Design Inteligente

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Esta é a página de Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o Design Inteligente. Assim como a página de diferenças entre criacionismo, evolucionismo e Design Inteligente, ela ficará aberta para comentários e será atualizada conforme contribuições.


O conteúdo deste FAQ está baseado nas “respostas curtas” do IDEA Center em seu recurso Intelligent Design FAQs & Primers (acessar). Aqui estarão todas as questões pertinentes, os “primers” (cartilhas) também devem ser traduzidos em algum momento.


Perguntas Frequentes:


01. O que é a Teoria do Design Inteligente?

O Design Inteligente é uma teoria científica que procura determinar se alguns objetos no mundo natural foram projetados através do reconhecimento e detecção dos tipos de informação que se sabe serem produzidos por ação de inteligência.


Definição da teoria pela TDI+

02. O Design Inteligente faz previsões? É testável?

Sim. A Teoria do Design Inteligente prevê: 1) que encontraremos complexidade especificada na biologia. Uma forma especial facilmente detectável de complexidade especificada é a complexidade irredutível. Podemos testar o design tentando fazer engenharia reversa de estruturas biológicas para determinar se existe um “núcleo irredutível”. O Design Inteligente também faz outras previsões, como 2) rápido aparecimento de complexidade no registro fóssil, 3) reutilização de partes similares em diferentes sistemas (isto é, diferentes tipos de organismos) e 4) função para estruturas biológicas. Cada uma destas previsões pode ser testada – e têm sido confirmadas através de testes!


O Design Inteligente Faz Previsões Testáveis?

03. Podemos dizer positivamente que algo foi projetado?

Essencialmente, sim, mas o design é uma inferência. No entanto, o design é uma inferência nem mais e nem menos do que a evolução é uma inferência. Ambas as teorias procuram por pistas da história para inferir o que aconteceu – mas, como qualquer teoria científica histórica, 100% de confiança não é alcançável. Poucas coisas na ciência são ditas com 100% de confiança – a maioria das afirmações científicas são, no âmago, inferências. A inferência ao design funciona assim: a partir de nossa compreensão de como agentes inteligentes operam, eles tendem a produzir altos níveis de informações complexas e especificadas (ICS). Assim, quando encontramos ICS, temos evidências positivas de design inteligente. Através desta evidência que avalia correspondência de padrões conhecidos de design inteligente, podemos inferir que um objeto de origem desconhecida foi projetado.


Métodos para o Design – Assinaturas

04. O Design Inteligente é a mesma coisa que Criacionismo?

Não. Há uma variedade de distinções cruciais entre Design Inteligente (DI) e Criacionismo:


Em primeiro lugar, o Criacionismo é sempre baseado em algum tipo de texto religioso, como tentar demonstrar o Livro do Gênesis na Bíblia. O Design Inteligente não se posiciona em textos religiosos e faz seus argumentos usando dados puramente científicos e empíricos. O DI não se baseia em textos religiosos para apresentar seus argumentos. De fato, existem vários cientistas pró-DI que não são religiosos ou têm pontos de vista religiosos amplamente diferentes. Assim, os cientistas do DI não são unificados em torno de um ponto de vista religioso ou texto religioso, mas sim unificam-se em torno da afirmação de que podemos detectar cientificamente o design em objetos naturais.


Em segundo lugar, o Criacionismo sempre postula algum tipo de criador sobrenatural ou divino. O Design Inteligente não tenta especular sobre a natureza ou a identidade do designer porque reconhece que os dados científicos, por si só, não podem responder a perguntas sobre se o designer é sobrenatural. Assim, o DI tenta limitar suas reivindicações ao que pode ser verificado por meio dos dados científicos. Essa é uma distinção crucial entre DI e o Criacionismo, porque o Criacionismo frequentemente vai além dos dados científicos e faz afirmações filosóficas ou religiosas sobre a identidade do designer.


Há uma página dedicada a isso:


Diferenças entre Evolucionismo, Criacionismo e Design Inteligente

05. É apropriado justificar a Teoria do Design Inteligente através de analogias?

Argumentos por analogia podem ser válidos se houver similaridade suficiente entre o caso na analogia e o caso real. A Teoria do Design Inteligente postula que podemos detectar o design encontrando padrões de intencionalidade – complexidade especificada. Tentamos detectar sinais enviados de forma inteligente ao espaço através do programa “Search for Extra-Terrestrial Intelligence” (SETI), procurando a complexidade especificada nos sinais. Da mesma forma, determinam que os artefatos arqueológicos, como as cabeças na Ilha de Páscoa, foram projetados de maneira inteligente devido à sua complexidade específica. Estes dois exemplos mostram como o princípio subjacente do design inteligente – que podemos detectar o design através da presença de complexidade especificada – é verdadeiro.


Se este princípio subjacente for verdadeiro, então podemos detectar o design não apenas na arqueologia e no SETI, mas também na biologia e talvez na cosmologia. As analogias são válidas porque há similaridade suficiente entre seus métodos de detecção de design (encontrar complexidade especificada) e pesquisa do design inteligente na biologia (procurar por complexidade especificada). Afirmar que realmente só entendemos o design “comum” humano e, portanto, não podemos procurar o design não-humano na biologia (“design aparente”) ignora o fato de que a complexidade especificada é um produto fundamental de todas as formas de design inteligente – sejam elas humanas produzido ou não produzido pelo homem; biológica ou não biológica.


06. O Design Inteligente rejeita completamente a evolução darwinista?

Não. Algumas estruturas biológicas podem ter resultado de uma combinação de design e evolução. A maioria dos proponentes do Design Inteligente aceita a microevolução, mas questiona se as mudanças macroevolutivas são possíveis. A Teoria do Design Inteligente questiona se a evolução pode produzir estruturas irredutivelmente complexas. Assim, o design inteligente sustenta que a evolução não é capaz de produzir todos os aspectos da vida.


07. A teoria do Design Inteligente usa o método científico?

Sim. O método científico vai através de observação -> hipótese -> experimento -> conclusão. O Design Inteligente começa com a observação de que agentes inteligentes produzem informações complexas e especificadas (ICS). Os teóricos do design supõem que, se os objetos foram projetados, eles conterão o ICS. Eles então procuram encontrar o ICS. Uma forma facilmente testável de ICS é a complexidade irredutível (CI). Pesquisadores do DI podem então experimentalmente fazer engenharia reversa de estruturas biológicas para ver se são CI. Se encontrarem, podem concluir o design.

08. O Design Inteligente contribui com outros campos da ciência?

Sim. Abaixo está uma breve lista de alguns campos científicos em que o ID fornece uma estrutura para prever, compreender e explicar os padrões que observamos na natureza:

Bioquímica, onde DI explica e prevê a presença de altos níveis de informação complexa e especificada em proteínas e DNA;

Genética, onde o DI prevê e explica a função do chamado DNA “lixo”, enquanto o neodarwinismo sufoca essa pesquisa;

Sistemática, onde DI explica porque existem semelhanças entre espécies vivas, incluindo exemplos de “convergência” genética extrema que conflitam gravemente com filogenias evolutivas convencionais;

Biologia celular, onde o DI explica porque a célula se assemelha a “estruturas projetadas, em vez de subprodutos acidentais da evolução neodarwinista”, permitindo aos cientistas entender melhor o funcionamento das máquinas moleculares;

Biologia de sistemas, onde o DI encoraja os biólogos a olhar para vários sistemas biológicos como componentes integrados de sistemas maiores que são projetados para trabalhar juntos de uma maneira coordenada, de cima para baixo, que é o que os biólogos estão procurando neste caso;

Biologia animal, em que o DI prediz a função de órgãos, estruturas ou sistemas alegadamente “vestigiais”, ao passo que a evolução fez muitas previsões defeituosas aqui;

Bioinformática, onde DI explica a presença de novas camadas de informação e linguagem funcional incorporadas nos códigos genéticos, bem como outros códigos dentro da biologia;

Teoria da informação, onde o DI encoraja os cientistas a entenderem onde as causas inteligentes são superiores às causas naturais na produção de certos tipos de informação;

Paleontologia, onde a predição do DI de complexidade irredutível em sistemas biológicos explica padrões paleontológicos como o surgimento abrupto de formas biológicas de vida, mudanças pontuadas e estase ao longo da história da vida;

Physics and Cosmology, onde o DI encoraja os cientistas a investigarem e descobrirem mais casos de aperfeiçoamento das leis da física e das propriedades do nosso universo, que exclusivamente permitem a existência de formas avançadas de vida;

09. O Design Inteligente ajuda a ciência a gerar novos conhecimentos?

Sim. Alguns exemplos:


O DI inspirou cientistas a fazerem pesquisas que detectaram altos níveis de informações complexas e especificadas em biologia na forma de ajuste fino de sequências de proteínas. Isso tem implicações práticas não apenas para explicar as origens biológicas, mas também para projetar enzimas e antecipar/combater o desenvolvimento futuro de doenças.

O DI inspirou os cientistas a procurarem e encontrarem exemplos de ajuste fino das leis e constantes da física para permitir a vida, levando a uma variedade de argumentos de ajuste fino, incluindo a Zona Habitável Galáctica. Isso tem enormes implicações para os modelos cosmológicos apropriados do universo, sugere caminhos adequados para o sucesso de “teorias de tudo” que devem acomodar ajustes finos e outras implicações para a física teórica.

O DI inspirou os cientistas a entender a inteligência como uma causa cientificamente estudável da complexidade biológica e a entender os tipos de informação que ela gera.

O DI inspirou pesquisas experimentais e teóricas sobre como as limitações na capacidade da evolução darwiniana em evoluir características que requerem múltiplas mutações para funcionar. Isto, obviamente, tem implicações práticas no combate a problemas como resistência a antibióticos ou engenharia de bactérias.

O DI inspirou pesquisas teóricas sobre os poderes geradores de informações das “buscas darwinianas”, levando à descoberta de que as habilidades de busca dos processos darwinianos são limitadas, o que tem implicações práticas para a viabilidade do uso de algoritmos genéticos para resolver problemas.

O DI inspirou os cientistas a estudarem medidas apropriadas de informação biológica, levando a conceitos como informações complexas e especificadas ou complexidade de sequência funcional. Isso nos permite quantificar melhor a complexidade e entender quais recursos estão, ou não, ao alcance da evolução darwiniana.

O DI inspirou cientistas a investigarem propriedades do DNA e do genoma semelhantes a computadores, na esperança de melhor entender a genética e a origem dos sistemas biológicos.

O DI inspirou cientistas a fazerem engenharia reversa de máquinas moleculares como o flagelo bacteriano para entender sua função como máquinas e entender como as propriedades de vida semelhantes às máquinas permitem que os sistemas biológicos funcionem.

O DI inspirou os cientistas a verem os componentes celulares como “estruturas projetadas, em vez de subprodutos acidentais da evolução neodarwinista”, permitindo aos cientistas proporem hipóteses testáveis ​​sobre as causas do câncer.

O DI inspirou os cientistas a verem a vida como sendo carregada de informações de tal forma que ela é projetada para se adaptar, esperando (e agora encontrando!) genes previamente imprevistos “fora do lugar” em vários táxons.

O DI ajuda os cientistas a explicar a causa da característica generalizada da “evolução convergente”, incluindo a evolução genética convergente.

O DI ajuda os cientistas a entender as causas das explosões de biodiversidade (assim como a extinção em massa) na história da vida.

O DI inspirou os cientistas a fazerem vários tipos de pesquisa, buscando a função de não-codificação do DNA-“lixo”, permitindo-nos entender o desenvolvimento e a biologia celular.

10. A falta de uma Teoria do Design Inteligente impediu o progresso científico?

Em processo de tradução.

11. O Design Inteligente é apenas um argumento negativo contra a evolução?

Em processo de tradução.

12. A teoria do Design Inteligente faz a falácia 'Inexplicável' = 'Inexplicável'?

Em processo de tradução.

13. As 'máquinas biológicas' não são muito diferentes das máquinas feitas pelo homem para serem consDesign Inteligenteeradas exemplos de máquinas projetadas?

Em processo de tradução.

14. O Design Inteligente levará a falsos positivos (ou poderia eventualmente dizer que 'tudo' foi projetado)?

Em processo de tradução.

15. Como ou quando o designer fez o design?

Em processo de tradução.

16. O Design Inteligente é meramente um 'argumento da ignorância?'

Em processo de tradução.

17. Como detectamos o design?

Em processo de tradução.

18. A teoria do Design Inteligente não foi provada errada?

Em processo de tradução.

19. Que tipo de progresso o Design Inteligente fez recentemente?

Em processo de tradução.

20. A teoria do Design Inteligente não seria o fim da investigação científica - uma 'rolha científica'?

Em processo de tradução.

21. Quem desenhou o designer?

Em processo de tradução.

22. O Design Inteligente está nos pedindo para aceitar a existência de um designer inteligente. Onde há evidências para o designer inteligente?

Em processo de tradução.

23. O Design Inteligente não é apenas uma repetição dos argumentos do design do século XIX de William Paley, refutados por Hume e Darwin?

Em processo de tradução.

24. De acordo com a teoria do Design Inteligente, quem é o designer e por que a teoria do Design Inteligente não pode identificar o designer?

Em processo de tradução.

25. Algumas coisas parecem 'desenhadas sem inteligência' ou são mal projetadas. O Design Inteligente é falsificado por 'design sub-ótimo'?

Em processo de tradução.

26. Design Inteligente é um argumento 'Deus-nas-lacunas'?

Em processo de tradução.

27. Qual é a Design InteligenteentDesign Inteligent diade do designer?

Em processo de tradução.

28. O Design Inteligente é um apelo aos milagres ou ao sobrenatural?

Em processo de tradução.

29. O Design Inteligente é apenas um conceito religioso ou teológico?

Em processo de tradução.

30. Poderia algo ser projetado se fosse um 'design maligno'?

Em processo de tradução.

31. O que são agentes inteligentes e como eles agem?

Em processo de tradução.

32. Podemos dizer o 'propósito' de um objeto projetado?

Em processo de tradução.

33. Qual é o mecanismo que o designer usou para projetar?

Em processo de tradução.

34. O Design Inteligente não sugere eliminar a evolução das escolas ou 'enfraquecer' o currículo?

Em processo de tradução.

35. Por que a Teoria do Design Inteligente é frequentemente controversa?

Em processo de tradução.

36. O Design Inteligente não é apenas um movimento que tenta impulsionar uma agenda política?

Em processo de tradução.

37. O que leva um grupo de pessoas a desafiar o paradigma científico dominante?

Em processo de tradução.

38. O Design Inteligente quer roubar o criacionismo através da 'porta dos fundos' (na ciência e nas escolas)?

Em processo de tradução.

39. A primeira Informação Complexamente Especificada deve vir de uma fonte não inteligente? (uma subquestão de 'Quem planejou o designer')

Em processo de tradução.

40. O Design Inteligente é apenas criacionismo (ou criacionismo 'Design Inteligentesfarçado')?

Em processo de tradução.

41. Por que o Design Inteligente não é publicado em revistas científicas revisadas por pares?

Em processo de tradução.

42. A revisão por pares é uma exigência da boa ciência?

Em processo de tradução.

43. O Design Inteligente não está apenas tentando 'sabotar a ciência'?

Em processo de tradução.




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Teoria do Design Inteligente: Um argumento a favor de Leis Bióticas

Por LEADLOVERS_SUPPORT|17/12/2018|Categories: Ciência, Textos e Artigos|Tags: Design Inteligente, Uko Zylstra|0 Comentários

Por Uko Zylstra[1]

Tradução: Pedro Henrique A. G. Moura


Resumo. Uma tese central dos teóricos do design inteligente é que as leis físicas e químicas e o acaso são insuficientes para explicar estruturas biológicas irredutivelmente complexas, e que um designer inteligente é necessário para explicar tais fenômenos. Esta asserção, no entanto, ainda implica em uma ontologia reducionista. Nós precisamos reconhecer que a realidade exibe múltiplos modos de ser além dos modos físico e químico simplesmente, cada um dos quais são governados por leis específicas para aquele modo de ser. Este ensaio defende uma estrutura conceitual alternativa para o entendimento dos fenômenos da vida que não é nem o materialismo filosófico e nem a teoria do design inteligente.


Palavras-chave: Michael Behe; leis bióticas; William Dembski; enkapsis; design inteligente; naturalismo; reducionismo.


Nos últimos anos, proponentes do design inteligente fizeram algumas valiosas contribuições apresentando uma crítica ponderada do naturalismo filosófico e metodológico como paradigma reinante para a ciência. O naturalismo filosófico, ou mais especificamente materialismo filosófico, é a cosmovisão que reside na crença de que o mundo material é tudo o que há; não há realidade não-material que interage com e/ou influencia a realidade material. O naturalismo percebe o mundo como auto-contido, autônomo, e sujeito somente a leis intrínsecas. O naturalismo metodológico – ou “materialismo científico”, o termo que Kenneth Miller utiliza (1999, 27) – é essencialmente fazer ciência dentro de uma estrutura conceitual dos pressupostos do naturalismo filosófico. Mesmo quando não se aceita a cosmovisão do naturalismo filosófico, é comumente assumido pela maioria dos cientistas, incluindo muitos cientistas cristãos, que o naturalismo metodológico é o paradigma apropriado para se fazer ciência. Essa situação apresenta um dilema para aqueles que afirmam alguma forma de interação divina com o mundo. A aceitação do naturalismo metodológico como o paradigma para se fazer ciência pode rapidamente levar tanto para uma forma de dualismo, no qual o mundo físico é considerado autônomo e autossuficiente com Deus apenas engajado com as dimensões espirituais da vida humana, quanto para uma forma de deísmo na qual Deus é simplesmente o criador ou causa primeira do universo. Ambos, deísmo e dualismo, deixam pouco espaço para a crença em um Deus que é pessoal e está intimamente envolvido com o mundo criado.


Uma importante pergunta para os teístas cristãos, sejam cientistas ou não, é um entendimento apropriado do relacionamento do mundo criado para com Deus, o Criador. Os teístas professam que “o mundo pertence a Deus.” Mas o que isso significa para um entendimento de como o mundo é contingente[2] a Deus? De que forma o teísta deve entender a soberania de Deus? Este tópico continua a gerar extensivo debate entre aqueles interessados no relacionamento entre ciência e religião.


A teoria do design inteligente que William Dembski, Michael Behe e outros propõem é, de algumas formas, uma resposta natural dos teístas à reflexão sobre a natureza deste mundo. O design na natureza parece ser prontamente aparente para aqueles que afirmam que o universo é criado por Deus e que é criado com ordem e uma estrutura que é inteligível. Para o teísta, o design e a estrutura do mundo afirmam a crença em Deus, embora tal crença não seja dependente do reconhecimento do design no mundo. Mesmo nas escrituras, Deus frequentemente se revela como Deus Criador, como um Deus que está sempre engajado com as criaturas que Ele criou.


A escola de pensamento do design inteligente (DI) pode talvez ser traçada de volta para a teologia natural britânica do fim do século XVIII, na qual William Paley e outros argumentaram para a existência de Deus a partir da evidência de design. A teologia natural apresentou um contexto importante para Charles Darwin no desenvolvimento de sua teoria de descendência com modificação. O livro de William Paley, Teologia Natural – ou Evidências da Existência e dos Atributos da Deidade Colecionadas a partir das Aparências da Natureza (1802) era leitura obrigatória para os estudantes dos tempos de Darwin. Este contexto é muito importante para o entendimento da potência do trabalho principal de Darwin, A Origem das Espécies por Meios da Seleção Natural (1859). Este clássico é basicamente um longo argumento de que o design que nós vemos no mundo das coisas viventes é resultado da seleção natural e não da ação de um Criador/Designer. É importante notar que Darwin não necessariamente repudia o design em si; ele repudia que o agente causativo do design seja Deus. Mesmo muitos biólogos evolutivos modernos que afirmam o naturalismo filosófico reconhecem o design “aparente”. Este design é considerado aparente, porque sua cosmovisão do naturalismo filosófico não permitiria nenhuma atividade divina no universo. Todas as explicações devem ser “naturais”, o que é interpretado como sendo materialistas. Pelo fato de o evolucionismo darwiniano supostamente apresentar uma explicação natural não apenas para a origem das espécies por meio de algum processo de especiação, mas também para todas as intrincadas características estruturais, processos fisiológicos, comportamentos e adaptações dos organismos, ele se tornou o paradigma reinante para a biologia.


A inadequação do naturalismo

Um grande problema, no entanto, surge quando o naturalismo filosófico apresenta os critérios em que as formas de explicação são legitimas na ciência. Somente explicações naturalistas ou materialistas são permitidas como sendo científicas. Isso implica que qualquer referência a, ou a incorporação de atividade divina está fora dos limites da ciência. Onde isto deixa o teísta cristão que crê que a Deus está ativamente engajado com a criação e que a criação é dependente a Deus para sua existência continuada? Deus deve ser deixado na porta do laboratório para que um cristão possa se envolver com ciência? um cristão pode deixar Deus na porta do laboratório?


Uma opção, a qual é empregada pelos teóricos do DI, é refutar o princípio básico do naturalismo metodológico de que somente explicações naturalistas são válidas para a ciência. Tais explicações naturalistas estão enraizadas nas leis matemáticas e nas leis físicas e químicas. A realidade material pode e deve somente ser explicada por leis físicas e químicas. Juntamente com outra crença básica no princípio da continuidade da realidade, afirma-se que a vida surgiu de coisas não-vivas por meio de propriedades emergentes de interações físicas e químicas de coisas não-vivas. Ainda mais, a causação é limitada aos agentes causativos primários das leis (necessárias)  físicas e químicas e ao acaso[3]. O argumento básico da teoria do DI em refutar o naturalismo metodológico é de que as causas naturais das leis químicas e físicas ou do acaso são inadequadas para apresentar uma explicação de muitos fenômenos e coisas de nossa experiência (Dembski 1999, cap. 5).


A teoria do DI propõe um filtro explanatório como um meio de reconhecer o design e consequentemente recorrer ao design como uma forma apropriada de explicação de certas estruturas e fenômenos. De acordo com Dembski, “sempre quando inferimos design, devemos estabelecer três coisas: contingência, complexidade e especificação” (1999, 128). Contingência, de acordo com Dembski, implica que a estrutura não é o resultado de um processo automático ou determinado; não pode ser atribuída a leis naturais. Complexidade implica que a estrutura ou sistema não poderia ser prontamente o resultado da ação do acaso. Especificação assegura que a estrutura demonstra um padrão que reflete atividade inteligente. Se uma estrutura ou processo pode ser caracterizado por todas estas três características, o design é inferido como o agente causativo para aquela estrutura ou processo. Especificação se torna um critério importante para inferir o design e Dembski  se esforçou muito em estabelecer o significado e a natureza da especificação.[4]


Uma característica chave da teoria do DI é que o design é postulado como um agente causal para os fenômenos em adição a necessidade (lei natural) ou ao acaso. A detecção de tal agente causal se dá por meio da aplicação de um filtro explanatório que determina se a causação inteligente é a explicação para um fenômeno particular. O filtro funciona por meio de três perguntas: “Uma lei explica isso? O acaso explica isso? O design explica isso?” (Dembski 1998b, 94). Como Dembski aponta, “a lógica do filtro explanatório é puramente eliminativa – eliminando a lei e o acaso” (1998b, 109).


Os teóricos do DI aplicaram o filtro explanatório com maior sucesso em uma análise do mundo biológico apontando que muitos fenômenos biológicos são inexplicáveis por leis físicas e químicas (necessidade) ou pelo acaso. Alguns dos melhores exemplos são dados por Behe no seu livro A Caixa Preta de Darwin (1996), no qual ele traz um forte argumento para a complexidade irredutível de diversas estruturas e sistemas biológicos. Alguns exemplos que ele dá de sistemas irredutivelmente complexos são os cílios, o flagelo bacteriano, a bioquímica da visão e o sistema de coagulação sanguínea. A força de seu argumento é que todos os componentes da estrutura ou sistema devem estar no seu devido lugar para que o sistema funcione. Uma estrutura em que se alguns de seus componentes estejam faltando, o sistema simplesmente não funciona. Formas precursoras em que faltam alguns dos componentes ou nas quais alguns componentes apresentam estruturas variantes com uma função diferente também não seriam  funcionais já que todos os componentes necessários não estariam em seu devido lugar. Como consequência, formas precursoras não seriam selecionadas para uma estrutura em particular em questão porque não haveria nenhuma vantagem seletiva para estas formas. Vantagem seletiva para outras funções que a forma precursora pode ter não provê vantagem para uma função nova ou diferente. Dessa forma, Behe afirma que a evolução Darwiniana, com seu foco na seleção natural, é incapaz de dar conta da evolução de estruturas irredutivelmente complexas. Behe, portanto, conclui que tais estruturas são indicativas de terem sido desenhadas.


O livro de Behe gerou uma grande controvérsia e tem recebido muitas críticas por parte de biólogos evolutivos. Frequentemente, isto aparenta ser uma postura defensiva dos biólogos evolutivos que o percebem, conscientemente ou inconscientemente, como uma crítica à sua cosmovisão materialista evolucionista. Mas deve-se ter em mente o que Behe está especificamente desafiando em seu livro. Ele não está desafiando a evolução como tal; ele acha “a ideia da ancestralidade comum (que todos os organismos compartilham um ancestral comum) razoavelmente convincente e não tem nenhum motivo particular para duvidar dela” (1996,4). Behe está desafiando primariamente o processo e o mecanismo chefe da evolução: a “descendência com modificação” de Darwin, com seleção natural como o meio principal de modificação. Ao invés de dar boas vindas ao diálogo e a crítica de um aspecto de uma teoria biológica com o desafio de desenvolver ainda mais a teoria, os fortes ataques verbais a Behe são provavelmente indicativos do fato de que uma cosmovisão materialista evolucionista está sendo enfraquecida.


Vários significados de evolução

Ao se discutir evolução, torna-se necessária a distinção entre os vários significados da palavra para que se evitem falhas de comunicação e pseudocriticismos. Keith Stewart Thomson escreveu um ensaio muito útil acerca dos significados de evolução e que é muito aplicável a esta discussão (1982, 529– 31). Thomson distingue três significados básicos: a evolução como padrão, a evolução como processo e a evolução como mecanismo. É importante reconhecer que há considerável evidência empírica para a evolução como padrão, como visto, por exemplo, no registro fóssil, nas homologias morfológicas e nas semelhanças na informação de sequencias de DNA. É principalmente este tipo de evidência que convence muitas pessoas (talvez incluindo Behe) da ancestralidade comum dos organismos. Há escassa evidência empírica, no entanto, para a evolução como processo –  as etapas reais que podem ter trazido à tona o padrão da evolução que nós observamos. Além disso, embora haja evidência empírica para a seleção natural como o mecanismo da evolução em diversos casos, há escassa evidência empírica direta do mecanismo real que acarretou todos os processos da evolução independente da afirmação geral de que a seleção natural é o mecanismo básico para todos estes processos.


Behe aborda primariamente os mecanismos propostos em que se assumem como responsáveis pelo processo da evolução. Em particular, Behe questiona se o gradualismo da seleção natural Darwiniana é capaz de dar conta do processo. Muitos dos críticos de seu livro falham em reconhecer, ou pelo menos, falham em responder a essa questão primária. Suas respostas tipicamente focam em um apelo à verdade do padrão da evolução sem apresentar o que Behe afirma estar lamentavelmente faltando na teoria evolutiva. A crítica de Bruce Weber ao livro de Behe (1999) ilustra este problema. Por um lado, Weber critica Behe por sua seletividade do conhecimento em não abordar plenamente as pesquisas que tem sido feitas e continuam sendo feitas no campo da evolução molecular. No entanto, muitas das pesquisas que Weber referencia apresentam evidências para o padrão da evolução, como a informação proveniente de sequenciamentos, ao invés de evidência para o processo ou dos mecanismos reais da evolução. Weber também reconhece a intratabilidade do entendimento dos mecanismos pelos quais as estruturas supostamente irredutivelmente complexas podem ter surgido, o mesmo ponto em que Behe está tratando. Weber pode estar correto em seu comentário conclusivo “de que o estudo apropriado da complexidade biológica é seu aparecimento, suas trajetórias de desenvolvimento e suas linhagens evolutivas” (Weber 1999, 603); no entanto, estes estudos ainda não respondem à questão fundamental que Behe está abordando.


Uma fraqueza similar está presente na crítica feita por Miller da análise de Behe, que frequentemente o interpreta como rejeitando a ideia da evolução ao invés da seleção natural simples como o agente causal que explica a complexidade irredutível das células vivas (1999, cap. 5). Miller constantemente utiliza os termos evolução e seleção natural de forma intercambiável, como se eles fossem uma única e mesma coisa. Já que a ideia da evolução foi substanciada por tanta evidência empírica, Miller acredita que ele refutou a alegação central de Behe contra a seleção natural Darwiniana. Assim, a falta da distinção crítica entre padrão, processo e mecanismo na ideia de evolução , face às estruturas irredutivelmente complexas tornam sua crítica a Behe irrelevante.


O reducionismo do design inteligente

Os teóricos do DI consideram a evidência para estruturas irredutivelmente complexas e sistemas de informação complexas especificadas como evidência para o design inteligente e como agente causativo para tais estruturas e fenômenos. É válido notar que a maioria dos exemplos dos teóricos do DI estão no campo das coisas vivas. Mas por que é que as estruturas e processos no mundo biológico aparentam refletir design mais do que aquelas nos mundos não biológicos? Eu acho que existe um problema mais profundo. A afirmação de que estruturas irredutivelmente complexas como a estrutura e função do olho ou o flagelo bacteriano devem ser atribuídas ao design inteligente ainda implica na aceitação de uma ontologia reducionista. Isto, creio eu, é uma fraqueza fundamental do paradigma da teoria do DI. A questão em mãos tem sido e continua a ser uma questão central para a biologia: As coisas vivas são radicalmente diferentes das coisas não-vivas? Os fenômenos da vida são simplesmente um caso especial dos fenômenos físicos e químicos, ou os fenômenos da vida são pelo menos até certo grau irredutíveis a explicações físicas e químicas? Existem várias maneiras de se fazer essa questão, mas ela se resume ultimamente a se as coisas vivas são somente coisas físicas e químicas, sujeitas somente a leis físicas e químicas, ou não. A biologia é redutível à química e física? Ou os fenômenos da vida são sujeitos a princípios de ordens (leis) que são diferentes das e que se adicionam às leis físicas e químicas? Se as coisas vivas são irredutivelmente complexas, o que explica tal complexidade?


Esta questão central tem sido e continua a ser uma das questões que definem a história e filosofia da biologia. Ela estava no coração da controvérsia mecanicismo/vitalismo no século XIX, no surgimento do organicismo que substitui o vitalismo como antidoto ao mecanicismo no século XX, e, na minha visão, está no coração da discussão sobre o design inteligente. Eu concordo com os proponentes da teoria do DI de que uma interpretação reducionista/mecanicista do mundo vivo se origina de ou é motivada por um materialismo filosófico: matéria é tudo o que há. O termo fisicalismo seria uma designação apropriada para tal cosmovisão. A cosmovisão do materialismo tem dificuldade em dar conta de uma realidade não-material, seja ela a mente, a consciência, as emoções, ou mesmo a vida em si. Como consequência, biólogos que aderem a um materialismo filosófico são forçados a propor conceitos como propriedades emergentes e auto-organização para explicar os fenômenos da vida e as organizações irredutivelmente complexas na estrutura hierárquica dos sistemas vivos. Estes conceitos, no entanto, são um tanto vazios a não ser que uma explicação possa ser apresentada para as propriedades emergentes e auto-organização. Diferentes níveis de estrutura na organização hierárquica das coisas vivas revelam propriedades diferentes. Nós podemos talvez referir-nos a tais propriedades como emergentes se queremos dizer somente que elas são propriedades novas, não presentes em níveis hierárquicos inferiores. Mas fazê-lo não pode significar que nós explicamos tais propriedades com base nas estruturas e entidades constituindo os níveis inferiores. Tal explicação ainda é necessária para as assim chamadas estruturas e fenômenos biológicos emergentes.


Como um biólogo eu acho muitas das explicações sugeridas para as propriedades emergentes insatisfatórias. Elas falham em dar conta dos aspectos multidimensionais da nossa experiência das coisas vivas adequadamente. Eu tentei analisar e criticar algumas dessas explicações em uma publicação anterior acerca das teorias de hierarquia na biologia (Zylstra 1992). Central à minha crítica está a noção de que as coisas vivas são sujeitas a mais do que leis físicas e químicas. Neste aspecto eu apoio e aprecio a análise da escola de pensamento do DI em seus argumentos de que as coisas vivas possuem estruturas e expressam fenômenos que não podem ser explicados por causalidade física ou química.


Mas o que traz à tona a presença de estruturas irredutivelmente complexas e a existência de complexos sistemas vivos hierárquicos nos quais o todo não pode ser explicado pela soma das partes? O que dá conta do inter-relacionamento entre o todo e as partes?[5]  O design inteligente é uma explicação adequada para tais estruturas e fenômenos bióticos? O DI apresenta a causalidade para as coisas vivas, especialmente aquelas estruturas e fenômenos que não podem ser explicados por leis químicas e físicas? E, se sim, de que maneira ele provê causalidade? O DI é realmente mais do que uma afirmação de que o universo é criado e sustentado por um ser inteligente ou por um Deus Criador? De que forma as explicações para a complexidade organizada do design inteligente diferem das explicações por leis físicas e químicas para estruturas e fenômenos físicos? Os fenômenos governados por leis físicas e químicas também não são desenhados? Este tipo é de design de uma natureza diferente do que outros tipos de design como, por exemplo, aquele revelado nas coisas vivas? Como o conceito de design inteligente está relacionado com a noção da contingência da criação ao Criador? O que significa contingência com relação às estruturas que são governadas por leis físicas e químicas? Ou somente as estruturas criadas por design inteligentes são contingentes ao ser inteligente?


Eu elogio a análise crítica por parte dos teóricos do DI acerca de se a seleção natural Darwiniana pode dar conta de estruturas irredutivelmente complexas. A biologia evolutiva, creio eu, necessita de tal análise crítica. A falha em reconhecer as deficiências da evolução Darwiniana como explanatória para o processo da evolução é a fonte da rejeição da teoria evolutiva por parte de muitas pessoas. Não obstante, eu não estou convencido de que o conceito de design inteligente apresente uma explanação alternativa adequada para a natureza do ser das coisas vivas. Em minha visão, a teoria do DI ainda trabalha a partir das premissas de uma ontologia reducionista, de que este mundo é governado somente por leis químicas e físicas. Ademais, de forma similar ao ponto de vista do materialismo físico, teóricos do DI aparentemente consideram tais leis químicas e físicas como autônomas, não como uma forma de contingência a Deus. Este reducionismo implica que as coisas vivas são sujeitas apenas às leis químicas e físicas. A ideia de que coisas vivas sejam sujeitas às leis bióticas em distinção e adicionalmente às leis químicas e físicas é estranha à mentalidade reducionista. Mas ela aparenta ser estranha também para a teoria do DI. Tal pensamento reducionista é revelado em uma percepção básica, comum entre biólogos, de que a vida é caracterizada pela matéria viva. Coisas vivas são geralmente consideradas como constituídas de matéria viva. Mas a conceitualização das coisas vivas como consistindo de matéria viva expõe o núcleo do problema: Como pode a matéria estar viva?


Reduzir uma coisa viva aos seus componentes materiais é arrancar-lhe o próprio caráter de se estar viva! Coisas vivas, no entanto, revelam uma dimensão não material (ou seja, não-física) que não pode ser capturada por seus constituintes materiais.


Então como nós damos conta dos fenômenos da vida? Nós precisamos começar com reconhecendo que toda a realidade é governada por lei. Não há nenhuma estrutura ou processo que não seja sujeita a leis ou princípios de ordenamento. A ciência por si mesma não seria possível em um universo que não é ordenado ou não é governado por leis. Isto inclui os fenômenos da vida e as estruturas e sistemas irredutivelmente complexos que são característicos das coisas vivas. Os padrões de estrutura e função revelados nas coisas vivas indicam que as coisas vivas são de fato sujeitas a princípios de ordenamento (leis). Se não fossem sujeitos a tais princípios de ordenamento, os fenômenos da vida não poderiam nem mesmo ser estudados ou observados.


Os proponentes da teoria do DI, no entanto, parecem desassociar o design inteligente de quaisquer leis naturais. Design inteligente é postulado como um agente causativo à parte ou em adição às leis naturais químicas e físicas. Isto implica, então, que Deus interage com o mundo natural por meio de duas vias diferentes: através de leis naturais e através da implementação do design de alguma forma fora da lei natural? Ou são as leis naturais percebidas como autônomas, livres de qualquer relação com Deus como sustentador da criação por meio de leis, enquanto o design inteligente implica na contingência de certas estruturas à um ser inteligente? Eu acho isto tão problemático quanto os princípios autônomos de auto-organização de estruturas irredutivelmente complexas como uma explicação para dar conta das coisas vivas. Isto indica um tipo de dualismo escolástico que divide a realidade ao longo da linha de natureza/supranatureza. Para evitar tal dualismo, nós precisamos de uma percepção mais compreensiva das leis e do reconhecimento de uma diversidade de leis naturais incluindo leis bióticas para coisas vivas.


Teísmo naturalista

Uma consequência negativa significativa do dualismo natureza/supranatureza escolástico é o desenvolvimento de uma visão da natureza como sendo autônoma e auto-existente. Deus é grandemente confinado ao domínio da supranatureza. Quando Deus está envolvido com a natureza, tal interação é então vista como uma interrupção do curso natural da causalidade da natureza. Nota-se que, portanto, Deus está intervindo nas leis naturais que governam a natureza mesmo quando tais leis são consideradas como sido estabelecidas por Deus em suas ações criativas. Esta visão dualista natureza/supranatureza da interação de Deus com o mundo resultou em algumas tensões e conflitos duradouros entre teísmo e ciência. David Griffin resume estas tensões de forma bastante clara em seu livro Religião e Naturalismo Científico: Superando o Conflito (2000). De acordo com Griffin, o conflito fundamental surge porque a cosmovisão científica mecanicista moderna pode aceitar somente causas naturais para o mundo físico e material. Esta cosmovisão rejeita qualquer ação divina no mundo porque ela vê a ação divina como interrompendo ou intervindo nas leis naturais. Tal intervenção divina poderia minar a fundação a priori da ciência que assume que os princípios fundamentais da causalidade jamais seriam interrompidos. Isto certamente ajuda a explicar a forte reação negativa por parte de muitos membros da comunidade científica à teoria do DI. Na medida em que o design inteligente é indicativo de ação especial divina, esta ação é percebida como uma intervenção na causalidade física/química normal em uma natureza autônoma e auto-existente. Uma fraqueza fundamental entre os teóricos do DI é que eles falharam em apresentar uma visão coerente e adequada da interação de Deus com o mundo. Se eles continuarem a teorizar dentro de um paradigma de natureza/supranatureza, eles terão dificuldade em incorporar o design inteligente dentro da teorização científica, porque esta é focada na natureza ao invés da supranatureza.


Griffin tenta resolver este conflito de um dualismo natureza/supranatureza propondo um teísmo naturalista que aceita a ação divina no mundo como uma cooperação divina-criatural, mas rejeita um ser divino supranatural que age por meio da interrupção da causação natural. O teísmo naturalista de Griffin, no entanto, me parece uma forma de síntese na qual o divino é necessário para dar conta de eventos como fenômenos não-sensoriais e experiências éticas e religiosas, experiências que são difíceis de explicar por causalidade física e química. Griffin não pode aceitar uma ação uma maneira interruptiva divina vinda de fora porque ele propõe uma presença divina dentro da natureza, uma presença que age de maneira persuasiva ao invés de intervencionista e coercitiva (2000, 93). Se esta forma de síntese, que tenta combinar uma forma radicalmente alterada de teísmo com uma forma radicalmente alterada de ciência naturalista, vai resistir à critica de ambas ciência e teologia ainda está para ser visto. Embora eu creia que Griffin esteja correto em rejeitar o naturalismo científico com seu reducionismo (2000, 176), a solução para tal reducionismo não está em redefinir a matéria para incluir o divino como estando presente na matéria.


O que eu acho interessante no teísmo naturalista de Griffin é o potencial teórico que tal visão tem para a teoria do DI. Além das crenças pessoais dos teóricos do DI, os argumentos que eles propõem para o design inteligente não necessariamente implicam um ser divino supranatural. O design inteligente poderia muito bem ser causado pela ação divina persuasiva da alma ou mente imanente universal que Griffin propõe. Em outras palavras, a realização das “formas eternas” que são o “material da persuasão divina” (Griffin 2000, 293) poderiam bem ser o design inteligente que Behe, Dembski e outros estão afirmando existir no universo.


Apesar de uma forma persuasiva de ação divina poder ser de certa forma mais palatável para um evolucionista Darwiniano do que uma forma coercitiva de ação divina, o teísmo naturalista de Griffin ainda vai contra muito da evolução Darwiniana tanto que ele mesmo deixa claro a rejeição de diferentes significados da evolução (2000, cap. 8). Por exemplo, o eterno,  formas  ideais do teísmo naturalista, seriam profundamente rejeitadas por Ernst Mayr, um importante biólogo evolutivo, em sua rejeição de qualquer forma de essencialismo e/ou forma de pensamento tipológico (Mayr 1982, 38–39). Além disso, todas as críticas de que o design inteligente não é testável, etc., são presumivelmente também aplicáveis à mente divina universal como um agente causal persuasivo no universo.


Outro ponto de vista alternativo ao materialismo científico é o Principio de Econômico Formacional Robusto proposto por Howard Van Till[6], que tem sido um duro crítico da teoria do DI. Sua crítica centra-se na visão que ele percebe como postulada pela teoria do DI de que um agente inteligente (um ser divino) deve agir de maneira intervencionista para trazer à tona as estruturas e sistemas projetados presentes no universo. Van Till argumenta que a criação é “plenamente dotada” (1999, 73) de forma que o desenvolvimento da criação ocorre sem nenhuma “lacuna ontológica”. Não há necessidade para Deus interromper os princípios causais na natureza e adicionar às capacidades na criação em uma forma de criacionismo episódico. Em outras palavras, de acordo com Van Till, a criação é dotada de um “Principio Econômico Formacional Robusto” (PEFR) que prevê a realização de todas as potencialidades que se realizam na “história formacional da criação” (2000, 214).


Este PERF, no entanto, necessita ser analisado mais a fundo. Uma questão é se ele é primariamente um principio epistemológico que provê uma explicação para coisas que nós não compreendemos completamente ou se ele é um principio ontológico que provê uma forma de causalidade para história formacional da criação. Se for um princípio epistemológico, ele parece funcionar como uma forma diferente do “Deus das lacunas” tentando apresentar uma explicação para um processo evolutivo ou de desenvolvimento que nós não entendemos completamente. Se for um princípio ontológico embutido na criação como uma capacidade formacional, qual é então seu status ôntico, e como ele funciona como um princípio de causalidade? Parece que qualquer nova estrutura que aparece ou se desdobra na história formacional da criação se deve a este princípio. As entidades na criação se tornam redefinidas de forma a possuírem quaisquer capacidades necessárias para a formação de estruturas mais complexas através de alguma forma de auto-organização. Por exemplo, “moléculas possuem as capacidades de interagirem de maneira que as levam a se organizarem em conjuntos moleculares com capacidades ainda mais marcantes, talvez até mesmo as capacidades que constituem a vida” (2000, 214). Alguém poderia perguntar se esta capacidade reside nas moléculas em si ou se reside na criação como um todo. Em outras palavras, a criação pode ter as capacidades para a formação de entidades vivas, mas não os átomos e as moléculas. Até mesmo o termo robusto parece implicar capacidades que se estendem para além das capacidades das entidades químicas e físicas sujeitas a leis químicas/físicas. Ademais, alguém poderia argumentar, não é a criação que está atualizando seu conjunto completo de potenciais, mas Deus é quem está atualizando as capacidades através das leis de Deus para a criação. Eu argumentaria que a “robustez” da criação na verdade implica leis bióticas que provêm os princípios causais para a “história formacional da criação”.


Ambas as visões envolvem um entendimento revisado dos conceitos de matéria. Ambas aparentam ser motivadas por uma reação ao conceito de Deus como um ser divino interventor. Talvez o que precisamos no lugar disto seja um supranaturalismo não-interventor, uma visão na qual Deus está continuamente envolvido com a criação e sustentando-a em todos os seus modos de ser.


Você conhece o livro A ORIGEM?


Lei como a relação entre Deus e a realidade criada

Isso leva à uma outra opção em resposta ao naturalismo metodológico para o teísta que crê que Deus está ativamente envolvido com a criação. Nós precisamos recapturar ou repensar o significado de lei como a relação entre Deus – o Criador – e a criação e todas as coisas na criação. Isso envolve uma análise mais profunda da natureza das coisas bem como das coisas vivas. Minha própria estrutura conceitual de análise é muito influenciada pela filosofia da ideia cosmonômica, ou a filosofia da ideia-de-lei, proposta por Herman Dooyeweerd, um filósofo jurista Holandês que empreendeu considerável esforço em tal análise[7]. Eu estou convencido de que Dooyeweerd não somente apresentou uma importante crítica do pensamento científico, que vê o mundo com autônomo, mas também fez uma grande contribuição para a análise dos modos de ser da realidade.


Para Dooyeweerd, lei é a relação entre Deus e toda a criação. Toda a realidade é concebida como governada por lei, como sujeitada às leis de Deus para a realidade. A lei é a condição para a existência da realidade criada, incluindo as coisas vivas. Tudo que existe só pode existir enquanto sujeito às leis para sua existência e comportamento. Sem as leis estruturais, por exemplo, para um carvalho ou um esquilo, não haveria nenhum carvalho ou esquilo. Tais leis são tipicamente referidas como leis naturais[8]. Leis naturais são aqui concebidas como leis estruturais, em oposição às leis normativas que valem para o comportamento humano e podem ser desobedecidas por sujeitos humanos. Além disso, leis naturais não estão limitadas ou esgotadas por leis químicas e físicas. Há uma diferenciação de leis que valem para cada um dos aspectos modais diferenciados da realidade, incluindo o modo de ser biótico. Estruturas e fenômenos biológicos também são governados por lei, e estruturas ou fenômenos biológicos são explicados porque eles estão sujeitos a leis bióticas em adição às leis químicas e físicas[9]. Isso elimina o design inteligente? Eu creio que não. Eu afirmaria que toda a realidade é contingente ao Criador e que toda realidade governada por lei é um indicativo do design inteligente. Leis naturais, incluindo as leis bióticas, são o fundamento para a presença e reconhecimento de design inteligente no mundo. Estruturas químicas também revelam design, embora tais estruturas sejam governadas por leis químicas e físicas para o mundo material e, portanto, podem ser explicadas por leis químicas e físicas.


A análise de Dooyeweerd é talvez melhor ilustrada em sua discussão sobre a estrutura de uma coisa (1957, vol. III, cap. 2). Dooyeweerd concebeu cada coisa como tendo duas dimensões, o lado lei e o lado sujeito. Pode ser útil conceituar essas dimensões como duas metades de uma esfera, com uma metade sendo o lado lei e a outra o lado sujeito, como ilustrado na Figura 1. O lado sujeito é a atualização do lado lei. Essa conceitualização aponta a importante distinção entre o lado lei e o lado sujeito de cada coisa. Nós experimentamos a natureza governada por lei através do lado sujeito de cada coisa, ou seja, como cada coisa é sujeita à estrutura de lei (indicada pelas linhas na figura) para as coisas no mundo criado. Nós não experimentamos o lado lei de cada coisa diretamente.


FIG 1 - Associação Brasileira de Cristãos na Ciência: ABC²


Figura 1. Representação diagramática de uma coisa. Note que a natureza da lei como a relação entre Deus e cada coisa.


As leis que valem para cada coisa individual são em si mesmas inacessíveis à nossa experiência direta. Nós experimentamos as coisas do mundo criado somente enquanto são sujeitas às leis que valem para as estruturas individuais. Como consequência, nosso entendimento das leis para a realidade é necessariamente indireto e impreciso. Nós podemos apenas começar a aproximar o caráter das leis naturais em nossas mentes. Nesse aspecto, uma importante distinção deve ser feita entre nossa descrição da lei e a lei em si mesma. Nossas descrições ou afirmações de lei não são os princípios governantes em si. Nós podemos descrever o comportamento padronizado das coisas e formular afirmações de lei somente porque estas coisas são sujeitas a leis. Mesmo aquilo que chamamos de lei da gravidade é somente uma descrição (quantitativa) de nossa experiência de como as coisas são sujeitas à lei física da atração de corpos entre si. A falha em fazer essa distinção entre leis e as afirmações de lei humanas tem levado a uma frequente confusão sobre o entendimento correto da lei como a condição para a existência de todas as estruturas no mundo criado. Talvez esta seja a razão do porque pareça haver uma infeliz relutância a sequer referir às leis como os princípios governantes da realidade.


Mesmo que alguém rejeite a noção de que as leis sejam a relação entre Deus e a criação, isso não necessariamente leva à negação da existência de leis. A realidade ainda é ordenada, e essa ordem reflete princípios ordenadores e leis que expliquem tal ordem. A pesquisa científica assume e requer um universo ordenado como fundamento de qualquer pesquisa. Nesta perspectiva, as leis presumivelmente seriam imanentes, originando-se ou residindo dentro de cada coisa, como indicado na Figura 2. Cada coisa é sujeita a leis diferenciadas que governam a existência de cada coisa. Para coisas vivas, isso inclui leis bióticas diferenciadas que valem para fenômenos bióticos.


FIG 2 - Associação Brasileira de Cristãos na Ciência: ABC²


Figura 2. Representação diagramática de uma coisa auto-existente na qual a lei é vista como imanente.


Leis bióticas

Tendo dito isto, podemos começar a formular algumas afirmações de lei para fenômenos bióticos que refletem as coisas vivas como estruturas e fenômenos governados por lei? Nós tipicamente reconhecemos através de regularidades e padrões no mundo de nossa experiência. Para começar, algumas afirmações de lei que são uma descrição de leis bióticas seriam (1) a lei de que, na reprodução, semelhante gera semelhante; (2) a lei da divisão celular de que todas as células vêm de células; (3) a lei da seleção natural; (4) as leis de acasalamento e cortejo que definem muitas formas de comportamento animal; e (5) as leis do desenvolvimento que definem as várias regularidades e padrões que nós observamos.


Pode ser útil apresentar uma discussão expandida de uma lei biótica tal como a lei da divisão celular. A divisão celular é um fenômeno que em sua regularidade e precisão aparenta muito ser governado por princípios de ordenamento biótico. Há um padrão complexo de integração da divisão celular e atividade molecular que caracteriza o processo de divisão celular. Numerosos genes e proteínas de divisão celular já foram identificados e que apresentam um importante papel na regulação do processo de divisão celular. Mesmo assim, o processo de divisão celular é uma característica da célula como um todo, não da coleção de genes e proteínas que estão envolvidos no processo de divisão celular. Moléculas regulatórias da divisão celular não controlam em si mesmas o processo de divisão celular. Os genes e proteínas estão ligados à célula como uma entidade viva. Enquanto moléculas, proteínas e ácidos nucleicos continuam a funcionar como estruturas químicas e físicas dentro da célula e que são sujeitas às leis químicas e físicas. Mas seus papéis e atividades específicos são orquestrados pela célula como um todo. A célula é sujeita a princípios de ordenamento que governam essa orquestração na configuração espacial e temporal da célula. Por exemplo, a divisão e migração dos centríolos, a organização espacial do fuso mitótico, o enovelamento dos cromossomos em estruturas compactas, e a sincronia  sequencial de todos estes eventos dinâmicos são indicativos de princípios de ordenamento que vão além das propriedades dos constituintes moleculares. Há um programa da célula que suplanta o programa genético que provê a informação para a síntese das numerosas proteínas e outras moléculas que desempenham um papel crítico em todas estas atividades. Este é essencialmente o ponto que Steven Rose faz em sua crítica do reducionismo em seu livro Lifelines: “o funcionamento da célula, como uma unidade, restringe as propriedades de seus componentes individuais. O todo tem primazia sobre suas partes” (Rose 1997, 169).


A teoria da Enkapsis

A relação dos constituintes moleculares à célula como um todo ou, de forma mais ampla, dos componentes de um nível de organização que estão inclusos dentro de um nível de organização mais elevado é referido por Dooyeweerd como um relacionamento enkáptico[10]. Um elemento chave da teoria da enkapsis é que os constituintes do nível inferior são vistos como todos dentro de um nível mais elevado, ao invés de meramente como partes de um nível mais elevado como no conceito “o todo é maior que a soma de suas partes.” Relações todo-todo diferem de relações parte-todo. Em uma relação parte-todo as partes são qualificadas pela mesma função que qualifica o todo. Portanto, se o todo é qualificado pela função biótica porque é governado por leis bióticas, as partes também seriam qualificadas e governadas por leis bióticas. Isso implicaria que moléculas dentro de células também são governadas por leis bióticas que controlam a célula como um todo. Este simplesmente não é o caso. As moléculas dentro das células mantêm sua integridade como moléculas, sujeitas às leis químicas e físicas e, portanto, como todos e não como partes. As células, por sua vez, estão sujeitas aos princípios bióticos de ordenamento, e elas envolvem (encapsulam) as entidades moleculares que estão contidas nas células. Esse encapsulamento encontra expressão em como os constituintes moleculares são orquestrados em seu funcionamento químico dentro da célula, de tal forma que a célula funciona como uma entidade viva, um todo vivo. Esta orquestração reflete um design inteligente? Reflete da mesma forma que a estrutura do sistema solar ou de uma molécula de hemoglobina reflete design. Mas o design é atribuível a algumas leis bióticas análogas às leis físicas e químicas que acarretam o design de moléculas e sistemas solares.


O mesmo se aplicaria às estruturas e sistemas irredutivelmente complexos que Behe alega serem planejados e desenhados (1996, cap. 9). Eu concordaria com Behe que “A vida na Terra em seu nível mais fundamental, em seus componentes mais críticos, é produto da atividade inteligente” (p. 193). Mas o design inteligente em si não é o agente causativo. Em vez disso, é o designer trabalhando através de leis bióticas para a estrutura do flagelo bacteriano, através de leis bióticas para a estrutura do cílio, e através de leis bióticas para sistema de coagulação sanguínea que acarretam tais estruturas e processos. O mesmo se aplica ao desdobramento de organismos durante o desenvolvimento do zigoto para o organismo adulto. Processos morfogenéticos ocorrem em um organismo sujeito às leis que regem o desenvolvimento desse organismo. Tal desenvolvimento envolve a expressão e regulação de informações hereditárias. A ênfase não pode estar na expressão da informação hereditária, mas em como o organismo incorpora enkapticamente essa informação em sua morfogênese. O mesmo conceito pode ser aplicado ao desenvolvimento evolucionário dos organismos. Organismos não são o resultado de mutações e seleção de material hereditário[11]. Eles são o resultado de leis bióticas e morfogenéticas que sustentam o desenvolvimento e a evolução dos organismos. A este respeito, devemos reconhecer, no que diz respeito à evolução, que as coisas vivas podem evoluir; as leis não. Qualquer evolução ou desenvolvimento está sujeito às leis que governam esses processos. É precisamente através de tais leis que Deus está interagindo com a criação para produzir todas as criaturas e ecossistemas que observamos. Isso é sem dúvida uma forma de desenvolvimento evolucionário, mas é radicalmente diferente de uma forma de evolução Darwiniana, materialista e autônoma. Esta forma de Deus interagindo com a criação não é, portanto, aquela na qual Deus intervém na criação ou na qual Deus interrompe as leis físicas e químicas para a criação. Pelo contrário, é aquela na qual Deus sustenta a criação através de leis bióticas, bem como através de leis físicas e químicas.


Conclusão

Isso elimina o design? De modo nenhum. No entanto, remove o design como o agente causador imediato. Em vez disso, enfatiza-se o fato de que a irredutibilidade das coisas vivas é devida à irredutibilidade das estruturas de lei para modos mais elevados de ser. Essa irredutibilidade é a base para as estruturas irredutivelmente complexas características das coisas vivas. Essa irredutibilidade é também indicativa da descontinuidade dos níveis de ser e, portanto, dos níveis de organização. Níveis mais altos não emergem simplesmente dos níveis inferiores; leis para níveis mais altos não emergem de leis para níveis inferiores. A vida não é uma substância material que pode ser reduzida na análise de suas propriedades químicas e físicas. A vida é uma função das coisas vivas que estão sujeitas às leis bióticas.


Eu acredito que a discussão sobre o design inteligente é muito benéfica, mas fica aquém de uma explicação adequada da realidade. O design está presente em todos os níveis da realidade, incluindo os níveis físico e químico. De fato, o design é basicamente um reflexo da realidade governada por lei, da maneira pela qual Deus interage com toda a criação.


REFERÊNCIAS

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———. 1992. “Living Things as Hierarchically Organized Structures.” Synthese 91:111– 33.


[1] Uko Zylstra é Professor Titular de Biologia no Calvin College, 3201 Burton St. SE, Grand Rapids, MI 49546; e-mail zylu@calvin.edu.


[2] Eu estou usando a palavra contingente no sentido de “dependente de ou condicionado por outra coisa”.


[3] Um bom exemplo desta posição reducionista e mecanicista é a de Jacques Monod, laureado com o Nobel (1972).


[4] Além do livro de Dembski Design Inteligente (1999), veja sua análise técnica da especificação em seu livro A Inferência de Design (1998).


[5] Embora o uso da palavra partes é comumente utilizado neste contexto, eu creio que há um equívoco, porque para algo ser uma parte implica que sua estrutura e suas propriedades sejam definidas pelo todo. Há vários componentes de coisas vivas, como moléculas de água, que não são definidos ou determinados pela célula ou pelo organismo vivo como um todo. Para uma discussão mais profunda veja minha análise acerca dos relacionamentos parte-todo em Zylstra 1992.


[6] Para uma apresentação do Principio Econômico Formacional Robusto de Van Till, veja seus artigos sobre “The Fully Gifted Creation” (1999) e “Partnership Response” (2000).


[7] A apresentação da filosofia de Dooyeweerd está contida na sua obra de quatro volumes A New Critique of Theoretical Thought (1957). Uma introdução mais legível (palatável) à filosofia da ideia cosmonômica é apresentada por L. Kalsbeek (1975).


[8] Para uma discussão expandida acerca do significado de lei natural veja Stafleu 1999.


[9] Dooyeweerd na verdade distingue o modo sensível (psíquico) de ser que caracteriza o mundo animal como um modo de ser adicional ao aspecto biótico que, na sua opinião, caracteriza o mundo vegetal. Ele está tentando fornecer a base para distinções radicais entre os reinos animal e vegetal. Acredito que sua análise é limitada pela visão de dois reinos que prevalecia na época em que ele desenvolveu sua teoria dos aspectos modais. Em um artigo anterior (Zylstra, 1981) defendi uma diferenciação adicional dos aspectos modais e distingui entre os modos de ser biótico, morfogenético e sensível (psíquico) que qualificavam, respectivamente, os reinos protista, vegetal e animal. Por conveniência, contudo, para os propósitos deste ensaio, eu me refiro coletivamente a esses três modos de ser como o modo biótico de ser.


[10] Para uma discussão expandida da teoria da enkapsis de Dooyeweerd ver a Parte 3 no vol. III (1957).

Uma análise sumária da teoria da enkapsis é também apresentada no meu artigo “Living Things as Hierarchically Organized Structrures” (1992).


[11] Brian Goodwin (1994) apresenta uma excelente crítica do pensamento genocêntrico e faz um forte caso para uma perspectiva organocentrica.


3 - https://netnature.wordpress.com/2020/07/09/falhas-evolutivas-refutam-a-teoria-do-design-inteligente/

FALHAS EVOLUTIVAS REFUTAM A TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE.

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A evolução produziu inúmeras formas de vida surpreendentes, mas você não precisa procurar além do corpo humano para encontrar exemplos que mostram que a evolução também produziu uma série de construções ruins. “As muitas falhas da evolução tornam impossível acreditar na teoria da inteligência. “, diz o professor Glenn-Peter Sætre, da Universidade de Oslo.



O professor Glenn-Peter Sætre, da Universidade de Oslo, é um dos cientistas evolutivos mais proeminentes da Noruega. Crédito: UiO


Um exemplo óbvio de “design não inteligente” no corpo humano é que as mulheres têm um canal de parto estreito, o que torna o parto mais perigoso e mais doloroso do que em outras espécies. A morte materna é agora um fenômeno raro nos países industrializados, mas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a taxa de mortalidade em vários países africanos sem acesso à medicina ocidental é cerca de 200 vezes maior que a da Noruega.


“O corpo humano também é mal construído de muitas outras maneiras. Por exemplo, não somos capazes de sintetizar a vitamina C, tão importante quanto os outros mamíferos. Portanto, devemos obter vitamina C através de nossos alimentos ou morrer de escorbuto. Não é razoável afirmar que esse é o resultado de um design inteligente”, ressalta Sætre.


Até comer pode ser perigoso


As falhas evolutivas não param por aí: o corpo humano é construído de uma maneira que torna perigoso comer! O problema é que tanto a comida que deveria estar indo para o estômago quanto o ar que deveria estar indo para os pulmões entram no nosso corpo pelo mesmo canal – a faringe. O ar, a comida e a água seguem a mesma rota até o ponto em que a faringe se divide na traqueia e no esôfago. Felizmente, a traqueia é equipada com uma pequena válvula ou aba – a epiglote – que impede que os alimentos entrem nela, mas às vezes a epiglote fecha tarde demais. O resultado é que o alimento entra na traqueia, onde pode causar asfixia fatal.


Teria sido mais inteligente se comida e ar entrassem no corpo humano por canais completamente separados, como nas baleias. Esses grandes mamíferos desenvolveram bolhas no topo da cabeça, com a mesma função que as narinas de outros mamíferos. Isso significa que as baleias não precisam elevar a cabeça inteira acima da água para obter ar nos pulmões. Ao mesmo tempo, a construção separa completamente a traqueia do esôfago, para que as baleias não corram o risco de obter comida ou água na traqueia ou nos pulmões ao mergulhar. Nos seres humanos, devemos contar com a ajuda de um espectador familiarizado com a manobra de Heimlich se nossa traqueia ficar bloqueada. No entanto, as baleias não precisam de amigos com braços fortes e conhecimento sobre primeiros socorros.


“Os dentes do siso em humanos também são um exemplo de má construção. Eles são de baixa qualidade e geralmente não há espaço suficiente na mandíbula. E por que temos um apêndice? Ele não tem função em nosso sistema digestivo, e ele pode ser facilmente infectado. Um engenheiro inteligente e profissional poderia facilmente evitar essas construções defeituosas no corpo humano “, acrescenta Sætre.


O professor Sætre de maneira alguma acredita que a evolução é um processo miserável. Por exemplo, deu ao mundo criaturas maravilhosas e variadas, como o tigre, a baleia azul e os tentilhões nas Ilhas Galápagos. Seu argumento é que a evolução não tem previsão ou inteligência; não há plano que possa guiar a direção da evolução.


A teoria da evolução de Charles Darwin foi apresentada no livro “The Origin of Species” em 1859 e é considerada um dos maiores avanços na ciência de todos os tempos. Segundo a teoria de Darwin, toda a vida na Terra surgiu através de um processo de mudança de formas pré-existentes. Esse mesmo processo de mudança é chamado de evolução.


“A evolução é incrível, mas o processo só pode funcionar na variação genética que já está presente em uma espécie a qualquer momento. Se algumas variantes genéticas fornecerem maiores taxas de sobrevivência ou mais sucesso reprodutivo, mais indivíduos na próxima geração terão No entanto, a evolução não pode planejar uma característica melhor e desenvolver um conjunto de genes que a produzirão. Portanto, o processo de evolução produziu uma série de adaptações sub-otimizadas ou não perfeitas”, explica Sætre.


Melhorando o canal do parto


O canal do parto humano é um exemplo óbvio de uma solução subótima. Funciona bem o suficiente para os humanos sobreviverem, se reproduzirem e habitarem a terra. Mas, ao mesmo tempo, mulheres e crianças arriscam suas vidas a cada nascimento que ocorre sem supervisão médica. A razão é que a evolução só conseguiu alcançar um compromisso entre várias considerações diferentes, explica o professor Sætre.


“O principal problema é que o canal do nascimento passa pela pélvis, onde o espaço é limitado. No entanto, a evolução também equipou os humanos com grandes cérebros – o que cria a necessidade de um grande crânio. O crânio simplesmente não pode passar pela pélvis se estiver. grande demais, e a evolução resolveu esse problema, permitindo que os humanos tivessem filhos em um estágio muito mais prematuro do que em espécies relacionadas como o chimpanzé e o gorila”, explica Sætre.


No entanto, existe um limite para a imaturidade de um bebê ao nascer, e obviamente também há um limite para o tamanho da pelve. “Não sabemos bem qual é a limitação mais importante no tamanho da pelve, mas você pode imaginar que seria difícil andar ereto com as duas pernas com uma pelve muito larga”, comenta ele.


Um “designer” ou engenheiro criativo não teria tido muita dificuldade em encontrar outra solução. Por exemplo, o parto teria sido muito mais fácil se a abertura do canal do parto fosse colocada um pouco mais acima do corpo, na área livre de ossos entre a pelve e as costelas. Nesta área, o feto não precisaria passar por uma abertura estreita no esqueleto ósseo na saída. Os cirurgiões humanos desenvolveram essa solução em particular – a cesariana – há muito tempo.


“Você precisaria de muitas mutações para mudar o posicionamento do canal de parto de maneira semelhante. Duvido muito que a evolução possa sempre chegar a essa solução”, comenta Sætre.


O design inteligente não é científico


A teoria da evolução de Charles Darwin, de 1859, é famosa e reconhecida em grandes círculos, mas especialmente nos Estados Unidos, um grande número de pessoas acredita que deve haver uma inteligência e um designer por trás da criação. Os defensores do design inteligente (ID) acreditam que a natureza está tão afinada que a evolução pode não ter progredido por acaso, mas é o resultado de uma engenharia prospectiva. Eles querem que o sistema público de ensino ensine DI como uma alternativa à teoria da evolução. De tempos em tempos, esse debate também surge nos países europeus.


O professor Glenn-Peter Sætre não acredita que seja uma boa ideia usar recursos para ensinar identificação no sistema escolar.


“Na ciência, fazemos hipóteses e as testamos, e depois rejeitamos as hipóteses que não podem ser confirmadas. Dessa forma, estamos nos aproximando cada vez mais da verdade, mas esse modo de pensar está completamente ausente dos seguidores de DI., eles “escolhem” os fenômenos naturais que acham um pouco estranhos, e depois afirmam que esses fenômenos não podem ser explicados pela evolução. Portanto, deve haver um designer “, diz Sætre.


“Mas, infelizmente, os apoiadores do DI não se importam se seus argumentos são refutados uma e outra vez. Todos os exemplos” inexplicáveis ​​”que citam podem ser explicados pela teoria da evolução”, acrescenta ele.


O olho da lula é mais inteligente


Um dos exemplos favoritos de adeptos do DI é o olho humano, que eles afirmam que não poderia ter surgido através de uma evolução sem um plano. A razão é que todos os constituintes do olho – a pupila, a lente, a retina com células fotossensíveis etc. – devem estar no local para que o olho funcione.


“Mas esse argumento ignora o fato de que encontramos todos os tipos de olhos na natureza. Nós, como biólogos, podemos apresentar uma longa lista mostrando como o olho evoluiu, desde os órgãos fotossensíveis mais simples dos mexilhões, por exemplo, até os olhos avançados dos mamíferos. Existem também organismos em que o desenvolvimento do olho foi mais longe do que nos seres humanos: a águia e muitas outras aves de rapina têm um senso visual muito mais nítido do que os seres humanos, e outras espécies de aves têm células fotossensíveis que podem perceber a luz dos comprimentos de onda. invisível para nós “, explica Sætre.


Inventar a mesma coisa duas vezes


Um projetista inteligente provavelmente ficaria satisfeito se inventasse a pólvora uma vez, mas a evolução sem um plano não funciona dessa maneira. Portanto, o olho e o sentido da visão se desenvolveram várias vezes ao longo dos milênios. É por isso que os insetos têm um olho completamente diferente do nosso.


“O polvo tem um olho que se parece muito com o olho humano, exceto que é muito melhor! A retina da lula não tem um ponto cego porque os” cabos “que transportam sinais elétricos das células fotossensíveis da retina são saindo do olho pela parte de trás da retina”, explica Sætre.


Em vez disso, nos seres humanos e em nossos parentes evolutivos, o olho é construído para que os “cabos” fiquem no topo da retina e bloqueiam parte da luz que chega de células fotossensíveis. Não é muito inteligente. A construção também cria a necessidade de os cabos passarem pela retina, e isso ocorre no ponto cego, a aproximadamente 15 graus do ponto em que o olho focaliza a visão nítida.


Não há células fotossensíveis no ponto cego, mas você não percebe essa cegueira parcial diariamente porque o cérebro compensa a falta de informações visuais. No entanto, é fácil provar que o ponto cego existe; O YouTube está cheio de evidências de que o cérebro está adivinhando o que você teria visto se tivesse o olho de um cefalópode.


ID é um fenômeno marginal


O professor Glenn-Peter Sætre não perde tempo se incomodando com a teoria da DI, que ainda é um fenômeno marginal na Noruega e na maioria dos outros países europeus.


“Minha impressão é que os principais representantes das principais religiões do mundo aceitam a ciência moderna. Eles percebem que não é razoável acreditar que a Bíblia deve funcionar como um livro que supera tudo o que desenvolvemos em conhecimento e tecnologia nos últimos 2000 anos. Não é necessário interpretar as histórias e parábolas de obras religiosas literalmente, tornando-se um negador da ciência”, diz Sætre.


“Eu também sou ateu, mas sei que também existem evolucionistas – especialmente nos Estados Unidos – que são cristãos devotos. Essa combinação não é tão comum na Noruega, mas também somos uma sociedade mais secular”, acrescenta.


As células solares superam a fotossíntese


O ponto de partida para a evolução é que o “mecanismo” que copia o DNA em nossas células não funciona perfeitamente, de modo que as mutações ocorrem o tempo todo. A maioria das mutações é desvantajosa e é eliminada quando os indivíduos que as transportam falham na luta para sobreviver e se reproduzir. No entanto, algumas das mutações são neutras ou benéficas, e isso dará origem a uma variação genética na qual a evolução pode trabalhar.


Embora a evolução não tenha um plano, o processo conseguiu produzir construções engenhosas como a molécula de clorofila. Isso é incrível e impressionante! Mas o diretor Vebjørn BakkenatUiO: A energia não está tão impressionada. A razão é que a clorofila só pode utilizar entre 1 e 2% da energia disponível na luz solar.


“Fiquei um pouco irritado com algumas pessoas que repetem que devemos aprender com as usinas quando estivermos desenvolvendo células solares eficientes. Os cientistas já superaram a natureza há muito tempo”, diz Bakken.


As células solares mais eficientes disponíveis atualmente são capazes de utilizar 47,1% da energia da luz solar! É certo que essas células solares são conceitos muito complicados e caros que só estão disponíveis no laboratório até o momento.


“Mas mesmo se nos ativermos às células solares de silício comuns – que dominam completamente o mercado hoje em dia – o limite teórico de utilização é de aproximadamente 29% de eficiência. Muito melhor do que a natureza e a clorofila alcançaram. O grande volume de painéis vendidos comercialmente é na faixa de 16 a 19% de eficiência”, acrescenta Bakken.


Assim, as células solares há muito tempo alcançaram uma eficiência muito melhor que a natureza.


“Mas gostaria de acrescentar que os engenheiros humanos ainda não alcançaram a mesma confiabilidade e longevidade que a evolução produziu. Uma árvore muito comum pode funcionar sem problemas por centenas de anos, e isso é muito mais do que alcançamos com as células solares. A fotossíntese da natureza também é capaz de absorver e converter CO2 em concentrações muito baixas, por isso ainda temos algo a aprender com a natureza “, acrescenta Bakken.


O gene egoísta


Em 1976, o biólogo evolucionista e autor britânico Richard Dawkins publicou o livro The Selfish Gene. No livro, ele argumenta que é mais fácil explicar a evolução se você considerar os genes – em vez de os organismos – como o foco da seleção natural.


“O argumento de Dawkins é muito útil, porque facilita a compreensão de cenários de seleção complexos onde pode haver conflito entre níveis diferentes. Por exemplo, nós humanos temos muitas seqüências de DNA” inúteis “em nosso genoma – sequências que não codificam são chamados de transposons ou elementos transponíveis, e agem quase como algum tipo de parasita no genoma. Eles simplesmente utilizam o “mecanismo” em nossas células para fazer cópias de si mesmos, e muitas vezes podem ser diretamente prejudiciais para o organismo. organismo de acolhimento. A teoria de Dawkins torna mais fácil entender por que os transposons existem “, comenta Sætre.


A teoria sobre o gene egoísta também facilita a compreensão de por que existem moldes estéreis em formigas, abelhas e outros insetos eusociais. A maioria dos indivíduos em uma colônia de formigas ou abelhas são fêmeas estéreis chamadas trabalhadoras e nunca são capazes de procriar e transmitir seus próprios genes para a próxima geração. No entanto, seus genes são em grande parte cópias dos genes que a rainha carrega, uma vez que as trabalhadoras são suas irmãs. Esse ponto é bom o suficiente para a evolução.


“A perspectiva de Richard Dawkins facilita a compreensão das comunidades em que os insetos eusociais vivem. De fato, ter uma casta estéril pode realmente tornar a sociedade mais eficaz. No total, mais formigas são produzidas em um ninho eusocial do que se cada formiga tivesse encontrado. um parceiro e reproduzido por conta própria “, explica Sætre.


O princípio de ajudar parentes próximos a se reproduzir também pode explicar o comportamento humano em certa medida. O cientista britânico JBS Haldane supostamente sentou-se em um bar quando descobriu o princípio chamado aptidão inclusiva. Haldane argumentou que ele poderia arriscar sua própria vida e pular em um rio se pudesse salvar a vida de um parente próximo em risco de se afogar, mas dificilmente arriscaria tanto por qualquer outra pessoa com quem não estivesse intimamente relacionado. A explicação é que compartilhamos muitos genes com parentes próximos, mas menos genes são compartilhados com estranhos.


Peixe chato inclinado para a esquerda e para a direita


Voltando aos olhos do polvo, o professor Sætre argumenta que um designer inteligente provavelmente teria resolvido resolver o mesmo problema uma vez. Mas a evolução não tem um plano, e é por isso que existem muitos olhos diferentes por aí. A evolução sem um plano também é a razão pela qual os pássaros, os morcegos e as abelhas desenvolveram técnicas separadas para voar. A evolução, por sinal, deu pulmões às aves que são muito mais bem construídos do que os pulmões dos morcegos e de outros mamíferos. As aves têm pulmões que consistem em tubos longos que atravessam diretamente seus corpos, mantendo todas as partes dos pulmões bem oxigenadas. Em vez disso, nós mamíferos precisamos inspirar e expirar pela mesma passagem, e o resultado é que sempre temos um resíduo de ar usado nos cantos mais distantes de nossos pulmões.


O biólogo evolucionário americano Stephen Jay Gould contou-nos sobre outra famosa “invenção dupla” em seu livro O panda do polegar, de 1980. O título alude que os ancestrais dos pandas atuais não tinham polegar, mas seria útil tê-lo quando você passar muito tempo nas árvores. O resultado é que a evolução deu um polegar ao panda, mas o engraçado é que o polegar dos pandas não se desenvolveu a partir de um dedo normal. Em vez disso, o polegar do panda é uma versão modificada de um dos ossos sesamóides nas mãos, que basicamente tem uma função completamente diferente.


Tornar-se plano aumenta a sobrevivência


Glenn-Peter Sætre tem outro exemplo, que também ilustra que a evolução muitas vezes pode inventar a mesma coisa duas vezes: peixes chatos e raias. Ambos são planos, mas de maneiras diferentes.


“Um peixe que vive próximo ao fundo do mar pode ter maiores taxas de sobrevivência se conseguir se esconder de predadores. Muitos milhões de anos atrás, alguns ancestrais dos peixes chatos modernos começaram a colocar seus corpos de lado no fundo do mar quando se escondiam, porque a altura reduzida O esconderijo lateral fez com que um olho acabasse na lama, o que não era muito inteligente.Felizmente, uma série de mutações aleatórias nos genes dos peixes chatos deu à evolução algo para trabalhar. peixes chatos estranhos e assimétricos que temos hoje “, explica Sætre.


A prova é que os peixes chatos juvenis modernos se parecem com qualquer outro peixe quando eclodem de seus ovos. As larvas de peixes chatos têm corpos simétricos com um olho de cada lado. Mas à medida que o peixe chato cresce, ele muda de aparência. O corpo começa a se inclinar e o olho de um lado começa a vagar para o outro lado. Finalmente, o corpo mudou tanto que o lado esquerdo se tornou um lado de baixo branco e o lado direito se tornou um lado de cima mais escuro – ou vice-versa. O peixe chato adulto agora obteve sua aparência característica, que é adequada para camuflar no fundo do mar.


O professor Sætre ressalta que os ancestrais dos raios modernos – como o raio manta – passaram por uma evolução semelhante. Eles aumentaram suas taxas de sobrevivência tornando-se achatados e mais fáceis de esconder, mas não se deitaram de lado como os peixes chatos ancestrais. Em vez disso, eles se estabeleceram diretamente no fundo do mar e começaram a se achatar enquanto mantinham a simetria original.


“A evolução é um processo fantástico e empolgante, que surgiu com um número infinito de formas e formas criativas de vida. No entanto, não há razão para acreditar que um designer inteligente tenha controlado o processo. Qualquer designer pobre com milhões de anos disponíveis para tentar novas soluções poderiam ter feito um trabalho muito melhor”, diz o professor Glenn-Peter Sætre.


Traduzido por Roger Araújo


Fonte: Phys.Org



4 - https://www.comciencia.br/dossies-1-72/presencadoleitor/artigo15.htm


A Teoria do Design Inteligente não é criacionismo


por Enézio E. de Almeida Filho (*)


O Núcleo Brasileiro de Design Inteligente é um pequeno, mas crescente grupo de professores e alunos de universidades públicas e privadas brasileiras. Propomos a Teoria do Design Inteligente [TDI] como a inferência científica que melhor explica certas evidências encontradas no universo e nas coisas vivas. Questionamos e apontamos 'erros' e 'distorções' das atuais teorias da origem e evolução da vida. Analisamos e avaliamos 'dados' com 'ceticismo profissional' pois as interpretações são passíveis de erros. Muito mais este autor que advogou o materialismo filosófico na versão marxista.


O neodarwinismo não é avaliado, criticado e revisado pela maioria dos evolucionistas. Antes, o 'objeto de desconfiança', ceticismo é de quase 'adoração': "Como um bom darwinista, é parte de minha religião (sic) que nada acontece na evolução sem ter sido autorizado pela seleção natural", Ernst Mayr, Mais, Folha de São Paulo, 04/07/04, p. 6 .


A Teoria Especial da Evolução [TEE -- microevolução, modificação biológica limitada intraespécie] é a mais avaliada e estabelecida pelas evidências. Discutível é a Teoria Geral da Evolução [TGE - a macroevolução, modificação biológica ilimitada interespécie- mutação mais seleção natural [descendência modificada e ancestral comum] que, circunstancialmente apoiada pelas evidências, é tenazmente defendida pelos darwinistas ultra-ortodoxos. Darwin é ícone que devemos 'reverenciar' secular e academicamente.


Richard Feynman disse: "A ciência é a cultura da dúvida". Hoje, dúvida e dissidência na Biologia são intoleradas, e os mais novos aprendem a ficar silenciosos se tiverem algo negativo a dizer sobre o neodarwinismo: pode custar financiamento das pesquisas e, muito pior, respeito e avanço nas carreiras acadêmicas. Chamam isso de 'liberdade de cátedra'...


A TGE não é 'uma teoria' como outra qualquer. Os que praticam ciência normal se apegam ao paradigma e fazem tudo para não ser substituído. O 'conflito paradigmático' só acaba pela 'solução biológica': quando defensores do paradigma vigente morrem e são substituídos pelos 'hereges' [Kuhn, "A estrutura das revoluções científicas"]. Paciência é virtude dos proponentes da TDI.


A descoberta de algo nem sempre derruba teorias, nem confere honrarias a alguém. O Big Bang (massa, energia, tempo e espaço têm começo - implicações teológicas) ficou no ostracismo por mais de 30 anos [Stephen Hawking]. Darwin resiste ao teste porque a Nomenklatura científica se recusa considerar teorias rivais.


Ao contrário do que é comumente afirmado, nem todas as ciências da vida, 'se apóiam na evolução'. Contrariando Dobzhansky e Mayr, 'nada no mundo vivo faz sentido se não for à luz das evidências biológicas'. Elas dizem não a Darwin et al.


Há evolucionistas materialistas [Dawkins, Lewontin]; não materialistas [Dobzhansky, David Lack, Newton-Freire]; neutralistas [Motoo Kimura]; saltacionistas [Gaylord Simpson, Gould e Eldredge] e ..... [preencher as lacunas].


Como os darwinistas, somos politicamente organizados e motivados por razões científicas: a TDI é uma teoria alternativa ao neodarwinismo. Não defendemos os criacionistas, mas há cientistas criacionistas que ensinam, pesquisam e publicam trabalhos.


Atitude pseudocientífica é não fazer periodicamente o balanço dos livros teóricos vis-à-vis às evidências. Não existe teoria científica sem corroboração das evidências. Os darwinistas ultra-ortodoxos não querem essa auditoria epistêmica à la Popper, Kuhn e Feyerabend e as evidências.


Nós proponentes e apoiadores da TDI, além de criticarmos o neodarwinismo, estudamos e pesquisamos. Somos mais de 300 Ph. Ds. (Harvard, Stanford, Princeton, Yale). Contamos com o Dr. Henry F. Schaefer III, University of Georgia, o terceiro químico mais citado no mundo, indicado cinco vezes para o Nobel.


Não queremos 'desacreditar a teoria evolutiva', mas propomos ensinar as evidências a favor e contra. A mudança paradigmática ocorrerá quando a comunidade científica se convencer que as evidências fatais contra Darwin não podem mais ser tapadas com uma peneira epistemológica furada.


As críticas à evolução não foram rebatidas como é retoricamente afirmado: a explosão Cambriana - quase todos os principais filos atuais já se encontravam 'como se tivessem sido plantados lá sem história evolutiva' [Dawkins] - Darwin considerou isso séria objeção à teoria; a descontinuidade de fósseis - a característica é estase - longos períodos sem modificação; os sistemas complexamente irredutíveis não são gradualmente explicados pois inexiste pesquisa na literatura especializada lidando com a questão [Behe]. Esses fatos não podem ser derrubados por nenhum cientista.


O que seria a negação de uma teoria [Popper]? E essas dificuldades para o mecanismo darwinista de mutação-seleção natural [descendência com modificação e ancestral comum]: origem da vida, código genético, vida multicelular, sexualidade, escassez de formas transicionais no registro fóssil, desenvolvimento de sistemas de órgãos complexos e de 'máquinas' moleculares irredutivelmente complexas? Como programa de pesquisa científica, parece que a teoria darwinista falhou.


Que a TGE está cada vez mais fraca, em crise e desacreditada por muitos cientistas, eis pequena bibliografia: Evolution: A Theory in Crisis (1986), de Michael Denton; Darwinism: The Refutation of a Myth (1987), de Sören Loventrup; The Origins of Order (1993), de Stuart A. Kauffman; How the Leopard Changed its Spots (1994), de Brian C. Goodwin; Reinventing Darwin (1995), de Niles Eldredge; The Shape of Life (1996), de Rudolf A. Raff; A Caixa Preta de Darwin (1997), de Michael J. Behe; The Origin of Animal Body Plans (1997), de Wallace Arthur; Sudden Origins: Fossils, Genes and the Emergence of Species (1999), de Jeffrey H. Schwartz. Todos os autores duvidam do poder criativo do mecanismo neodarwinista de seleção natural/mutações.


Confrontados com a fraqueza de seus argumentos, os darwinistas ultra-ortodoxos chamam seus oponentes de 'fundamentalistas', 'crentes da Terra plana', 'criacionistas', apesar de cientificamente embasados, invertendo assim a história da ciência moderna na substanciação, aceitação, revisão e descarte de teorias.


Cientificamente, a insuficiência epistêmica da TGE é bizarra e preocupante. Como defender idéias não apoiadas pelas evidências? Certamente há muitas pessoas inteligentes entre os darwinistas. A não percepção desse absurdo deve-se à cosmovisão ideológica: materialismo filosófico mascarado de ciência.


Ernst Mayr reconheceu: as 'leis e experiências são técnicas inapropriadas para a explicação de tais eventos e processos'. Em vez disso, os biólogos e teóricos evolucionistas constróem 'narrativas históricas' e 'explicações plausíveis' inerentemente subjetivas. Como a evolução (TGE) não dispõe de confirmação experimental, suas 'narrativas históricas' permanecem como especulações, a menos que a sua evidência exclua a hipótese rival de design inteligente.


A TGE [transformismo das espécies] não é 'scientia qua scientia' e estes argumentos, apesar de vazios, são ferrenhamente defendidos como 'episteme'. Irônico, Scopes defendeu o ensino 'das duas teorias alternativas'. Hoje, questionar Darwin é crime de lèse majesté na Academia.


Desconhecendo a história e o conteúdo da TDI, Maurício Vieira Martins afirmou que os criacionistas tiraram a palavra 'criacionismo' e a alteraram para 'Design Inteligente' (in "O criacionismo chega às escolas do Rio de Janeiro: uma abordagem sociológica"). Tivesse pesquisado os principais sites criacionistas ficaria sabendo do descontentamento dos criacionistas com a TDI.


A mídia relata a controvérsia "evolução e ensino do criacionismo" nas escolas e algumas vezes citam a TDI. Alguns evolucionistas tentam combinar 'design inteligente' (DI) com 'criacionismo' empregando o termo 'criacionismo de design inteligente'.


O DI é diferente do 'criacionismo'. Seus críticos reconheceram isso. Ronald Numbers, historiador de ciência da University of Wisconsin, crítico do DI, disse 'que o rótulo de criacionismo é impreciso' quando diz respeito ao DI'. Por que, então, Eduardo Rodrigues da Cruz (in "Criacionismo, lá e aqui") e Vieira Martins identificaram o DI com o criacionismo nesta edição de "ComCiência"? Uma leitura objetiva do livro "The Design Inference: Eliminating Chance Through Small Probabilities", de William A. Dembski, (Cambridge: Cambridge University Press, 2001) eliminaria esse juízo de valor ideológico. Se Rodrigues da Cruz e Vieira Martins tivessem lido a tese de Dembski, eles não fariam esta gratuita associação. Segundo Numbers, ela é feita porque este é 'o caminho mais fácil para desacreditar o design inteligente'. A acusação de 'criacionismo' é estratégia retórica para deslegitimar a TDI sem devidamente abordar seus méritos científicos.


Razões por que o DI não é criacionismo:


1. "Criacionismo de Design Inteligente" não é rótulo neutro: é termo pejorativo, polêmico, inventado por alguns darwinistas para atacar o DI por razões retóricas. Cientistas que apóiam o DI não se descrevem como 'criacionistas de design inteligente' nem consideram a TDI como criacionismo. O termo 'criacionismo de design inteligente' é inexato, inapropriado e tendencioso, especialmente de cientistas e jornalistas que estão tentando ser imparciais. "Teoria do Design Inteligente" é a descrição neutra da teoria.


2. A TDI é baseada na ciência e não em textos sagrados. O criacionismo defende a leitura literal da criação no livro de Gênesis pelo Deus da Bíblia há 6.000 anos atrás. A TDI é agnóstica em relação à origem do design e não defende nenhum texto sagrado. A TDI é um esforço de detectar empiricamente se o 'design aparente' observado pelos biólogos na Natureza é design genuíno (produto de uma inteligência organizadora) ou produto do acaso, necessidade e leis mecânicas naturais.


Detectar design na natureza vem sendo adotado por vários cientistas em renomadas faculdades e universidades americanas: Michael Behe, bioquímico da Lehigh University, Scott Minnich, microbiologista da University of Idaho e o matemático William Dembski na Baylor University entre muitos outros.


3. Os criacionistas sabem: a TDI não é criacionismo. Dois grupos criacionistas importantes, Answers in Genesis Ministries - AIG e o Institute for Creation Research - ICR criticaram o Movimento de Design Inteligente (MDI) porque a TDI não defende o relato bíblico de criação.


O AIG reclamou do MDI pela 'recusa em identificar o Designer com o Deus bíblico' e destacou: 'os principais expoentes do MDI formam um grupo filosoficamente e teologicamente eclético'. De acordo com o AIG, 'muitas figuras importantes no MDI rejeitam ou são hostis à criação bíblica, especialmente a noção de uma criação recente...'


O ICR criticou MDI por não empregar 'o método bíblico' e que 'somente o Design não é suficiente!'. Os criacionistas entenderam claramente - a TDI não é criacionismo.


4. Como o darwinismo, a TDI pode ter implicações religiosas, mas são distintas de seu programa científico. A TDI, como o Big Bang, pode ter implicações em áreas fora da ciência (teologia, ética e filosofia), mas distintas do DI como programa de pesquisa científica. Nesta questão, a TDI não difere da TE. Darwinistas importantes tiram implicações teológicas e culturais da teoria da evolução. Richard Dawkins, da Oxford University, afirmou que 'só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito'. E. O. Wilson, de Harvard, emprega a biologia darwinista para desconstruir a religião e as ciências humanas.


Outros darwinistas tentam extrair implicações positivas da teoria de Darwin para a religião. Ora, se os darwinistas têm o direito de explorar implicações culturais e teológicas da teoria de Darwin sem desqualificar o darwinismo como ciência, então discussões inspiradas na TDI nas ciências sociais e humanas não a desqualificam como teoria científica.


5. Críticos imparciais reconhecem a diferença entre a TDI e o criacionismo. Cientistas e autores científicos estão chegando à conclusão: o DI é diferente do criacionismo. Robert Wright, da revista Time, afirmou: "Os críticos do DI, que tem sido anunciado na imprensa como uma nova e sofisticada [teoria], dizem que é apenas criacionismo disfarçado. Se assim for, é um bom disfarce. Os criacionistas acreditam que Deus fez as atuais formas de vida do nada. ... e muitos de seus adeptos [do DI] acreditam na evolução. Alguns até admitem um papel para o mecanismo evolutivo colocado por Darwin: a seleção natural. Eles apenas negam que a seleção natural sozinha possa ter dirigido a vida durante todo o caminho desde um pequeno poço de elementos inorgânicos até nós'.


Quaisquer que sejam os problemas que possa ter a TDI, devem permitir que ela surja ou caia pelos seus méritos, e não pelos méritos de outra teoria. Quem não quer a TDI na mesa de debate acadêmico são os darwinistas ultra-ortodoxos. Razão? Os teóricos e proponentes da TDI são cientistas devidamente capacitados para demonstrar a insuficiência epistêmica do neodarwinismo.


Apresentamos argumentos e afirmativas à comunidade científica, mas a reação é apaixonada e acientífica: 'Darwin não é dúvida entre os cientistas', 'não há crise na teoria', e outras evasivas nada recomendáveis aos que se dizem sujeitos ao rigor do método científico. A afirmativa 'não há crise na teoria evolucionista' impressiona leigos e intimida os que querem fazer ciência.


Não deveria existir conflito ciência versus religião, nem tampouco os cientistas devem ser obrigados, por uma 'camisa de força epistemológica', a optar entre o que diz a evidência e o que impõe o establishment científico como verdade.


Certamente ignoram: a comunidade científica da TDI é uma como qualquer outra. Seus integrantes são pessoas de diversas religiões e até agnósticos [David Berlinski, matemático judeu]. Não somos um bando homogêneo de teístas e ateus serão mais do que bem-vindos. Como parte da 'pólis', alguns buscam participar das decisões políticas e científicas.


Nós não nos infiltramos em conselhos de educação e nem de governos. Polemizamos sim, para arregimentar seguidores, criando espaço numa mídia altamente refratária à TDI. Se conseguimos espaço em publicações de divulgação científica foi por mérito da TDI. Nossos argumentos fazem sentido. Avançar politicamente organizados foi aprendido com Darwin, Huxley et al. Aqui, somos um grupo de voluntários sem apoio financeiro dos Estados Unidos. Tupi or not tupi!


Lá nos EUA os cientistas já perceberam: estão lidando sim com um debate de alto nível acadêmico e de importantes conseqüências para a ciência: a volta do design como inferência científica. Prova disso: vários livros foram publicados lidando com a TDI foram publicados na última década. A Academia não pode mais deixar de lidar com a TDI no Brasil. Não visamos sabotar o ensino de ciências: queremos sim liberdade epistemológica para questionar Darwin sem as sanções acadêmicas radicais que aconteceram nos Estados Unidos - a a maior democracia do planeta.


A SBPC deu passo importante opondo-se à lei aprovada no RJ. Seria muito importante a SBPC estimular o debate das dificuldades teórico-empíricas das atuais teorias da origem e evolução da vida. A TDI discute essa liberdade científica que os darwinistas ultra-ortodoxos não querem ver acontecer. Razão? Há grande e sério risco -- perda de status acadêmico, de prestígio e poder sobre a sociedade.


A opção darwinista fundamentalista de 'blindar' a teoria de um exame crítico não é postura científica -é postura manipuladora ideológica que trouxe, traz e trará atraso à ciência na questão da origem e evolução da vida.


(*) Enézio E. de Almeida Filho é Coordenador do NBDI - Núcleo Brasileiro de Design Inteligente (neddy@uol.com.br), Campinas - SP.


Artigo enviado pelo autor à ComCiência



5 - http://www.criacionismo.com.br/2016/03/pernas-de-dinossauro-em-galinhas-conta.html


Pernas de “dinossauro” em galinhas? Conta outra!

quarta-feira, março 16, 2016  evolucionismo  


Forçaram a barra

Sabe aquela lenda urbana macroevolutiva de que as aves seriam descendentes de dinossauros (confira aqui)? Pois é... Cientistas pensam ter fabricado encontrado uma evidência disso. Pesquisadores do Chile manipularam genes de galinhas comuns para que desenvolvessem fíbulas mais longas em suas pernas, como os dinossauros voadores tinham. Foi isso. Para os pesquisadores, embriões de aves modernas como galinhas apresentam sinal de que poderiam desenvolver uma fíbula longa como a dos Archaeopteryx, mas, conforme crescem, esses ossos ficam mais curtos e finos. O pesquisador João Botelho, da Universidade do Chile, decidiu investigar como teria acontecido a transição entre os dois tipos de fíbula. Para fazer isso, ele e sua equipe inibiram a expressão do gene IHH, que faz o osso parar de crescer durante o desenvolvimento da galinha. Com isso, descobriram mais um ossinho escondido ali, que impedia o crescimento da fíbula. Os pesquisadores sugeriram em sua publicação na revista Evolution que esse crescimento foi impedido por um osso no tornozelo chamado calcâneo.


Essa pressão exercida pelo calcâneo na fíbula envia sinais de que a fíbula deve parar de crescer, isso tudo muito antes de atingir o tornozelo. Quando o gene IHH é desligado, esse crescimento acontece. Assim, embriões foram criados com a fíbula e a tíbia do mesmo tamanho. O objetivo da pesquisa foi compreender a suposta transição entre dinossauros voadores e aves modernas.


Essa não foi a primeira vez que esse grupo de pesquisadores “recriou” galinhas antigas. Em 2015, eles criaram “pés de dinossauro” em galinhas. Outra equipe nos Estados Unidos conseguiu criar um “bico de dinossauro” em embriões de galinhas.


Só que um detalhe precisa ser destacado: essas pesquisas partem da pressuposição de que aves teriam descendido de dinossauros, mas tudo o que fazem é promover alterações genéticas. Sabe-se lá quantas alterações poderiam ser feitas em outras espécies (e mesmo em seres humanos) ao serem desligados certos genes? O fato de termos genes que codificam funções semelhantes em outros seres vivos indicaria evolução ou design inteligente por parte de um Criador que Se valeu de mecanismos complexos para operar funções semelhantes em seres diferentes? Não fazemos algo parecido quando colocamos rodas em bicicletas, motos, carros e aviões?


O problema é que a pesquisa acima foi divulgada na mídia como se os cientistas tivessem feito uma ave virar dinossauro, o que é totalmente sensacionalista e desonesto. [MB]



6 - http://www.criacionismo.com.br/2015/06/as-aves-nao-evoluiram-dos-dinossauros_5.html


As aves não evoluíram dos dinossauros

sexta-feira, junho 05, 2015  dinossauros, Everton Alves, evolucionismo  


Sem evidências conclusivas

A afirmação de que alguns dinossauros evoluíram para aves é um dogma evolucionista [leia mais sobre esse assunto aqui]. Para os defensores dessa ideia, quando você olha para uma águia, está vendo um dinossauro com outras características. Em 2008, um estudo publicado alegava ter descoberto um dinossauro que respirava como as aves.[1] Esse artigo foi quase todo baseado em mera especulação. Sua investigação foi promovida pelos meios de comunicação populares como sendo um fato irrefutável. O estudo foi capa de revistas! Mas uma pesquisa mais recente publicada no Journal of Morphology, conduzida por cientistas da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, analisou a capacidade pulmonar das aves e sugeriu que é improvável que elas descendam de algum tipo de dinossauro.[2] Segundo os pesquisadores, “as conclusões juntam-se a outras evidências que podem, finalmente, forçar muitos paleontólogos a reconsiderar a longa crença segundo a qual as aves modernas seriam descendentes diretos de muitos dinossauros carnívoros”.[3] Note que essa frase não foi proferida por criacionistas sem estudos (como é de costume chamar os proponentes do DI), mas sim por evolucionistas.


As aves necessitam cerca de 20 vezes mais oxigênio do que os répteis, e é sua estrutura pulmonar única que lhes permite absorver tanto oxigênio. O fêmur delas fixo é o esteio dos pulmões e previne seu colapso. Acerca disso, os pesquisadores fazem a seguinte alegação: “Há muito que os cientistas sabem que o fêmur dos pássaros é fixo, ao contrário do fêmur dos animais terrestres, que é móvel. O que até hoje ainda ninguém tinha descoberto é que é o fato de o fêmur das aves ser estático que impede que seus sacos aéreos entrem em colapso cada vez que elas respiram.”[3] Como vemos, basta deslocar um pouco que seja a posição do fêmur da ave e ela morrerá.


Um dos autores do estudo, Devon Quick, afirma: “Isso é fundamental para a fisiologia das aves [...]. É muito estranho ninguém ter se apercebido disso antes. A posição do fêmur e dos músculos nas aves é crítica para o funcionamento dos seus pulmões que, por sua vez, é o que lhes fornece capacidade pulmonar suficiente para praticar o voo.”[3] Além disso, John Ruben, coautor do estudo, reforçou: “Os dinossauros terópodes tinham um fêmur móvel e, por conseguinte, não poderiam ter um pulmão que funcionasse como o das aves. Seu saco aéreo abdominal, se possuíssem um, teria entrado em colapso. [...] Um velociraptor não apenas brotou penas em algum momento e saiu a voar”, concluiu.


Mas, então, por que a persistência nessa relação dinossauro-ave? John Ruben cita algumas razões: “Francamente, há muita política de museu envolvida nesse assunto, muitas carreiras comprometidas com um ponto de vista particular, mesmo se novas evidências científicas levantem questões.”[3] Portanto, mais do que movidos pelas evidências científicas, os evolucionistas que defendem essa relação dino-ave têm outros interesses. Todas as pessoas, incluindo os cientistas, têm suas ideias preestabelecidas que norteiam suas investigações. Ao contrário do que muita gente possa pensar, não é por serem cientistas que passam a ser neutros, ideologicamente falando.


Além dessas, diversas outras evidências presentes na literatura desafiam as teorias amplamente aceitas sobre a evolução das aves a partir dos dinossauros. Em 1997, por exemplo, um estudo analisou as origens dos três ossos dos dedos/asas e pés dos dinossauros terópodes e aves modernas.[4] Os resultados indicaram claramente que as mãos dos dinossauros terópodes são derivadas de dígitos I, II e III, enquanto que as asas das aves, embora sejam parecidas em termos de estrutura, são derivadas de dígitos II, III e IV.  Essa pesquisa rompeu o vínculo da hipótese dino-ave visto que, se os pássaros forem descendentes dos dinossauros terópodes, seria de se esperar estruturas homólogas derivadas a partir de regiões comparáveis.


Em 1997, outro estudo analisou o membro anterior do terópode e descobriu que ele é muito menor (em relação ao tamanho do corpo) do que o do Archaeopteryx.[5] A pequena “proto-asa” do terópode não é muito convincente, especialmente considerando o peso bastante robusto desses dinossauros. Na grande maioria dos terópodes falta o osso do pulso semilunate, e eles têm um grande número de outros elementos de pulso, que não têm homologia com os ossos de Archaeopteryx. Ainda em 1997, uma pesquisa analisou a morfologia e a função de ambos os pulmões de dinossauros terópodes e as primeiras aves (Archaeopteryx e Enantiornithes) e descobriu que eles eram septados, isto é, possuíam um grande alvéolo único, pouco vascularizado e ectotérmico (sangue frio), no entanto, as aves se distinguiam dos dinossauros por não apresentar um mecanismo de diafragma pistão hepático; tais características sugerem a impossibilidade de ter evoluído para os pulmões de aves modernas de alto desempenho.[6]


Em 2013, foram descobertos restos fósseis de uma nova espécie de dinossauro, o Eosinpteryx, cheio de penas e parecido com as aves modernas, mas não podia voar. Esse achado desafiou a teoria de que o famoso fóssil de Archeopterix foi essencial na evolução dos pássaros modernos, e mostrou que a origem do voo foi mais complexa do que se esperava.[9] Em 2014, um estudo reexaminou um fóssil de epidendrosaurus (antes classificado como uma transição entre dino-ave), pré-Archaeopteryx, e os resultados novamente desafiaram a hipótese amplamente aceita de que as aves evoluíram dos dinossauros. O epidendrosaurus não tinha as características estruturais do esqueleto fundamentais para classificá-lo como um dinossauro, portanto, ele era apenas uma ave que foi precipitadamente tida como um fóssil de transição.[10]


Em 2009, um extenso estudo não encontrou nenhuma diferença estatística (com base em análise cladística) entre a hipótese de que as aves eram um clado aninhado dentro da espécie de dinossauros terópodes Maniraptora e a hipótese de que clades principais da Maniraptora realmente voavam e que as radiações do voo dentro do clade eram suportadas pelo Archaeopteryx e aves modernas.[7] Em 2011, um estudo também desafiou a centralidade do Archaeopteryx na transição para as aves; a descoberta de um novo fóssil de pássaro removeu o Archaeopteryx (o suposto elo perdido entre dinossauros e aves) da família aviária e o colocou em uma família estreitamente relacionada de dinossauros não aviários.[8]


Resumindo, aves foram projetadas para ser aves, e dinossauros foram projetados para ser dinossauros. É vexatório para a teoria da evolução o acúmulo de tantas fraudes e erros interpretativos. Ela é o maior conto de fadas para adultos, diferenciando-se dos contos infantis devido a apenas um elemento: o tempo. Para concluir, uma reflexão: “Embora a teoria da evolução forneça uma robusta explicação para o aparecimento de variações menores no tamanho e na forma das criaturas e das partes que as compõem, ela não dá grande orientação para a compreensão do aparecimento de estruturas completamente novas como dígitos, membros, olhos e penas.”[11] Assim, manter-se evolucionista mesmo diante de tantas evidências contrárias é questão de uma fé cega e irracional.


(Everton Alves)

Referências:

[1] Sereno PC, Martinez RN, Wilson JA, Varricchio DJ, Alcober OA, Larsson HC. “Evidence for avian intrathoracic air sacs in a new predatory dinosaur from Argentina.” PLoS One. 2008; 3(9):e3303. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18825273

[2] Quick DE, Ruben JA. “Cardio-pulmonary anatomy in theropod dinosaurs: Implications from extant archosaurs.” J Morphol. 2009; 270(10):1232-46. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19459194   

[3] Oregon State University. “Discovery Raises New Doubts About Dinosaur-bird Links” [Jun. 2009]. Science Daily, 2009. Disponível em: http://www.sciencedaily.com/releases/2009/06/090609092055.htm         

[4] Burke AC, Feduccia A. “Developmental Patterns and the Identification of Homologies in the Avian Hand.” Science. 1997; 278(5338): 666-668.

[5] Hinchliffe R. “The forward march of the bird-dinosaurs halted?” Science. 1997: 

278(5338):596-597. 

[6] Ruben JA, Jones TD, Geist NR, Hillenius WJ. “Lung structure and ventilation in theropod dinosaurs and early birds.” Science. 1997; 278(5341):1267-1270. http://www.sciencemag.org/content/278/5341/1267                                  

[7] James FC, Pourtless IV JA. “Cladistics and the origins of birds: A review and two new analyses.” Ornithological Monographs 2009; 66(1):1-78.       http://www.bio.fsu.edu/James/Ornithological%20Monographs%202009.pdf

[8] Xu X, You H, Du K, Han F. “An Archaeopteryx-like theropod from China and the origin of Avialae.” Nature. 2011; 475(7357):465-70. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21796204

[9] Godefroit P, Demuynck H, Dyke G, Hu D, Escuillié F, Claeys P. “Reduced plumage and flight ability of a new Jurassic paravian theropod from China.” Nat Commun. 2013; 4:1394. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23340434

[10] Czerkas SA, Feduccia A. “Jurassic archosaur is a non-dinosaurian bird.” Journal of Ornithology 2014; 155(4):841-851. http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10336-014-1098-9

[11] Prum RO, Brush AH. “Dinosaur Feathers Came before Birds and Flight.” Scientific American 2014; 23(2). Disponível em: http://www.scientificamerican.com/article/dinosaur-feathers-came-before-birds-and-flight/



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