Entalpia de Reação (Introdução à Termodinâmica da Origem da Vida) Aula 1 - Eduardo Lutzer - Verdade nua e crua
https://www.youtube.com/watch?v=x8FJGMGcbHs
Entalpia de Reação (Introdução à Termodinâmica da Origem da Vida) Aula 1
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Bom dia, senhores. Eu sou Eduardo Luter,
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químico, pesquisador da área da química
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prebiótica e você está no canal Verdade
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No e Crua. Eu estive aguardando para
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fazer um vídeo resposta de um vídeo que
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foi prometido. Disseram que juntaram um
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monte de químicos aí para responder o
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meu vídeo sobre homoquirogênese e eu
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fiquei aguardando que alguma coisa
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acontecesse, mas já se passaram duas
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semanas e nada aconteceu. Então eu vou
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seguir em frente e vou preparar minha
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última série de vídeos antes das minhas
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aulas retornarem. Semana que vem volta
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as minhas aulas. Então eu vou dar uma
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pausa até o final do semestre só lá em
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dezembro. Mas para não deixar o canal
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assim morto, vazio até lá, eu vou fazer
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um vídeo focado na termodinâmica da
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origem da vida. O problema é que em
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termodinâmica entra inevitavelmente em
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entropia. E qualquer assunto que envolva
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a entropia é complexo, porque a entropia
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em si é um tema muito abstrato, não é
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palpável, você não consegue sentir e
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tocar. ela mexe com probabilidade e tem
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muitos outros conceitos por trás dela.
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Então, melhor do que eu simplesmente
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fazer um vídeo que a maior parte das
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pessoas não vão conseguir entender, é
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fazer uma série de vídeos tentando
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garantir que boa parte das pessoas pelo
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menos entendam. Então, o que eu vou
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fazer? Eu vou gravar um vídeo hoje aonde
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eu vou explicar todos os conceitos
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fundamentais para entender a entropia
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antes de falar de termodinâmica. Eu vou
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dividir esse vídeo em várias partes e
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postar uma parte por semana e assim o
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canal fica ativo por mais um tempo.
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Agora que minhas aulas estão voltando e
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eu não vou conseguir continuar gravando
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o vídeo periodicamente. Então, se você
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não é químico ou físico, eu recomendo
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fortemente que você assista todos os
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vídeos que eu vou fazer com os conceitos
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fundamentais. Eles não serão
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argumentativos, eles vão ser no estilo
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aula mesmo. Eles também não serão
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exaustivos, muito longos e detalhados.
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Eu só quero que você entenda os
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conceitos mais qualitativamente do que
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quantitativamente, para que quando eu
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estiver falando disso num vídeo
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realmente propriamente de termodinâmica,
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você diga: "Ah, beleza, esse conceito eu
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já sei das aulas anteriores." Então eu
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vou gravar um vídeo sobre entalpia, um
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vídeo sobre o princípio de lexoatelier,
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entropia propriamente dito, não ainda
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ligado à termodinâmica da origem da vida
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e energia livre de gibs. Pelo menos
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esses quatro conceitos você precisa
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entender antes de nós e nos
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aprofundarmos na termodinâmica
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relacionada à origem da vida. Então,
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serão conceito por semana e depois mais
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um ou dois vídeos falando realmente
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sobre termodinâmica aplicada à química
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prebiótica. Se você não quiser ver esses
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vídeos, se preocupar só lá com a parte
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final, tudo bem. Eu sei que vídeo que
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não tem rebate, eh, debate, treta, tem
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bem menos views, mas a minha intenção
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aqui no canal é instruir, passar
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informação. E é justamente isso que eu
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vou me focar, mesmo que tenha poucos
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views, porque o meu objetivo é que lá no
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final, quando for falar de
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termodinâmica, daqui mais de um mês,
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você tenha pelo menos esses conceitos
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básicos na cabeça, mesmo que não se
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torne um especialista nisso, mas pelo
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menos eu te garanto que você vai
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entender o que eu tô querendo dizer.
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Então, sem mais delonga, vamos pro
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vídeo.
Definição
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O primeiro conceito fundamental para
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você entender sobre termodinâmica,
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especificamente sobre a segunda lei da
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termodinâmica, é a entalpia. No decorrer
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do vídeo, eu vou ficar movendo a minha
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cabeça de um lado pro outro aqui para
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procurar lugares aonde os slides não
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estão ocupando, para tentar não tapar
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nada aqui na frente da tela de vocês.
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Entpia nada mais é do que a energia
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gasta para quebrar ligações atômicas e a
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energia resultante das novas ligações
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atômicas para a formação de novas
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moléculas. Um exemplo ilustrativo de
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entalpia é a decomposição da
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nitroglicerina, que é uma reação que
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libera muita energia. O problema é que
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ela extremamente instável e isso custou
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a vida de Alfred Nobel antes de
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conseguir finalmente estabilizá-la.
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Quando ele finalmente conseguiu
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estabilizá-la na forma da dinamite, ele
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não ficou só rico, ele ficou podre de
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rico, porque a sua invenção não foi
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usada só em construção e mineração, como
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era a sua intenção, mas também para
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guerras. Isso foi um avanço militar
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enorme. E por conta disso, ele acabou
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ficando conhecido como o mercador da
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morte. Isso afetou bastante o
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psicológico de Alfred Nobel. Tanto é que
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ele decidiu criar um fundo de
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investimento que premiasse os maiores
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cientistas por pelas descobertas mais
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proeminentes em suas áreas para o avanço
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da ciência e da humanidade como um todo,
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conhecido como Prêmio Nobel, que é a
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mais alta honraria dentro da ciência
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como um todo e tudo porque ele conseguiu
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controlar a entalpia da decomposição da
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nitroglicerina. Mais tarde foi
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desenvolvido TNT, mas não por ele. E
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hoje em dia nós usamos em talpinha
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praticamente tudo, desde o seu
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refrigerador, que usa um processo de
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condensação de gases, que é um processo
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endotérmico, faz com que a temperatura
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resfrie. Enfim, o que que é entalpia?
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Entalpia nada mais é do que um
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equilíbrio da energia gasta pelos
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reagentes e a energia produzida pelos
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produtos. Então você vai colocar na
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balança e ver qual lado é mais forte. Se
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você precisa de mais energia para fazer
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a reação, isso é, do lado dos reagentes,
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do que a energia que será produzida
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pelos produtos, então você tem um
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processo endotérmico. O processo
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endotérmico vai precisar roubar a
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energia do meio, absorver essa energia e
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por isso a temperatura cai. Agora, se a
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energia produzida no lado dos produtos é
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maior do que a energia absorvida pelos
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reagentes, então você tem um processo
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exotérmico. Você tá liberando mais
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energia do que consumindo para quebrar
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os reagentes. Então essa liberação de
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energia também aumenta a temperatura. Os
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gráficos para visualização da entalpia,
Gráficos
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eles são bem simples. Eles se resumem a
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duas linhas paralelas e uma seta ligando
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as duas linhas. Essa seta vem dos
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reagentes e vai até os produtos. E se
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você olhar as unidades de medida, você
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consegue aplicar a fórmula dos produtos
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menos o reagente e você vai chegar na
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variação de entalpia dessa reação. Outra
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forma muito comum e eu acho que é mais
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didática de representar a entalpia é com
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gráfico de energia. No gráfico de
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energia, você tem o progresso da reação
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ao longo do tempo. Então ela começa nos
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reagentes, tem esse pico e desemboca nos
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produtos. Da mesma forma, essa variação
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dos reagentes para os produtos é a
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variação de entalpia. E esse pico é
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chamado de energia de ativação. Isso é
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um investimento energético que deve ser
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feito para que a reação aconteça. Isso
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não é possível visualizar no outro
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gráfico. Por isso esse gráfico
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geralmente é preferível, mas também vai
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depender para quê. Nesse tipo de reação,
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como os produtos têm uma energia menor
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do que os reagentes, significa que essa
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diferença de energia foi liberada e,
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portanto, é um processo exotérmico.
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Sempre que a entalpia tiver negativa, o
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processo é exotérmico, porque a entalpia
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dos produtos é menor do que a entalpia
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dos reagentes. Então aqui você está
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liberando calor. No gráfico endotérmico
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é a mesma coisa mais invertida. Os
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reagentes vão aparecer lá embaixo, vai
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ter um pico lá em cima e depois vai
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voltar aqui para os produtos. A única
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diferença agora é que a variação de
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entalpia é positiva. Isso significa que
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você tá tendo que dar energia para essa
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reação acontecer. Se você tá tendo que
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dar energia, ele não está mais
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liberando, ele tá recebendo, ele tá
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sugando energia do ambiente e, portanto,
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a temperatura vai cair. E o que tem de
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semelhante nas duas reações é a energia
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de ativação, que esse custo ele é sempre
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positivo, independente de ser exotérmico
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ou endotérmico. Eu acabei de perceber
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que a minha cara ficou na frente aqui
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esse tempo todo. Então, uma coisa que
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talvez tenha dado para perceber é que se
Lei de Hess
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você pegar uma mesma reação, transformar
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os reagentes em produtos e depois
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inverter, transformar os produtos
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novamente de volta para reagentes, a
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verão de entalpia dos dois processos é
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exatamente a mesma, só que com sinal
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invertido. E a energia de ativação,
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obviamente, tem que ser paga duas vezes,
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uma vez para cada vez que for fazer esse
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processo. Esse princípio de que a
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energia ou a entalpia das duas reações é
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precisamente a mesma, só que com sinal
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invertido, é um dos princípios básicos
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da lei de R. A lei de R considera
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reações em cadeias, que são extremamente
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comuns na química, onde várias reações
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vão acontecer em sucessão para chegar
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num produto final. E ela diz que não
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importa quantas etapas forem feitas numa
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reação, a entalpia final ela vai ser a
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soma de todas as etapas. Então, deixa eu
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tirar minha cara aqui da frente mais uma
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vez para não atrapalhar a visualização.
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Então, cada seta dessa é uma reação que
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precisa acontecer, mas a variação de
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entalpia final é a soma de todas as
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entalpias desses processos
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intermediários. Isso aqui é um pouco
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técnico. Provavelmente você estudou no
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ensino médio e possa não ter se
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apaixonado por essa matéria e você não
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precisa necessariamente saber isso, mas
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é mais a nível da aula não ficar muito
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incompleta. Então, por exemplo, essa
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aqui é a reação que nós estamos
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observando, que é diferente daquela.
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Isso aqui é só para dar um exemplo
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simples, que é basicamente grafite
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reagindo com hidrogênio para formar
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propano. O problema é que nós não
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sabemos a entalpia dessa reação, mas
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sabemos a entalpia de várias reações
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intermediárias que vão acabar cinando na
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formação do propano. E essa equação
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final, ela nada mais é do que o resumo
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de todas essas equações. Se eu conheço a
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entalpia de todas elas, eu posso
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simplesmente somar a entalpia de todos,
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desde que as equações estejam
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devidamente balanceadas. E como que eu
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faço esse balanceamento? É um processo
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trabalhoso, precisa de atenção, mas é
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muito simples de fazer. Na verdade, são
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só cinco passos que você precisa.
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Basicamente, a primeira coisa que você
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precisa fazer é identificar o que são
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reagentes, o que são produtos e garantir
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que todos os reagentes da equação final
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estejam do lado dos reagentes nas
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equações intermediárias e todos os
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produtos da equação final estejam do
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lado dos produtos nas reações
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intermediárias. Nesse caso aqui, nós
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podemos observar que não está perfeito,
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porque o produto também está do lado dos
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reagentes. Os outros reagentes estão
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perfeitos. Então, é aqui que entra
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aquela primeira parte que eu falei sobre
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a inversão de uma equação. Eu posso
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muito bem inverter essa reação, desde
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que eu também inverta a entalpia, se ela
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está negativa aqui como fortemente
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exotérmica. O passo número dois diz que
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eu posso sim invertê-la, mas eu preciso
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garantir que vou inverter o sinal da
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entalpia também. Logo, ela vai passar a
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ser endotérmica. Agora sim, todos os
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produtos estão do lado dos produtos e
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todos os reagentes estão do lado dos
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reagentes. O próximo passo é o mais
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difícil, que nesse exemplo aqui vai ser
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bem simples, mas você precisa garantir o
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balanço estequiométrico. Em outras
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palavras, você vai olhar o número de mol
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de cada reagente e produto e multiplicar
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toda a linha do reagente e do produto
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até que eles fiquem com o número de mols
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que precisavam ficar. Então aqui nos
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reagentes nós temos 3 mols de grafite.
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Significa que aqui nos reagentes
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intermediários eu também vou precisar de
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3 mols de grafite. Então eu multiplico a
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linha do grafite inteira por 3 mols,
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porque inicialmente eles só tinham um, o
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mesmo no hidrogênio. Como eu só tinha 1
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mol de hidrogênio na equação
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intermediária e precisava de quatro nos
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reagentes finais, eu vou multiplicar
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toda a linha do hidrogênio por quatro.
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Então você pode ver aqui que eles tinham
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apenas um. E agora eu multipliquei a
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reação intermediária 2 por tr por causa
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do grafite e por quatro por causa do
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hidrogênio. Oxigênio só tinha meio,
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então eu multipliquei por quatro, ficou
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com dois. E multipliquei a entalpia
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deles também pelo mesmo número que foi
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multiplicado a linha inteira, a reação
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inteira. Não preciso alterar a primeira
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reação porque o número de mols já está
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igual. Finalmente agora então eu passo
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para o processo de limpeza. Eu vou fazer
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igual eu faço numa equação matemática.
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Eu vou anular o lado dos reagentes com o
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lado dos produtos. Então, todos os
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termos que tiverem do lado dos
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reagentes, eu posso cortar dos produtos
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e vice-versa. Então, por exemplo, eu
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tenho três gás carbônicos para os
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reagentes e três gás carbônicos para os
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produtos. Não importa se eles estiverem
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na mesma linha ou em linhas diferentes.
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4H2O com 4H2O. 5O2
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com 3O2 + 2 O2. Então aqui também dá
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cinco, eu pude cortar todos eles. Então
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se eu tivesse 6 O2 aqui, então
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precisaria ter mais um O2 na equação
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final. Como não tem, então era de se
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esperar que não sobrasse mais nada.
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Então eu preciso verificar se todos os
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meus produtos e reagentes são exatamente
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os mesmos nas mesmas quantidades que
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aparecem na equação final. Se tudo isso
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bateu, agora sim eu posso fazer o último
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passo, que é somar a entalpia de todas
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as reações intermediárias. e vou chegar
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então na entalpia final da minha
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equação. Isso aqui parece um pouco
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técnico, na verdade isso é bem útil, mas
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aqui foi mais para você saber como
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funciona. Então isso daqui é a lei de
Entalpia de Ligação
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Hess. Mas agora, provavelmente o ponto
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mais importante é da onde que vem essa
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energia, qual que é a origem da energia
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dessas reações. Então quando eu vejo uma
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reação bem simples, como a combustão do
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hidrogênio, por exemplo, nós temos 1 H2,
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quando não tem nenhum número, então isso
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aqui é 1 O2. Mas como assim meia
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molécula de O2? É que isso aqui, na
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verdade, não são moléculas. Nós usamos
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moléculas para exemplificar o que
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acontece, mas isso aqui são mols. E mols
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são 602 cestilhões de moléculas ou 6,02
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x 10 a 23 moléculas. Então isso aqui é
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molécula para caramba. Meio mol é metade
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disso. 3,11
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x 10 a 23 moléculas. Ok? Então, quando
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eu falo de meio mol, ao se referir a uma
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molécula só, como no exemplo aqui
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embaixo, significa que eu vou usar
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apenas um oxigênio. O outro oxigênio vai
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fazer esse processo com outra molécula
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de hidrogênio. Por exemplo, a energia de
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ligação, ela vem dos elétrons
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compartilhados entre dois átomos em uma
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molécula. Basicamente, a pergunta é: o
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quanto de energia eu preciso para
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quebrar essa ligação eletrônica? Então
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vou precisar importar energia de fora
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para separar esses átomos que
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compartilhavam elétrons. Mas por que que
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eu preciso de energia para separá-lo?
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Você pode pensar em átomos como se
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fossem ímãs. Ímãs que estão juntos, eles
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tendem a permanecer juntos. Para você
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separar esses ímãs, você precisa aplicar
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muita força e ainda assim eles vão
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querer voltar sempre, certo? Então, é
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exatamente isso que acontece nas
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reações. Você precisa aplicar energia
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para separar os elétrons que estavam
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compartilhados e assim quebrar a
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ligações, as ligações entre eles. Uma
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vez que as ligações estão quebradas,
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como íans, eles vão querer fazer novas
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ligações. E essas novas ligações então
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produzem energia ao invés de consumir.
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Por que que elas produzem? Pelo mesmo
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motivo. Agora os ímãs estão separados.
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Quando eles chegam próximo, eles já se
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atraem umas à outras. Então, estão
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produzindo aqui, ó, energia. A mesma
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coisa acontece aqui nos átomos que estão
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fazendo novas ligações. Eles estão
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produzindo essa energia pela atração
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eletrônica dele. Então, essa entalpia de
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ligação é a diferença da energia gasta
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para separar ou destruir as ligações
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entre os átomos e a energia liberada das
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novas ligações que eles estão fazendo. E
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como que eu sei quanto de energia que
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tem essas ligações? Esses valores são
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tabelados. Químicos já passaram muitos
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anos fazendo cálculos. experimentais
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para descobrir a energia dessas
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ligações. O problema é que se você for
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comparar de em várias tabelas
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diferentes, todas elas terão valores
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diferentes, por mais que muitos
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próximos, por exemplo, a ligação entre
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hidrogênios é 436 kJ para cada mol de
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ligações quebradas. Outros trazem 435,5,
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436, então isso é muito próximo, mas
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alguns tm uma diferença maior, como por
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exemplo carbono com oxigênio, 353,5,
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357,4.
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Aqui a diferença de quatro, né? 3,9 ou
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336. Aqui já dá uma diferença de 20 kJ/
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mol. Por que que tem essa diferença?
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Porque esse valor pode variar com o
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ambiente, temperatura, pressão e até
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pela configuração do calorímetro. Mas em
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geral eles são muito próximos um dos
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outros e também deve tomar cuidado com a
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unidade medida. Pode ser kiloj por
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molcaloria
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por mol. De toda forma, escolhendo
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qualquer uma dessas tabelas, eu peguei a
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primeira aqui paraa gente dar uma
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olhada, nós conseguimos calcular a
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energia de ligação, que é necessário
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para quebrar as ligações dos reagentes,
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assim como a energia que será liberada
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com a nova ligação dos produtos. Então,
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puxando os valores da tabela, nós
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encontramos a energia de cada um deles.
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Mas perceba que aqui nos produtos nós
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temos dois hidrogênios ligando com o
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mesmo oxigênio. Então, por mais que seja
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um oxigênio só, ele está ligando com
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dois hidrogênios diferentes. Então, aqui
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nós temos duas ligações. Então, agora
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basta somar a energia dos reagentes e a
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energia dos produtos. Deixa eu tirar
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minha cara da frente para tentar não
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atrapalhar muito ou reduzir ela para
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ficar nesse meinho aqui. E agora que eu
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sei a energia, para calcular a energia
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de ligação, basta então eu subtrair a
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energia de ligação dos reagentes pela
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energia de ligação dos produtos. Isso é
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oposto da variação da entalpia, que era
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dos produtos menos os reagentes. Então
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nós temos que a combustão do hidrogênio
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é exotérmica. Isso é liberando 256,7 kJ
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para cada molcalorias.
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Se você for procurar na internet, você
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vai encontrar que é por volta de 68.
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Quer dizer, é uma aproximação, vai
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depender de tabela para tabela. Cada uma
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vai dar um resultado ligeiramente
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diferentes, mas todos muito próximos.
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Mas convém prestar atenção que nós
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estamos falando de mols gasosos. Isso é
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muito importante porque esses cálculos
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eles são feitos para gás. Uma vez que a
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única forma que você tem de ter um
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ambiente exclusivamente com uma única
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substância, isso é apenas hidrogênio e
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apenas oxigênio para interagir, eles
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precisam ser gasosos. Não é a única
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forma, mas é de longe, é muito mais
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fácil, porque se não for gasoso, vai ter
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um monte de outras coisas lá
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interferindo. Como por exemplo, se eu
Aplicação em aminoácidos
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for tratar de uma energia de ligação de
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um aminoácido em meio acoso, existe um
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monte de outras partículas ao redor que
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podem interferir e todas elas, de uma
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forma ou outra, acabam interferindo
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nessas ligações. É por isso que se você
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for fazer uma conta, e aqui a gente vai
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fazer bem rapidinho a conta da
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polimerização da glicina, por exemplo,
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nós podemos usar a mesma tabela. Eu tô
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usando aqui outra tabela terceira que eu
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coloquei lá, porque a primeira não tinha
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ligação entre C e o N. E fazendo cálculo
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para todas as ligações, você vai acabar
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descobrindo que se trata de uma reação
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exotérmica. Isso é, duas glicinas
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liberariam energia para se tornar um
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dímero de glicina mais água. O problema
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é que isso não é gasoso. E como nós
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estamos falando em um ambiente acoso, os
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cálculos experimentais mostraram que
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isso está errado. Na verdade, essa
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reação é endotérmica entre 5 e 30 kJ.
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Como ela é pouco endotérmica, ainda
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podemos dizer que o valor deu
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razoavelmente próximo, mas já o
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suficiente para trocar a sua entalpia de
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endotérmico, tendo que consumir energia
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do meio para fazer a reação para
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exotérmico, que significaria que ela
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liberaria a energia. Mas isso não é
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verdade. Então, aminoácidos precisam de
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energia externa para se tornar dímeros
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ou trímeros ou polímeros de qualquer
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tamanho. Então, quanto dizem aquela
Conclusão
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célebre frase em palestras e vários
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artigos também de que a natureza tende a
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atingir o seu estado de menor energia e
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maior entropia, por menor energia nós
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estamos falando exatamente disso. A
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natureza dá preferência para reações
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esotérmicas. E nesse ponto é importante
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entender que a palavra tende não
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significa que é exclusivo, mas é que é
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mais fácil de acontecer, porque é muito
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mais cômodo liberar energia do que ter
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que fazer um investimento energético
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para aquela reação acontecer. Já maior
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entropia é o que nós vamos ver daqui
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duas aulas por hora, como eu falei, não
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é um curso extensivo, mas é o suficiente
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para você entender que reações
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endotérmicas precisam de energia externa
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para acontecer, portanto, são mais
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difíceis de acontecer. Já as exotérmicas
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não precisam de energia externa, exceto
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pela energia de ativação e, portanto,
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são mais simples, favoráveis, mais
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fáceis de acontecer na natureza. Reações
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endotérmicas diminui a temperatura do
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sistema, enquanto reações exotérmicas
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aumentam a temperatura do sistema. E por
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hora, isso é tudo que você precisa
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saber. Eu espero que tenha ficado claro.
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Eu comecei pela entalpia porque é o
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conceito mais simples. E na próxima aula
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nós vamos falar sobre princípio de
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Lexoatelier. Ele não é diretamente
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ligado à termodinâmica, mas ele é
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correlacionado. E uma vez que você já
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sabe o que é entalpia, o princípio deixo
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atelier vai ser extremamente fundamental
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para continuar na nossa jornada. Então,
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foi um prazer estar com vocês aqui hoje.
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Nos vemos na semana que vem e Deus
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abençoe vocês.
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