de pôr em cheque a ideia de um design inteligente, alguns teístas

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podem argumentar que a vatidão do universo não precisa ter sido feita exclusivamente para a vida humana, mas pode mostrar a grandeza e o poder de um

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criador que criou algo tão impressionante, seja esse criador pessoal ou impessoal. Basicamente, ele

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coloca em cheque a ideia de um Deus pessoal que teria um propósito específico para a vida humana dentro de

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um universo imenso. No entanto, ele não nega a possibilidade de um criador, apenas questiona o modelo tradicional em

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que Deus criaria tudo com a intenção de focar na humanidade.

Onisciência Incompatível

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Agora temos o argumento de que a onisciência é incompatível com a onipotência. A ideia é simples. Se Deus

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é onisciente, então ele sabe exatamente o que fará no futuro. Mas se ele sabe com certeza o que fará, então não pode

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fazer diferente. E se não pode fazer diferente, então não é onipotente. Esse argumento é apresentado pelo mesmo

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John Lesley Mac que vimos anteriormente. Ele afirma que muitos atributos clássicos atribuídos a Deus entram em

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conflito lógico entre si. Porque, por exemplo, se Deus sabe infalivelmente que amanhã criará uma estrela, então ele não

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pode, na última hora, decidir não criar nada. E se o conhecimento dele é infalível, então ele está preso ao que

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sabe. E se está preso, então não é livre. E se não é livre, então não é onipotente. Tomás Jaquino discorda. Na

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suma teológica, ele diz que Deus sabe o que fará porque ele mesmo quer fazer aquilo. Para ele, sua unisciência não é

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passiva, mas ativa. Ele é a causa de tudo, inclusive de suas próprias ações.

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Ou seja, se ele sabe que fará X, é porque escolheu X. E se ele escolhesse Y, saberia Y. Vou explicar essa ideia de

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uma forma mais simples. Deus sabe tudo que vai acontecer, mas ele não precisa esperar o futuro para saber. Isso

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acontece porque para Deus saber é algo ativo. Ele sabe o que vai acontecer porque ele mesmo decide o que vai

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acontecer. Então quando dizemos: "Se Deus escolhe fazer algo, ele sabe o que vai acontecer". É porque o ato de

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escolher é o que garante que ele vai saber o que vai acontecer. Ou seja, ele não é limitado pelo futuro. Ele já sabe

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o que vai acontecer porque ele mesmo que decide. Para Tomás, o conhecimento de Deus é fruto da própria vontade de Deus.

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Ele não sabe porque algo está determinado. Ele sabe porque determinou. E mesmo assim sua liberdade continua

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intacta, pois tudo que ele sabe, ele sabe porque ele quer. Boécio, séculos

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antes, disse algo parecido. Em a consolação da filosofia, ele afirma que Deus está fora do tempo.

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Para nós, há passado, presente e futuro. Para Deus tudo é presente. Ele não prevê, não espera e nem antecipa. Ele

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vê. E o que ele vê, ele vê eternamente. O tempo não afeta. Logo, o argumento de

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que ele sabe o que vai fazer e por isso não pode mudar, não se aplica, porque ele não sabe antes para depois fazer.

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Tudo já está diante dele. A alvantinga, que já vimos, reforça. Para ele,

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onipotência não inclui fazer o ilógico. Deus, por exemplo, não pode criar um quadrado redondo e isso não seria uma

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limitação, seria coerência. Da mesma forma, não pode saber com certeza que fará X e depois fazer Y. Isso seria uma

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contradição lógica, porque a onipotência supostamente incluiria tudo que é logicamente possível. E o impossível,

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como contrariar um saber infalível, não é um poder, mas uma incoerência.

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Mas alguns ateus levantam outra objeção. Mesmo fora do tempo, sua ação já está

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definida. E se está definida, a liberdade é só aparência. O poder de agir diferente, que é o que define

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liberdade, desaparece. Então, Deus se torna prisioneiro do próprio saber.

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Svin Burn leva isso ainda mais longe. Ele diz que Deus não sabe com certeza o que vai acontecer. Ele sabe tudo que é

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possível acontecer, mas o futuro livre, o futuro aberto, nem Deus conheceria com perfeição. Par Zin Burn, isso não

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diminui Deus, isso torna verdadeiramente livre, porque liberdade exige incerteza.

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E um ser que sabe com infalibilidade o que fará, já não escolhe, apenas realiza.

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E isso, segundo ele, negue o livre arbítrio até para Deus. Mas há também quem diga que isso é só um problema se

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você entende liberdade como poder fazer o contrário. A tradição compatibilista

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defendida por autores como o próprio Tomás de Aquino, propõe que a liberdade não significa indecisão ou incerteza,

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mas simplesmente que a ação vem de dentro do agente e não de uma força externa. Deus é livre porque faz o que

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quer. Mesmo que não possa agir de outra forma, se ele age conforme sua natureza e vontade, ele é livre. Nesse caso, a

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onisciência não eliminaria a liberdade. Só redefine o que ela significa.

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Outros conseguem ir além. Luís de Molina, no século X, propôs o conceito de conhecimento médio. Para ele, Deus

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sabe não só o que é e o que será, mas também o que qualquer ser livre faria em qualquer situação possível.

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Esse modelo chamado de molinismo foi desenvolvido há menos tempo pelo William Crate. Nele, Deus conhece todas as

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escolhas possíveis de todos os agentes livres e com base nisso, pode planejar um mundo onde tudo ocorre sem violar a

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liberdade de ninguém. Por exemplo, ele sabe que fará X não por destino, mas

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porque em circunstâncias que ele mesmo quis criar, ele escolherá X. Assim, a liberdade e o saber absoluto coexistem.

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Por fim, a filosofia da simplicidade divina, também presente em Tomás de Aquino, afirma que Deus não tem partes,

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não tem processos, não tem antes e nem depois dentro de si. Ele não pensa, depois escolhe, depois age. Nele,

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querer, saber e fazer são uma coisa só. Basicamente, quando dizemos que Deus

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sabe o que vai fazer, estamos impondo categorias humanas sobre algo que está além do tempo e do espaço. O problema,

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nesse caso, então, não estaria em Deus, estaria na linguagem que usamos para descrevê-lo. Logo, toda separação entre

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conhecimento e vontade já é uma distorção. E qualquer contradição que surge daí seria nossa, não dele. No fim,

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há duas posturas. Para uns, a tensão entre saber e poder é lógica. Para

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outros, é uma ilusão causada pela linguagem humana que tenta descrever o eterno com palavras temporais.

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Mas talvez o problema seja mais profundo. Talvez a verdadeira questão não seja se onisciência e onipotência

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são compatíveis, mas se realmente podemos conceber esses atributos divinos com nossa razão finita. Como o Kant

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apontou, talvez estamos projetando nossas próprias limitações em algo que está além da nossa compreensão. Deus,

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como uma coisa em si, pode ser tão além das nossas categorias de conhecimento que qualquer tentativa de defini-lo com

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perfeições humanas seja em última análise infrutífera. A questão nesse caso, não seria se Deus

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pode ser onipotente e onisciente, mas se podemos verdadeiramente compreender as suas perfeições dentro dos limites da

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nossa própria experiência. Esse argumento, por tocar na própria natureza divina, se torna um dos mais

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difíceis de se debater. Mas particularmente acredito que, apesar de ser um exercício lógico brilhante, ele

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não chega a invalidar a existência de Deus. No máximo, o que ele colocaria em cheque seria a compatibilidade entre

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onipotência e onisciência, mas não a existência de Deus criador em si. Por isso, considero justo classificá-lo como

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bom. Porque os contraargumentos teístas, embora para alguns possam soar como pós-racionalizações, são no geral

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sólidos e bem desenvolvidos. Por último, mas no menos importante, temos o argumento da autossuficiência,

Autossuficiência do Universo

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que propõe que o cosmos em sua totalidade pode existir sem a necessidade de um criador transcendente.

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A premissa central desse argumento é simples. Se tudo o que observamos no universo pode ser explicado por leis naturais e processos físicos, se a

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necessidade de postular um ser externo, então a hipótese de Deus como criador se torna desnecessária. A ideia é que o

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universo, com sua complexidade e ordem, pode ser autoexlicativo sem a intervenção de uma entidade externa.

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E isso confronta diretamente os principais argumentos teístas que afirmam que o universo não pode ser mais

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do que a manifestação de um ser superior. Um dos princípios centrais que sustenta

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esse argumento é a navalha de Oak, que foi proposta por William de Okan no século XI. Este princípio filosófico

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afirma que ao tentar explicar um fenômeno, devemos preferir a explicação mais simples. E o naturalismo, por

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exemplo, diz que o universo pode ser entendido sem precisar de algo além da natureza, como um criador. E se já

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sabemos como o universo funciona com base nas leis naturais que podemos observar e estudar, então a ideia de

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Deus como a causa do universo não acrescenta muito a explicação, apenas complica o que era para ser simples.

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Em contraste, o argumento cosmológico Can, defendido por filósofos como William Crade, sustenta que, já que o

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universo teve um começo no tempo, ele exige uma causa. Crade, portanto, postula que esta causa é Deus, já que

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algo que começa a existir deve ter uma causa. David Hilm e Bertrand Russell questionam a extrapolação da causalidade

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observada no universo para o próprio universo. Humil argumenta que, embora observe que as coisas no universo tusas,

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isso não implica que o próprio universo precise de uma. Russell, por sua vez, sugere que a busca por um criador pode

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ser mais uma projeção humana do que uma exigência lógica. Basicamente, a necessidade de uma causa para o universo

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pode ser uma simples construção psicológica, um desejo humano de compreender a origem das coisas e não

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uma conclusão filosófica ou científica bem fundamentada. E esse ponto de vista fica mais forte ainda quando se alinha a

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física moderna, especialmente na física quântica, que sugere que o universo possa ter surgido sem uma causa externa,

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e sim de maneira espontânea. Em modelos cosmológicos, como proposto por Lawrence Kraus, o universo poderia terse

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originado de uma flutuação quântica no nada. Esse nada, no entanto, não é o vazio absoluto que imaginamos em termos

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filosóficos, mas sim um vazio quântico, onde partículas podem surgir espontaneamente, sem violar as leis da

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física. Em outras palavras, a origem do universo pode ser explicada por fenômenos naturais, sem que haja

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necessidade de um criador consciente ou de uma causa transcendente. Simplificando, a ideia de que algo não

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pode surgir do nada foi desafiada amplamente por descobertas na física quântica que mostram que o nada não é

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realmente o vazio e que o universo poderia surgir espontaneamente a partir dessa flutuação, sem a necessidade de

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uma causa externa. A autossuficiência das leis naturais é outra coisa muito importante esse argumento. Desde Newton,

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a ideia de que o universo opera de acordo com leis matemáticas e naturais tem sido central para a compreensão da realidade. Hulk continuou excelente

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pensamento, sugerindo que o universo funciona segundo leis universais que podem ser descritas e compreendidas

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independentemente de qualquer intervenção divina. E se o universo pode ser completamente

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compreendido através de suas próprias leis, então a necessidade de um criador consciente intencional para governá-lo

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desaparece. Em resumo, o argumento da autossuficiência do universo desafia

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diretamente a ideia de que um criador é necessário para a existência do cosmos. Porque ora, se o universo pode ser

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descrito e compreendido sem recorrer à hipótese de Deus, então a ideia de um criador transcendente não agrega valor nenhum à explicação.

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O universo, com suas leis naturais e sua complexidade, pode simplesmente ser.

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Talvez não haja necessidade de um criador que dê início ao cosmos ou de uma mente transcendente que guie suas

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leis. O próprio universo, nessa visão, é capaz de explicar a sua própria existência com seus processos e

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propriedades. Portanto, esse argumento coloca em questão a necessidade de um criador consciente, oferecendo uma

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alternativa naturalista e filosófica ao conceito tradicional de Deus como criador do universo.

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Esse argumento para mim, sem dúvidas, é o mais forte contra a existência de Deus, principalmente porque todos os

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outros apresentados tentam refutar uma característica um modo de agir desse tal ser superior. Já esse argumento não, ele

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confronta a própria existência de um criador. Não há posto mais digno para ele do que o posto de irrefutável.

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E como eu expliquei no vídeo passado, coisa que muita gente não entendeu, quando eu digo que um argumento é

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irrefutável, não significa que ele não pode ser questionado ou discutido. O que quero dizer é que não existe um

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argumento que possa derrubar ele completamente. Existem outras ideias que podem ser apresentadas, mas elas são

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apenas alternativas que algumas pessoas acham mais prováveis. Por exemplo, quando eu falei sobre o argumento cosmológico no vídeo anterior, o

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classifiquei como irrefutável. Isto porque, embora existam contraargumentos como esse, o argumento cosmológico ainda

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é muito forte e não há algo que o desminta por completo, assim como esse. E ele, assim como esse, permanece

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relevante mesmo diante de outras alternativas. Ambos são postos na mesa e diante disso, cada um escolhe o que acha

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mais plausível. Então aqui chegamos ao fim do vídeo. Espero ter sido claro ao explicar os argumentos e ao justificar

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minhas classificações. E como sempre digo aqui, independentemente de minha crença pessoal, tenta ao máximo

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apresentar ambas visões filosóficas sem que minha opinião interfira na apresentação delas. E se você gosta desse tipo de conteúdo, peço que se

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inscreva no canal e deixe um like no vídeo. Se quiser nos apoiar, você também pode fazer parte da assinatura de membros. É baratinho e ajuda bastante o

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crescimento do canal. De qualquer forma, obrigado por assistir.

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