O Paradoxo do Pólen

 1 - https://creation.com/pt/articles/pollen-paradox-portuguese

O paradoxo do pólen

Os evolucionistas têm uma reacção ‘alérgica’ ao pólen pré-câmbrico–fósseis sul-americanos mais de um bilhão de anos ‘fora do prazo’

por Dr Carl Wieland, Dr Emil Silvestru


traduzido por Luís Jervell


Published 11 Oct, 2011


O inglês Sir Walter Raleigh, que introduziu o tabaco e as batatas na Europa, é mais bem conhecido por, supostamente, ter usado a sua dispendiosa capa para cobrir uma poça de lama e assim proteger os pés da Rainha Isabel I. Foi decapitado pelo sucessor desta, James I (famoso pela versão da Bíblia conhecida como “King James Version”) em 1618, mas não antes de se ter tornado no primeiro europeu a descobrir o Monte Roraima na América do Sul. O seu pico, a cerca de 2810 m acima do nível do mar, encontra-se na Venezuela.1 A zona foi também cenário do famoso romance de Arthur Conan Doyle, O Mundo Perdido.

O Monte Roraima pertence a um grupo de montanhas em forma de mesa, conhecidas localmente como tepuis, constituídas por quartzo-arenitos. Pensa-se que se trata dos restos de um grande planalto de arenito.

De acordo com todos os métodos geológicos ortodoxos, incluindo a "datação" radiométrica, supõe-se que esta rocha tenha sido depositada no mínimo há 1,7 (a maioria diz 1,8) mil milhões de anos.

Na coluna geológica evolucionária padrão (Fig. 1), isto era o Pré-Câmbrico, segundo o que se supõe, muito muito antes da existência de vida multicelular na Terra—só bactérias e algas. É, certamente, segundo o que se supõe, muito muito antes da existência de plantas na Terra capazes de produzir esporos ou pólen. O mais cedo que os evolucionistas aceitam qualquer coisa remotamente parecida com uma planta com sementes é no Devónico superior, há cerca de 380 milhões de anos.

Fósseis na era "errada"

No entanto, foram encontrados fósseis de esporos e pólen na formação de Roraima, conforme relatado num artigo de 1966 na prestigiosa revista Nature.2 Isso significa que estão pelo menos 1300 milhões de anos "fora do prazo".

Diagram of Geologic Column

A descoberta foi feita em 1963, quando um palinólogo3 de uma petrolífera testou amostras recolhidas na área por um botânico. A comunicação acima referida publicada na Nature era do Dr. R.M. Stainforth,4 um geólogo considerado como uma espécie de autoridade na estratigrafia e micropaleontologia da região. Foi uma descoberta tão desconcertante (para a crença em idades longas) que, em 1964, foi enviada uma expedição especial de geólogos qualificados para verificar os factos. Recolheram mais amostras, tentando evitar as zonas onde o pólen do exterior pudesse entrar nas rochas (como os planos de clivagem). Em seguida, três palinólogos testaram independentemente as amostras—e descobriram mais dos mesmos esporos e pólen fossilizados.

Poderiam as rochas ter sido datadas incorrectamente?

Uma carta de 1964 dirigida à Nature citava estudos relatados na mesma revista no ano anterior, que confirmavam que essa vasta idade tinha de ser definitivamente atribuída às rochas de Roraima no sistema evolucionário.5

Nas notas que acompanhavam uma listagem da Internet de muitas das suas comunicações, Stainforth, ele próprio aceitando as idades longínquas da evolução, afirmou sobre esta descoberta:

“As rochas em questão são inquestionavelmente antigas (pré-câmbricas) e estão tão alteradas que nenhuma matéria orgânica deveria ser reconhecida nas mesmas. Além disso, são fisicamente densas, sem caminhos óbvios (como a permeabilidade/porosidade naturais ou sistemas de fendilhação) que pudessem permitir a entrada de partículas sólidas. No entanto, técnicas palinológicas padrão recuperaram pólen fossilizado bem preservado das amostras!!!”6 [três pontos de exclamação no original.]

As espécies responsáveis pelos esporos e pólen fossilizados são difíceis de indicar com toda a certeza, mas não representam, definitivamente, os tipos de espécies actualmente existentes na zona. Tal como indicado, não podem ser mais antigas do que "devónicas". A maioria dos relatos sugere tipos de plantas que o raciocínio evolucionista coloca no Terciário, há cerca de 60 milhões de anos. Isto torna a discordância evolucionista mais de 300 milhões de anos pior do que os 1,3 mil milhões de anos anteriormente indicados.

Lidar com o enigma

No seu artigo original na Nature, Stainforth relata de que forma as opiniões sobre este paradoxo evolucionista se dividem basicamente em dois campos (ambos de idade longínqua, claro). O primeiro campo diz, efectivamente, que a datação radiométrica mostra que a rocha deve ter essa idade. Mas pelo raciocínio evolucionista, ter plantas a viver numa altura mais de mil milhões de anos antes de aparecerem é impossível. Por conseguinte, o pólen tem de representar um certo tipo de contaminação secundária.

Para corroborar a sua discórdia, afirmam que a rocha revela alterações significativas por metamorfismo,7 o que torna improvável que o pólen fossilizado pudesse ter sobrevivido.

O segundo campo responde que jamais alguém testou a ideia de que o pólen fossilizado não consegue sobreviver ao metamorfismo. (Isto era verdade nessa altura, mas agora não: uma comunicação de 2007 descreveu esporos fossilizados “espantosamente preservados” em rochas nos Alpes Franceses que tinham passado por metamorfismo de grau elevado.8 Um de nós (ES) está também familiarizado com esporos fossilizados em rocha metamórfica romena.)

O segundo campo aponta também que a natureza alterada (endurecida) da rocha prova a sua convicção de que:

“ … através de nenhum meio físico concebível poderiam o pólen (e os esporos) ter entrado nos sedimentos metamorfoseados através do exterior. Trata-se de rochas densas impermeáveis comprimidas por uma sobrecarga de dezenas de metros … [e] a face da qual se retiraram as amostras deve ter estado nas profundezas da formação até há bem pouco tempo”.9

O último parágrafo de Stainforth diz: “não propomos qualquer solução para o paradoxo”. Termina chamando-lhe “um problema geológico altamente intrigante”.

As regras do jogo

Há muito que é claro que o quadro de compreensão evolucionista/idades-longínquas é um poderoso paradigma filosófico que resiste à falsificação. Os evolucionistas têm protestado que seria "fácil" falsificar a evolução e o sistema de idades longínquas que lhe está associado—basta produzir um fóssil consideravelmente deslocado, por exemplo, coelhos no Câmbrico.

Efectivamente, tem havido muitos casos em que são encontrados fósseis em locais onde não seriam de esperar. No entanto, estes só servem para demonstrar as estratégias utilizadas pelos defensores das idades longínquas para lidar com estas descobertas inesperadas. Podem, por exemplo, alargar a amplitude atribuída às espécies de forma a incorporar a nova informação.

Explicado de uma forma simples, o pólen de Roraima "não pode" ter a mesma idade da rocha—ou então todo o sistema geológico de idades longínquas, com a sua progressão evolucionária, desmorona-se.

Ou podem admitir que o fóssil é um exemplo de "remobilização", isto é, fósseis da "idade" A entraram de alguma forma numa camada da "idade" B. Por vezes, existem provas de que esse "enterro intrusivo" aconteceu. Mas, tal como vemos na posição do primeiro campo relativamente ao pólen de Roraima, podem ser (e muitas vezes são) defendidas desafiando as provas físicas.

Explicado de uma forma simples, o pólen de Roraima "não pode" ter a mesma idade da rocha—ou então todo o sistema geológico de idades longínquas, com a sua progressão evolucionária, desmorona-se. A única alternativa razoável seria a criação (sobrenatural, recente) bíblica.

Portanto, estes fósseis, simplesmente, "têm de" ser de uma era muito posterior, tendo ficado colocados na rocha de alguma forma misteriosa inúmeras centenas de milhões de anos depois de esta se ter formado e endurecido (de acordo com a história evolucionária).

O que acontece se todas estas tentativas de explicação falharem e as provas físicas forem directamente enfrentadas—como para o segundo campo acima? Bem, coloca-se o assunto na prateleira como um mistério não resolvido. É o que se tem vindo a passar com a evidência de Roraima há cerca de meio século.

Em qualquer caso, é um jogo com dados viciados—a "casa" (convicção da idade longínqua) ganha sempre.

Referências e notas

  1. A extensão da montanha (31 km2 ) inclui o ponto triplo de fronteira entre Venezuela, Brasil e Guiana (anteriormente Guiana Britânica). Voltar ao texto.
  2. Stainforth, R.M. Occurrence of pollen and spores in the Roraima Formation of Venezuela and British Guiana, Nature 210(5033):292–294, 16 April 1966. Voltar ao texto.
  3. Palinologia = o estudo de pólen, esporos, etc. actuais e fossilizados. Voltar ao texto.
  4. Foi a força motora do boletim da Asociación Venezolana de Geología, Minería y Petroleo. Voltar ao texto.
  5. Bailey, P.B.H., Possible Microfossils found in the Roraima Formation in British Guiana, Nature 202(4930):384, 25 April 1964. Bailey estava no Geological Survey of British Guiana, Georgetown. Voltar ao texto.
  6. Ver secção de 1966 em rpasmd.org/rms/Annotated_list_pubns.htm (disponível através web.archive.org). Ver também rpasmd.org/rms/Discussion_Roraima.htm (disponível através web.archive.org) and rpasmd.org/rms/Pollen_Roraima.htm (disponível através web.archive.org). Voltar ao texto.
  7. É quando uma rocha é alterada por recristalização, por exemplo, através de calor e pressão, para outro tipo—calcário para mármore, por exemplo. Voltar ao texto.
  8. Bernard, S. et al., Exceptional preservation of fossil plant spores in high-pressure metamorphic rocks, Earth and Planetary Science Letters 262(1–2):257–272, 2007. Voltar ao texto.
  9. Ref. 2. O pólen de Roraima foi também encontrado em corniana, uma rocha muito dura formada por metamorfismo de contacto. https://creation.com/pollen-paradox Creation 33(3):16–17 June 2011 Voltar ao texto.




2 - https://rpasmd.org/rms/Pollen_Roraima.htm



AVGMP Boletín Informativo 1966, v. 173-176.
Reimpresso de Nature, vol. 210, nº 5.033, pp. 292-294, 16 de abril de 1966

Ocorrência de pólen e esporos na Formação Roraima da Venezuela e da Guiana Britânica

A descoberta de pólen e esporos em camadas consideradas pré-cambrianas (proterozoicas) recebeu breve atenção em periódicos geológicos e na imprensa [1] ,  [2] ,  [3] . Autores individuais certamente publicarão relatos estratigráficos e palinológicos detalhados da ocorrência oportunamente. Enquanto isso, considera-se conveniente apresentar um resumo dos fatos antes que interpretações distorcidas se desenvolvam a partir de dados insuficientes. O seguinte resumo foi preparado em conjunto por vários membros da Associação Venezuelana de Geologia, Mineração e Petróleo. Um único autor foi indicado para simplificar as referências bibliográficas.

No final de 1963, UCK Dunsterville fez uma expedição para coletar orquídeas nos arredores de Cerro Venamo, no ponto mais ocidental da fronteira entre a Venezuela e a Guiana Britânica (onde essa montanha é conhecida como Wenamu Head). Ele observou alguns leitos semelhantes a xisto na base de um penhasco imponente de arenito Roraima e coletou amostras por seu possível interesse paleontológico.

G. Fournier, palinólogo da Companhia de Petróleo Mene Grande, processou as amostras e recuperou pólen e esporos bem preservados. Posteriormente, L. Nijssen e JA Sulek, palinólogos da Compañía Shell de Venezuela e da Creole Petroleum Corporation, respectivamente, processaram outras amostras e recuperaram microfósseis vegetais idênticos.

Figura 1. Amostra de mão de 'xisto' da localidade de Cerro Venamo, mostrando o plano de acamamento paralelo à borda inferior e a clivagem diagonal. Tamanho natural.

A descoberta de pólen e esporos em uma formação de suposta idade pré-cambriana foi tão notável que uma expedição de reconhecimento composta por geólogos qualificados foi organizada para verificar os fatos. Em abril de 1964, com o auxílio de pessoal e veículos do Ministério de Minas e Hidrocarbonetos, a localidade foi visitada por uma equipe que incluía N. Benain, P.J. Bermúdez, A. Espejo, U. Fournier, A. Menéndez, J.A. Sulek e F. Wright. Eles confirmaram os principais fatos registrados por Dunsterville. Os estratos semelhantes a xisto, por serem menos competentes, haviam sido erodidos sob o arenito maciço de Roraima, deixando uma reentrância que se estendia de 3 a 4 metros para dentro da base do penhasco. As amostras originais eram fragmentos soltos e intemperizados da encosta de talude abaixo. Novas amostras de rocha não intemperizada foram coletadas da face da reentrância.

Ao retornarem a Caracas, os três palinólogos realizaram investigações independentes das novas amostras. Tomaram o máximo cuidado para evitar qualquer possibilidade de contaminação superficial. A rocha se cliva ao longo de planos de estratificação finamente laminados, revestidos por limonita. Todo esforço foi feito para evitar esses planos, e algumas das peças processadas eram os fragmentos centrais remanescentes após a remoção das partes externas de grandes blocos da rocha, que era densa o suficiente para produzir um som quando golpeada com um martelo. Mesmo assim, foram recuperados microfósseis do mesmo tipo que os anteriores.

O Dr. PHA Martin-Kaye, diretor do Serviço Geológico da Guiana Britânica, foi informado dessas descobertas em virtude do patrocínio de seu grupo à datação radiométrica da Formação Roraima. Ele colaborou enviando amostras de camadas descritas como "sedimentos hornfelsificados" de um nível aparentemente correlativo próximo a Paruima, no rio Kamarang, cerca de 40 quilômetros a leste da localidade original. Como antes, investigações independentes foram realizadas com esse material, e a mesma flora foi registrada. Mais amostras foram enviadas pelo Serviço, desta vez da área de Kopinang, cerca de 177 quilômetros a sudeste de Paruima. Nesse caso, porém, apenas microfósseis vegetais indeterminados foram obtidos, e não o conjunto característico registrado em Cerro Venamo e Paruima.

Fig. 2. Hornfels de Paruima (nicóis cruzados); os cristais grandes são todos de cordierita em fundo micáceo, com o fino bandamento original de quartzo ainda preservado; a biotita pode ser vista à direita do centro do campo. (x 150)

É importante ressaltar que a investigação petrológica das rochas que forneceram pólen e esporos mostrou que elas eram altamente metamorfizadas, embora em amostras de mão se assemelhassem um pouco a xistos endurecidos ( Fig. 1 ). JM Bowen (Cia. Shell do Venezuela) descreveu as amostras de Cerro Venamo e Paruima como hornfels verdadeiros na faixa cordierita-andalusita, com base em análises de lâminas delgadas ( Fig. 2 ). O Prof. HH Hess (Universidade de Princeton) confirmou isso com base em análises de difração de raios X e descreveu a rocha como um hornfels bastante típico, composto principalmente de muscovita com um pouco de quartzo, minerais argilosos aparentemente ausentes e sem clorita. As amostras de Paruima eram mais metamorfizadas, como demonstrado pela presença de biotita.

A Figura 3 mostra uma seção transversal regional bastante generalizada baseada no mapa geológico atual da Guiana Britânica. A atitude notavelmente horizontal da Formação Roraima e a persistência de soleiras de dolerito [4] por vastas distâncias parecem justificar as correlações de longo alcance indicadas. São mostradas as posições relativas das amostras poliníferas e das amostras datadas do Pré-Cambriano por técnicas radiométricas.

A associação palinológica ainda não foi comparada conclusivamente com nenhuma sequência conhecida, um fato que não surpreende considerando a distância das seções de controle de idade conhecida e o caráter altamente endêmico da flora atual, e provavelmente do passado geológico, no isolado Planalto de Roraima. G. Fournier, utilizando o herbário de J. Steyermark, conseguiu comparar o pólen recente da área com a associação nas rochas e afirmou que não são a mesma. A primeira impressão de Fournier foi de que o pólen apresentava afinidades com o Cretáceo, mas um estudo mais aprofundado levou à preferência por uma idade terciária. L. Nijssen considera a melhor associação, de uma amostra de Paruima, como não anterior ao Eoceno e possivelmente pós-Eoceno. J.W. Funkhouser (Bogotá) considera o pólen autóctone das amostras que processou, mas afirma uma idade não anterior ao Mioceno, e provavelmente mais recente. Ele observa semelhanças com a flora da Formação Mesa (Plioceno-?Pleistoceno) da Colômbia, presença de pólen de Asteraceae (Compositae) e uma preservação não comprimida altamente incomum, exceto em sedimentos jovens. T. van der Hammen (Leiden) reconhece uma mistura de elementos mesozoicos e cenozoicos, mas suspeita que representem material estranho concentrado ao longo dos planos de clivagem, já que, após limpar os fragmentos por ultrassom, constatou que a matriz estava praticamente estéril.

Quanto à interpretação do significado do pólen e dos esporos fossilizados, duas opiniões bastante divergentes foram expressas. Os autores não pretendem arbitrar, mas apresentam os dois conceitos de forma imparcial.

Um grupo adota a postura de que a datação radiométrica[5] [6] [7]A presença de doleritos e hornfels na Formação Roraima como pré-cambrianos é indiscutível; portanto, o pólen (e os esporos) devem ter entrado como contaminação secundária. A improbabilidade de o pólen resistir ao processo de calcinação, que converteu o xisto em hornfels,


A ausência de restos vegetais macroscópicos na Formação Roraima também é apontada como evidência adicional de que o pólen deve ser alóctone. Observa-se ainda a ausência de restos vegetais macroscópicos na Formação Roraima, apesar de sua presumida origem continental (fluvial?). Admite-se que a entrada do pólen em seu local atual desafia uma explicação simples, embora algum tipo de transporte por águas meteóricas no passado geológico através de juntas no arenito sobrejacente pareça a causa mais provável.

O segundo grupo defende que, por nenhum meio físico concebível, o pólen (e os esporos) poderiam ter entrado nos sedimentos metamorfoseados a partir do exterior. Trata-se de rochas densas e impermeáveis, comprimidas por uma camada de centenas de metros de arenitos Roraima sobrejacentes. A erosão na base da falésia em Cerro Venamo sugere que esta tem recuado continuamente; portanto, a face amostrada deve ter estado profundamente inserida na formação até tempos bastante recentes. Os arenitos Roraima são quartzíticos, de baixa permeabilidade; logo, o transporte de pólen externo através deles pela percolação da água parece altamente improvável. Mesmo que esse processo pudesse ocorrer, a entrada de tal pólen e esporos no hornfels não poroso carece de explicação. Além disso, se a plausibilidade desse processo for admitida, ele teria ocorrido por um longo período, e seria de esperar uma mistura de esporos e pólen.

Em contra-argumento ao primeiro grupo, alega-se que a afirmação de que o pólen e os esporos não resistem ao cozimento anaeróbico de seus folhelhos parentais nunca foi testada experimentalmente. Quanto à datação radiométrica, há uma sobreposição preocupante entre as idades declaradas da Formação Roraima [5]   [6] e as rochas do embasamento subjacente [7] ,  [8] ,  [9] . Estas últimas sofreram deformação e vulcanismo complexos, sendo posteriormente profundamente peneplanadas antes de serem cobertas por milhares de metros de arenitos da Formação Roraima, e somente após esses eventos prolongados ocorreram a intrusão dos doleritos, sobre os quais se baseou a determinação da idade da Formação Roraima. Se a técnica radiométrica for válida, deveria haver um longo e nítido intervalo de tempo entre as idades atribuídas às rochas do embasamento e às camadas da Formação Roraima. Tal intervalo não existe nos resultados experimentais publicados, mas essa discrepância é omitida no último resumo da datação radiométrica na Guiana Britânica 7 .

Como já foi dito, não oferecemos nenhuma solução para o paradoxo. É evidente, no entanto, que o botânico Dunsterville, em sua busca por orquídeas raras, deparou-se com um problema geológico extremamente intrigante.

RM Stainforth

Associação Venezolana de Geologia, Minería y Petróleo,
Apartado 4400,
Chacao, Estado Miranda, Venezuela.

Discussão sobre a idade da formação Roraima, Venezuela, 1964. ]



[1] Stainforth, RM, Micropaleontologia , 10 , 518 (1964).

[2] Asoc. Ven. Geol. Min. Petr., Bol. Inf ., 7 , 125 (1964).

[3] Dunsterville, H., e Fournier, G., Caracas Daily Journal , Weekly Mag., 11 (1964).

[4] Bateson, JH, Terceira Conferência Geológica do Caribe , Jamaica, 1962 (no prelo).

[5] McDougall, I., Compston, W., e Hawkes, DD, Nature , 198 , 564 (1968).

[6] Snelling,. NJ, Nature , 198 , 1079 (1963).

[7] McConnell, RB, Williams, E., Cannon, HT, e Snelling, NJ, Nature , 204 , 115 (1964).

[8] Cannon, RT, Geol. Surv. Brit. Guiana, Bull ., 35 , 19 (1964).

[9] Short, KC, e Steenken, WF, Asoc. Ven. Geol. Min. Petr., Bol. Inf ., 5 , 109 (1962).




3 - https://www.nature.com/articles/202384a0


  • Carta
  • Publicado:

Possíveis microfósseis encontrados na Formação Roraima, na Guiana Britânica.

volume
 202 , 
página
384 ( 1964 ) 

Resumo

Após muitos anos de especulação, a Formação Roraima da Guiana Britânica foi finalmente determinada por McDougall et al.<sup> 1 </sup> e Snelling<sup> 2 </sup> como não sendo mais recente que o Proterozoico Inferior. A Formação é, portanto, consideravelmente mais antiga do que se supunha e, consequentemente, há um interesse crescente nos supostos microfósseis recentemente descobertos nela. A Formação Roraima, de formato tabular, possui uma espessura total na Guiana Britânica superior a 2.134 metros (7.000 pés) (ref. 3) e consiste em sedimentos geralmente horizontais, predominantemente arenosos. Ela forma as Montanhas Pakaraima, na região centro-oeste do país, e também se estende por consideráveis ​​áreas adjacentes na Venezuela e no Brasil, cobrindo cerca de 451.000 quilômetros quadrados no total.

Referências

  1. McDougall, I., Compston, W., e Hawkes, DD, Nature , 198 , 564 (1963).

    Artigo

     
    ANÚNCIOS
     
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  2. Snelling, NJ, Nature , 198 , 1079 (1963).

    Artigo

     
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  3. Bailey, PBH, Geol. Surv. Brit. Guiana, Rep. for 1959 , 38 (1960).

  4. Barbosa, O., e Ramos, JR de A., Divisão de Geologia e Mineralogia (Brasil), 196 (1959).

    Google Acadêmico

     

  5. Bailey, PBH, Geol. Surv. Brit. Guiana, Rep. For 1958 , 32 (1959).

  6. Frarey, MJ, e McLaren, DJ, Nature , 200 , 461 (1963).

GEOLOGY Possible Microfossils found in the Roraima Formation in British Guiana AFTER many years of speculation the Roraima Formation of British Guiana has now been found by McDougall et al.' and Snelling• to be not younger than Lower Proterozoic. The Formation is, therefore, of considerably greater antiquity than had been supposed and, in consequence, there is heightened interest in presumed microfossils which have been recently discovered in it. The tabular Roraima Formation has a total thickness in British Guiana in excess of 7,000 ft. (ref. 3) and consists of generally horizontal, dominantly ar0naceous s0dim0nts. It forms the Pakaraima Mountains of the mid-western region of the country and also extends over considerable adjacent areas in Venezuela and Brazil, covering some 175,000 square miles in all.


GEOLOGIA Possíveis microfósseis encontrados na Formação Roraima, na Guiana Britânica APÓS muitos anos de especulação, a Formação Roraima da Guiana Britânica foi agora identificada por McDougall et al. e Snelling como não sendo mais recente do que o Proterozoico Inferior. A Formação é, portanto, consideravelmente mais antiga do que se supunha e, consequentemente, há um interesse crescente nos supostos microfósseis que foram recentemente descobertos nela. A Formação Roraima, de caráter tabular, tem uma espessura total na Guiana Britânica superior a 7.000 pés (ref. 3) e consiste em sedimentos geralmente horizontais, predominantemente arenosos. Ela forma as Montanhas Pakaraima, na região centro-oeste do país, e também se estende por áreas adjacentes consideráveis na Venezuela e no Brasil, cobrindo cerca de 175.000 milhas quadradas no total.


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 Barbosa and Ramos• report the occurrence of a. fossil 's~ongilite', in which Prof. Karal Beurlen identified sponge s;rncules; from the Roraima Formation in Brazil. Spiculelike obJects have been observed from similar rocks in British Guiana although there is some suggestion that these may be volcanic shards. A collection of specimens from stream pebbles and boulders at a locality on the Kako Rivers included some which contain microscopic objects of apparent organic origin. On revisiting tho locality on a later occasion3 unsuccessful search for the source was made; nevertheless there is little doubt that the material was derived from the Roraima. Formation. The fossil-like objects occur in chert and jasper beds. They appear to be the tests of unicellular micro-organisms and sometimes occur abundantly in very narrow bands. Examples from specimen H 265 are shown in Figs. 1 and 2. In Fig. 1 the larger of the objects, which are spherical with a suggestion of tetrahedral symmetry, has a diameter of 0·4 mm with a wall thickness around 0·008 mm. Fig. 2 contains two objects. One is a globular mass about 0·16 mm in diameter with three radiating spine-like projections, one having a length of 0·18 mm. 


Barbosa e Ramos relatam a ocorrência de uma “songilita” fóssil, na qual o Prof. Karal Beurlen identificou espículas de esponjas, proveniente da Formação Roraima, no Brasil. Objetos semelhantes a espículas foram observados em rochas semelhantes na Guiana Britânica, embora haja indícios de que estes possam ser fragmentos vulcânicos. Uma coleção de espécimes de seixos e pedregulhos de riachos em uma localidade no rio Kako incluía alguns que contêm objetos microscópicos de aparente origem orgânica. Ao revisitar a localidade em uma ocasião posterior, foi realizada uma busca infrutífera pela fonte; no entanto, há poucas dúvidas de que o material seja derivado da Formação Roraima. Os objetos semelhantes a fósseis ocorrem em camadas de sílex e jaspe. Eles parecem ser as conchas de microrganismos unicelulares e, às vezes, ocorrem abundantemente em faixas muito estreitas. Exemplares do espécime H 265 são mostrados nas Figs. 1 e 2. Na Fig. 1, o maior dos objetos, que é esférico com uma sugestão de simetria tetraédrica, tem um diâmetro de 0,4 mm com uma espessura de parede em torno de 0,008 mm. A Fig. 2 contém dois objetos. Um deles é uma massa globular com cerca de 0,16 mm de diâmetro e três projeções radiais semelhantes a espinhos, uma delas com 0,18 mm de comprimento. 


Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com



The other object is two-chambered, each chamber being around 0·18 mm diameter with walls about 0·012 mm in thickness. In other sections a variety of forms ranging in diameter from 0· 6 mm to 0·1 mm may be seen. some reminiscent of Foraminifera and Radiolaria, but none of which can be identified with any certainty. There can be little doubt, however, of their organic origin. · It may be noted that in a recent communication• attention has been drawn to other supposed fossils in the Early Proterozoic. I thank the Director and Staff of the Overseas Geological Surveys and the Mineral Resources Division for their interest and the facilities put at my disposal. P. B. H. BAILEY 


O outro objeto possui duas câmaras, cada uma com cerca de 0,18 mm de diâmetro e paredes com cerca de 0,012 mm de espessura. Em outras seções, é possível observar uma variedade de formas cujo diâmetro varia de 0,6 mm a 0,1 mm. Algumas lembram foraminíferos e radiolários, mas nenhuma delas pode ser identificada com certeza. Não há dúvida, no entanto, de sua origem orgânica. · Cabe observar que, em uma comunicação recente, chamou-se a atenção para outros supostos fósseis do Proterozoico Inferior. Agradeço ao Diretor e à equipe dos Serviços Geológicos no Exterior e da Divisão de Recursos Minerais pelo interesse demonstrado e pelas instalações colocadas à minha disposição. P. B. H. BAILEY 



Geological Survey of British Guiana, Georgetown, British Guiana. 1 McDougall, I., Compston, W., and Hawkes, D. D., Nature, 198, 564 (1963). 2 Snelling, N. J., Nature, 198, 1079 (1963). 3 Bailey, P. B. H., Geol. Surv. Brit. Guiana, Rep. for 1959, 38 (1960). 'Barbosa, 0., and Ramos, J. R. de A., Divisao de Geologia e Mineraloqia (Brazil), 196 (1959). 'Bailey, P. B. H., Geol. Surr. Brit. Guiana, Rep. for-19;)8, 32 (1959). • Frarey, M. J., and McLaren, D. J., Nature, 200, 461 (1963).





4 - https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0012821X07004931


Preservação excepcional de esporos de plantas fósseis em rochas metamórficas de alta pressão.

https://doi.org/10.1016/j.epsl.2007.07.041Obtenha direitos e conteúdo.

Resumo

Acredita-se geralmente que o metamorfismo de alto grau apaga todos os vestígios de fósseis e, de forma mais geral, de biogenicidade nas rochas. Para abordar essa questão, relatamos neste estudo observações por espectromicroscopia de raios X, microespectroscopia Raman e microscopia eletrônica em escala nanométrica de megásporos fósseis de licófitas encontrados em rochas metassedimentares triássicas dos Alpes franceses. Essas rochas foram submetidas a condições metamórficas de alta pressão (∼  14 kbar, ∼ 360 °C) durante a orogenia alpina, correspondendo a um soterramento de ∼ 35 km durante a subducção. Apesar desse metamorfismo, os megásporos fósseis estão notavelmente bem preservados em termos de textura. Uma zonificação mineralógica incomum, composta por magnetita, ankerita e calcita, está sobreposta às estruturas das paredes dos esporos. Paralelamente, foram detectadas heterogeneidades químicas na matéria orgânica (MO) que compõe as paredes dos esporos. Discutimos diferentes interpretações para nossas observações, em particular um cenário no qual essas características são remanescentes das heterogeneidades estruturais originais nos esporos, e fornecemos informações sobre os processos de fossilização sob condições metamórficas de alto grau. Quaisquer que sejam os processos que levam a tais heterogeneidades, nossas observações se opõem à suposição usual de que o metamorfismo de alto grau apaga todos os indícios de biogenicidade nas rochas e abrem novos caminhos para a investigação, em escala nanométrica, da evolução da matéria orgânica durante a diagênese e o metamorfismo.  

Introdução

O material carbonáceo (MC) é onipresente em rochas metassedimentares e resulta principalmente da transformação da matéria orgânica biogênica (MO) durante processos diagenéticos e metamórficos. Na maioria dos contextos geológicos, acredita-se que o metamorfismo de alto grau apague vestígios da química e estrutura originais dos materiais biológicos, impedindo a reconstituição de sua herança geoquímica, seja biogênica ou abiótica (Moorbath, 2005). Essa perda representa uma grande limitação na busca por vida no registro geológico, especialmente no que diz respeito à Terra primitiva (Schopf et al., 2002; Brasier et al., 2002), visto que a maioria das rochas desse período já sofreu metamorfismo. Também pode ser um problema para a preservação do registro fóssil em períodos mais recentes. Por exemplo, diversos “konservat-lagerstätten” do Cambriano exibem organismos de corpo mole excepcionalmente bem preservados e fornecem informações cruciais sobre a origem dos filos modernos e os processos evolutivos associados à diversificação explosiva da vida. Diversos estudos têm se dedicado à preservação da matéria orgânica em fósseis do Cambriano (Butterfield, 2003; Gaines et al., 2005; Zhu et al., 2005). Esses fósseis, em geral, foram submetidos a vários processos diagenéticos (Knoll e Walter, 1992; Briggs, 2003) e, mais raramente, ao metamorfismo, como no caso dos fósseis do Folhelho Burgess, que sofreram metamorfismo de fácies xisto verde (Butterfield, 1995; Orr et al., 1998; Powell, 2003; Butterfield et al., 2007). A questão de saber se alguns processos preservam esses fósseis da degradação durante o metamorfismo é um ponto importante a ser abordado. Em uma perspectiva diferente, um esforço de pesquisa considerável estabeleceu agora a evolução química e estrutural em massa de carvões e querogênios associados à liberação de hidrocarbonetos durante a diagênese e o metamorfismo de grau muito baixo (Cody et al., 1996, Hemsley et al., 1996, Derenne e Largeau, 2001).
Em condições metamórficas mais elevadas, os mecanismos estruturais da grafitização são bem descritos (Buseck e Huang, 1985; Beyssac et al., 2002a), podendo ser utilizados como indicadores do grau metamórfico (Wopenka e Pasteris, 1993; Beyssac et al., 2002b), mas as transformações químicas envolvidas na grafitização, bem como as relações entre a matéria orgânica e os minerais, permanecem em grande parte desconhecidas. Alguns fósseis foram descritos em rochas metamórficas de alto grau, mas essas observações restringem-se principalmente a descrições morfológicas (Franz et al., 1991) e raramente se concentram na estrutura e/ou química da matéria orgânica ou dos minerais que constituem o próprio fóssil (Goffé e Villey, 1984). Os fósseis orgânicos têm sido classicamente estudados utilizando procedimentos agressivos de digestão química para extrair a fração orgânica da amostra. No entanto, o recente desenvolvimento de técnicas analíticas in situ e métodos de preparação de amostras oferece novas oportunidades para o estudo de objetos tão complexos (Kempe et al., 2005) e para a redução da ocorrência de contaminação experimental. Em particular, podemos obter uma melhor compreensão da origem da matéria orgânica metamórfica preservada em fósseis e minerais associados, bem como dos mecanismos de sua preservação, combinando a caracterização estrutural e química desses objetos em escalas que variam do milímetro à nanômetro.
Neste estudo, selecionamos objetos fossilizados que passaram por um ciclo metamórfico envolvendo condições de alta pressão e baixa temperatura (AP-BT) na fácies xisto azul, e uma história tectônica complexa, porém bem conhecida. A identificação das estruturas biológicas nesses objetos não se limita à morfologia dos fósseis, mas também inclui características químicas e estruturais em escala submicrométrica. Essas observações foram possíveis graças a uma combinação inovadora de técnicas analíticas microestruturais e microquímicas, incluindo microespectroscopia Raman (MR), microscopia de transmissão de raios X por varredura (MTXV) e microscopia eletrônica de transmissão (MET). O uso desses métodos não exige a remoção dos fósseis da rocha circundante. Ao comparar nossas observações com a estrutura e a composição química de esporos modernos, discutimos a eventual preservação de características bioestruturais após metamorfismo de alto grau.

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Trechos de seção

Contexto geológico

As amostras foram coletadas em calcários ricos em CM (3% em peso) do Triássico (Goffé e Villey, 1984) no Roc de la Pêche-Chanrossa, no maciço de Vanoise, Alpes Ocidentais (França). A formação amostrada foi depositada em carstes bauxíticos em um ambiente lacustre durante o Lettenkohle (ca. 225 Ma) (Ellenberger, 1958) e esteve envolvida na orogenia alpina, com soterramento profundo durante a subducção seguido de exumação dentro da cunha orogênica. A associação mineral do Roc de la Pêche-Chanrossa

Microespectroscopia Raman e mapeamento composicional

Os dados de Raman foram obtidos com um espectrômetro Renishaw INVIA (ENS Paris). Os espectros foram medidos a uma temperatura constante (∼  20–22 °C) com um laser de argônio de 20 mW da Spectra Physics, com comprimento de onda de 514,5 nm, focalizado através de um microscópio Leica com uma objetiva de 50× (NA   0,75). Essa configuração proporciona uma resolução planar <  2 μm e uma potência do laser na superfície da amostra de cerca de 1 mW (uma configuração instrumental bem abaixo do valor limite que resulta em danos por radiação à amostra).

Caracterização em escala submicrométrica da matéria orgânica que compõe as paredes dos esporos.

Investigações por microscopia óptica e RM mostram que a CM está amplamente distribuída nos septários, seja nas paredes dos esporos ou disseminada entre os minerais. Os espectros Raman da MO que compõe as paredes dos megásporos são idênticos, em termos de posição do pico, largura relativa do pico e altura relativa, aos espectros dos detritos de MO dispersos na matriz. Todos esses espectros mostram sistematicamente duas características dominantes: bandas vibracionais em 1350 cm⁻¹ banda  de defeito D1) e uma banda larga em ∼  1600 cm⁻¹ ( incluindo  a banda G do grafite e

Fontes potenciais de contaminação

A contaminação é uma questão importante, como ilustrado, por exemplo, pelos vários debates sobre a descoberta de supostos vestígios de vida em meteoritos ( por exemplo , Jull et al., 1998; Benzerara et al., 2006b) ou a identificação de biomarcadores em amostras arqueanas ( por exemplo , Dutkiewicz et al., 2006). Duas fontes de contaminação são possíveis: uma experimental, durante o manuseio e a preparação da amostra; a outra, em campo, que resultaria na contaminação das rochas metamorfizadas após a extração.

Conclusões e perspectivas

Apesar das perdas de carbono alifático, algumas estruturas carbonáceas, como a parede externa dos esporos, foram preservadas estruturalmente durante o metamorfismo de alto grau e apresentam heterogeneidades químicas em nanoescala que podem resultar de heterogeneidades químicas primárias existentes no objeto biológico original. Essas heterogeneidades químicas foram observadas consistentemente por microespectroscopia Raman, TEM e STXM. Essas observações divergem da crença comum de que o metamorfismo de alto grau

Agradecimentos

Agradecemos a Lea Grauvogel-Stamm e Bernard Lugardon pela valiosa ajuda com as determinações de fósseis, bem como a François Negro pelos cálculos de P - T . Agradecemos também a Tolek Tyliszczak (ALS) e Joerg Raabe (SLS PSI) pela ajuda com os experimentos de STXM, a Michel Belleil (Renishaw, França) pela ajuda com o mapeamento Raman, a Roland Caron (ENS) pela confecção das numerosas lâminas delgadas e a Christian Vanni, Christian Dominici, Ingrid Raccurt e Wahib Saikaly do CP2M em Marselha, que nos concederam acesso.

Referências (71)

Citado por (136)



https://rpasmd.org/rms/Pollen_Roraima.htm


AVGMP Boletín Informativo 1966, v. 173-176.
Reimpresso de Nature, vol. 210, nº 5.033, pp. 292-294, 16 de abril de 1966

Ocorrência de pólen e esporos na Formação Roraima da Venezuela e da Guiana Britânica

A descoberta de pólen e esporos em camadas consideradas pré-cambrianas (proterozoicas) recebeu breve atenção em periódicos geológicos e na imprensa [1] ,  [2] ,  [3] . Autores individuais certamente publicarão relatos estratigráficos e palinológicos detalhados da ocorrência oportunamente. Enquanto isso, considera-se conveniente apresentar um resumo dos fatos antes que interpretações distorcidas se desenvolvam a partir de dados insuficientes. O seguinte resumo foi preparado em conjunto por vários membros da Associação Venezuelana de Geologia, Mineração e Petróleo. Um único autor foi indicado para simplificar as referências bibliográficas.

No final de 1963, UCK Dunsterville fez uma expedição para coletar orquídeas nos arredores de Cerro Venamo, no ponto mais ocidental da fronteira entre a Venezuela e a Guiana Britânica (onde essa montanha é conhecida como Wenamu Head). Ele observou alguns leitos semelhantes a xisto na base de um penhasco imponente de arenito Roraima e coletou amostras por seu possível interesse paleontológico.

G. Fournier, palinólogo da Companhia de Petróleo Mene Grande, processou as amostras e recuperou pólen e esporos bem preservados. Posteriormente, L. Nijssen e JA Sulek, palinólogos da Compañía Shell de Venezuela e da Creole Petroleum Corporation, respectivamente, processaram outras amostras e recuperaram microfósseis vegetais idênticos.

Figura 1. Amostra de mão de 'xisto' da localidade de Cerro Venamo, mostrando o plano de acamamento paralelo à borda inferior e a clivagem diagonal. Tamanho natural.

A descoberta de pólen e esporos em uma formação de suposta idade pré-cambriana foi tão notável que uma expedição de reconhecimento composta por geólogos qualificados foi organizada para verificar os fatos. Em abril de 1964, com o auxílio de pessoal e veículos do Ministério de Minas e Hidrocarbonetos, a localidade foi visitada por uma equipe que incluía N. Benain, P.J. Bermúdez, A. Espejo, U. Fournier, A. Menéndez, J.A. Sulek e F. Wright. Eles confirmaram os principais fatos registrados por Dunsterville. Os estratos semelhantes a xisto, por serem menos competentes, haviam sido erodidos sob o arenito maciço de Roraima, deixando uma reentrância que se estendia de 3 a 4 metros para dentro da base do penhasco. As amostras originais eram fragmentos soltos e intemperizados da encosta de talude abaixo. Novas amostras de rocha não intemperizada foram coletadas da face da reentrância.

Ao retornarem a Caracas, os três palinólogos realizaram investigações independentes das novas amostras. Tomaram o máximo cuidado para evitar qualquer possibilidade de contaminação superficial. A rocha se cliva ao longo de planos de estratificação finamente laminados, revestidos por limonita. Todo esforço foi feito para evitar esses planos, e algumas das peças processadas eram os fragmentos centrais remanescentes após a remoção das partes externas de grandes blocos da rocha, que era densa o suficiente para produzir um som quando golpeada com um martelo. Mesmo assim, foram recuperados microfósseis do mesmo tipo que os anteriores.

O Dr. PHA Martin-Kaye, diretor do Serviço Geológico da Guiana Britânica, foi informado dessas descobertas em virtude do patrocínio de seu grupo à datação radiométrica da Formação Roraima. Ele colaborou enviando amostras de camadas descritas como "sedimentos hornfelsificados" de um nível aparentemente correlativo próximo a Paruima, no rio Kamarang, cerca de 40 quilômetros a leste da localidade original. Como antes, investigações independentes foram realizadas com esse material, e a mesma flora foi registrada. Mais amostras foram enviadas pelo Serviço, desta vez da área de Kopinang, cerca de 177 quilômetros a sudeste de Paruima. Nesse caso, porém, apenas microfósseis vegetais indeterminados foram obtidos, e não o conjunto característico registrado em Cerro Venamo e Paruima.

Fig. 2. Hornfels de Paruima (nicóis cruzados); os cristais grandes são todos de cordierita em fundo micáceo, com o fino bandamento original de quartzo ainda preservado; a biotita pode ser vista à direita do centro do campo. (x 150)

É importante ressaltar que a investigação petrológica das rochas que forneceram pólen e esporos mostrou que elas eram altamente metamorfizadas, embora em amostras de mão se assemelhassem um pouco a xistos endurecidos ( Fig. 1 ). JM Bowen (Cia. Shell do Venezuela) descreveu as amostras de Cerro Venamo e Paruima como hornfels verdadeiros na faixa cordierita-andalusita, com base em análises de lâminas delgadas ( Fig. 2 ). O Prof. HH Hess (Universidade de Princeton) confirmou isso com base em análises de difração de raios X e descreveu a rocha como um hornfels bastante típico, composto principalmente de muscovita com um pouco de quartzo, minerais argilosos aparentemente ausentes e sem clorita. As amostras de Paruima eram mais metamorfizadas, como demonstrado pela presença de biotita.

A Figura 3 mostra uma seção transversal regional bastante generalizada baseada no mapa geológico atual da Guiana Britânica. A atitude notavelmente horizontal da Formação Roraima e a persistência de soleiras de dolerito [4] por vastas distâncias parecem justificar as correlações de longo alcance indicadas. São mostradas as posições relativas das amostras poliníferas e das amostras datadas do Pré-Cambriano por técnicas radiométricas.

A associação palinológica ainda não foi comparada conclusivamente com nenhuma sequência conhecida, um fato que não surpreende considerando a distância das seções de controle de idade conhecida e o caráter altamente endêmico da flora atual, e provavelmente do passado geológico, no isolado Planalto de Roraima. G. Fournier, utilizando o herbário de J. Steyermark, conseguiu comparar o pólen recente da área com a associação nas rochas e afirmou que não são a mesma. A primeira impressão de Fournier foi de que o pólen apresentava afinidades com o Cretáceo, mas um estudo mais aprofundado levou à preferência por uma idade terciária. L. Nijssen considera a melhor associação, de uma amostra de Paruima, como não anterior ao Eoceno e possivelmente pós-Eoceno. J.W. Funkhouser (Bogotá) considera o pólen autóctone das amostras que processou, mas afirma uma idade não anterior ao Mioceno, e provavelmente mais recente. Ele observa semelhanças com a flora da Formação Mesa (Plioceno-?Pleistoceno) da Colômbia, presença de pólen de Asteraceae (Compositae) e uma preservação não comprimida altamente incomum, exceto em sedimentos jovens. T. van der Hammen (Leiden) reconhece uma mistura de elementos mesozoicos e cenozoicos, mas suspeita que representem material estranho concentrado ao longo dos planos de clivagem, já que, após limpar os fragmentos por ultrassom, constatou que a matriz estava praticamente estéril.

Quanto à interpretação do significado do pólen e dos esporos fossilizados, duas opiniões bastante divergentes foram expressas. Os autores não pretendem arbitrar, mas apresentam os dois conceitos de forma imparcial.

Um grupo adota a postura de que a datação radiométrica[5] [6] [7]A presença de doleritos e hornfels na Formação Roraima como pré-cambrianos é indiscutível; portanto, o pólen (e os esporos) devem ter entrado como contaminação secundária. A improbabilidade de o pólen resistir ao processo de calcinação, que converteu o xisto em hornfels,


A ausência de restos vegetais macroscópicos na Formação Roraima também é apontada como evidência adicional de que o pólen deve ser alóctone. Observa-se ainda a ausência de restos vegetais macroscópicos na Formação Roraima, apesar de sua presumida origem continental (fluvial?). Admite-se que a entrada do pólen em seu local atual desafia uma explicação simples, embora algum tipo de transporte por águas meteóricas no passado geológico através de juntas no arenito sobrejacente pareça a causa mais provável.

O segundo grupo defende que, por nenhum meio físico concebível, o pólen (e os esporos) poderiam ter entrado nos sedimentos metamorfoseados a partir do exterior. Trata-se de rochas densas e impermeáveis, comprimidas por uma camada de centenas de metros de arenitos Roraima sobrejacentes. A erosão na base da falésia em Cerro Venamo sugere que esta tem recuado continuamente; portanto, a face amostrada deve ter estado profundamente inserida na formação até tempos bastante recentes. Os arenitos Roraima são quartzíticos, de baixa permeabilidade; logo, o transporte de pólen externo através deles pela percolação da água parece altamente improvável. Mesmo que esse processo pudesse ocorrer, a entrada de tal pólen e esporos no hornfels não poroso carece de explicação. Além disso, se a plausibilidade desse processo for admitida, ele teria ocorrido por um longo período, e seria de esperar uma mistura de esporos e pólen.

Em contra-argumento ao primeiro grupo, alega-se que a afirmação de que o pólen e os esporos não resistem ao cozimento anaeróbico de seus folhelhos parentais nunca foi testada experimentalmente. Quanto à datação radiométrica, há uma sobreposição preocupante entre as idades declaradas da Formação Roraima [5]   [6] e as rochas do embasamento subjacente [7] ,  [8] ,  [9] . Estas últimas sofreram deformação e vulcanismo complexos, sendo posteriormente profundamente peneplanadas antes de serem cobertas por milhares de metros de arenitos da Formação Roraima, e somente após esses eventos prolongados ocorreram a intrusão dos doleritos, sobre os quais se baseou a determinação da idade da Formação Roraima. Se a técnica radiométrica for válida, deveria haver um longo e nítido intervalo de tempo entre as idades atribuídas às rochas do embasamento e às camadas da Formação Roraima. Tal intervalo não existe nos resultados experimentais publicados, mas essa discrepância é omitida no último resumo da datação radiométrica na Guiana Britânica 7 .

Como já foi dito, não oferecemos nenhuma solução para o paradoxo. É evidente, no entanto, que o botânico Dunsterville, em sua busca por orquídeas raras, deparou-se com um problema geológico extremamente intrigante.

RM Stainforth

Associação Venezuelana de Geologia, Mineração e Petróleo,
Caixa Postal 4400,
Chacao, Estado de Miranda, Venezuela.

Discussão sobre a idade da formação Roraima, Venezuela, 1964. ]



[1] Stainforth, RM, Micropaleontologia , 10 , 518 (1964).

[2] Assoc. Ven. Geol. Min. Petr., Bol. Inf ., 7 , 125 (1964).

[3] Dunsterville, H., e Fournier, G., Caracas Daily Journal , Weekly Mag., 11 (1964).

[4] Bateson, JH, Terceira Conferência Geológica do Caribe , Jamaica, 1962 (no prelo).

[5] McDougall, I., Compston, W., e Hawkes, DD, Nature , 198 , 564 (1968).

[6] Snelling,. NJ, Nature , 198 , 1079 (1963).

[7] McConnell, RB, Williams, E., Cannon, HT, e Snelling, NJ, Nature , 204 , 115 (1964).

[8] Cannon, RT, Geol. Surv. Brit. Guiana, Bull ., 35 , 19 (1964).

[9] Short, KC, e Steenken, WF, Asoc. Ven. Geol. Min. Petr., Bol. Inf ., 5 , 109 (1962).



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